10/29/2004

UMA NOTA DE APREÇO...

...para o rigor com que a Ministra da Educação explicou ontem as novas estratégias para o sector. Ficámos todos muito mais descansados ao saber que o governo está em processo de fechar umas tantas e tal escolas por terem menos do que tal e tal alunos. E tal...
Também gostámos de saber que o regulamento dos exames do 9.º ano fica pronto hoje. Ontem, a Srª Ministra ainda não sabia dizer com toda a certeza se um aluno que tivesse 5 de média e 1 no exame ficava ou não ficava retido. Mas isso são pormenores sem interesse. O que interessa é que os putos vão gramar com os exames nacionais e os profes que pensavam que podiam ir de férias mais cedo já se lixaram, pimba!

Eu pela minha parte confesso que sinto uma grande empatia por esta ministra porque, tal como ela, sou uma trapalhona do caraças. Ainda não consegui foi chegar ao governo mas pelo que tenho visto ultimamente, não há que perder a esperança.
E para provar esta minha empatia, vou dar-lhe uma mãozinha, aqui vai o cálculo dos resultados dos putos consoante as notas do 3.º período e do exame. Como é suposto o regulamento ficar pronto hoje não sei se ainda irá a tempo, mas é com boa vontade.


10/27/2004

O QUE HÁ DE COMUM...

...entre o D. Sebastião, o Luís de Camões, o D. Afonso Henriques, a Florbela Espanca, a Amália Rodrigues, o António Variações, o Oliveira Salazar, o Almada Negreiros, o Viriato e o D. Manuel II?

É que todos eles morreram sem ter oportunidade de assistir a este espectáculo único que é o Marcelo Rebelo de Sousa a dar com a língua nos dentes e os outros gajos todos, como se usa dizer no Norte, mais encaralhados do que sei lá o quê.

Vejam só a sorte que nós temos.

10/25/2004

TIAS

Hoje tive a oportunidade de conhecer uma TIA, daquelas, estão a ver, tipo executivo Santana Lopes mas ainda pior, com madeixazinha loira e corte escadeado, que tira os erres de certas palavras, tipo "t'fone" ou "espementa aí dout'a maneira!", e lembrei-me duma colega que tive há anos e foi talvez a primeira afectada de verdade com quem travei conhecimento (nesse tempo ainda não se estava nesta onda de quanto mais parva melhor).
Essa minha colega era casada com um juíz e quando falava do marido dizia "O Sr. Doutor Juíz isto, o Sr Doutor Juíz aquilo". Lembro-me que aquilo era uma barrigada de riso quando nos juntávamos todos para uma sessão de corte e costura e começávamos a imaginar como seriam as relações íntimas entre os dois. Toda a gente chorava a rir só de imaginar a Tia Odete toda maluca a dizer:
- Oh Sr Doutor Juíz! Aí não que me aleija!

10/22/2004

PRODUTO INÚTIL?

Hoje de manhã vi anunciar na televisão um produto em forma de arco e flecha que promete eliminar de uma vez por todas a cintura. Vendem-no por 69,90€.
Não percebi muito bem a utilidade da coisa, mas pensei que era por ainda estar ensonada. Então tentei fazer uma espécie de projecção da minha imagem... sem cintura.



Decididamente, acho que não compro.

10/20/2004

PARA MOSTRAR QUE NÃO ANDO AQUI SÓ PARA DIZER MAL...

...resolvi dar uma mãozinha ao nosso governo. É uma ideia que vai permitir resolver dois problemas ao mesmo tempo, ou seja, matar dois coelhos de uma cajadada só.

Problema 1: Os arrumadores de carros que já pululam por todo o país e se transformaram, a par com ministros e outras espécies, numa chaga social,
Problema 2: As SCUTS. Só no caso do IP5 disse alguém que há cerca de 90 nós para fechar entre Aveiro e Vilar Formoso, o que se vai traduzir numa pipa de massa em casinhas de portagens, maquinaria e obras de adaptação, a sair claro dos nossos impostos mais umas taxazinhas a criar.

Ora então faz-se assim:
Põe-se um arrumador em cada entrada, paga-se-lhe o ordenado mínimo (trata-se de profissão não qualificada), e depois só há que contar com a despesa de um banquinho para cada um, que pode ser daqueles de madeira tipo mocho com um buraco no meio para meter o dedo, e uma carteirinha de rifas para vender aos automobilistas que vão entrando.
As rifas pode ser como naqueles sorteios dos ranchos e das associações desportivas. Para evitar chatices legais põe-se o valor da portagem, por exemplo, em pneuzinhos ou faróizinhos, toda a gente percebe que são euros.

Sou ou não sou brilhante?
Não tarda estou a ser convidada para assessora do primeiro!


Fotografia pedida emprestada aqui.

ELE É CADA CAVADELA CADA MINHOCA

Agora foi um que veio a público dizer que o governo devia ter poder para controlar o que pode e não pode passar na RTP. Pelos vistos ninguém explicou ao rapaz que isso agora pode-se pensar mas para aí desde o tempo em o que o outro senhor velhinho caiu da cadeira, não se pode dizer. Só que às tantas ele também não perguntou a ninguém, depois pimbas, armou barraca. Oh MS, para a próxima telefona aqui à Didas! Não levo muito caro pelos conselhos e pelo menos estas coisas básicas eu percebo!

Se continuarem assim a mandar o que lhes apetece pela boca fora eu arranjo maneira de ganhar uns guitos com isso de outra maneira. Abro uma bolsa de apostas para o pessoal dar palpites sobre quem será o próximo membro do governo a espalhar-se e quando. Só há o problema do desfazamento no tempo, pois os espalhanços são tantos e tão frequentes que no momento em que estou a escrever isto pode já ter havido outro.

Depois eu vejo como é que resolvo este pormenor.

10/19/2004

O PERIGO É A NOSSA PROFISSÃO

Hoje aproveito para prestar a minha sentida homenagem a esses incansáveis lutadores pelo bem da pátria: Os GNR.
No passado Sábado, em plena Serra do Marão, num perigosíssimo local onde passam pelo menos dois ou três carros por dia, às vezes a mais de 50 km/hora, fui interceptada por uma fabulosa brigada que mais fazia lembrar aquele filme de acção, Os Feios, Porcos e Maus, perdão, Os Soldados da Fortuna. Estes destemidos servidores da nação estavam a multar todos os inconscientes condutores que, como eu confesso, em vez de parar no sinal de stop estavam apenas a abrandar quase até ao ponto de paragem, armados em verdadeiros tunnings, sujeitos assim a provocar uma catástrofe que até me arrepia pensar no resultado que poderia ter.
Bem hajam assim estes verdadeiros baluartes da salvaguarda da nossa segurança.
Só um pequeno senão. Nenhum deles estava identificado como é suposto, motivo pelo qual estou a pensar seriamente não pagar a multa. Quando lhes perguntei porque motivo não cumpriam essa obrigação básica de qualquer funcionário do estado a resposta foi esclarecedora:
-É que a gente não podemos pendurar coijas no empermeábel tá a ber?
Eu, admito que me passou pela cabeça responder qualquer coisa como:
-Então pendura na testa que deves ter cornadura suficientemente sólida para isso meu cabrão!

Mas isso agora não interessa nada...


10/18/2004

ORAÇÃO DE AGRADECIMENTO AO ESPÍRITO SANTO

Não ao do banco, ao outro.

Divino Espiríto Santo, entre tantas graças que me concedeste, quero agradecer-te não me teres feito nascer na Madeira nem ser jornalista nesse local.
Obrigada

Publicar esta oração depois da graça concedida e no dia seguinte acender uma vela do tamanho de uma bazuca, bem untada de piri-piri, e se tiverem oportunidade, enfiá-la no rabo deste gajo.

10/15/2004

E PORQUE JÁ CHEGA DE FRIVOLIDADES

Vamos voltar ao tom sério que já nos caracteriza aqui no farinha.

Terminaram em clima de grande euforia, como já tive oportunidade de referir, no pretérito dia 13, os festejos no santuário de Fátima, evento que não queríamos de forma nenhuma deixar passar em branco tal é a nossa predilecção por este tipo de actividades.

O destaque vai para o campeonato de "Beber Cerveja de Penalty", que teve como objectivo angariar fundos para a causa da beatificação dos pastorinhos. Segundo o reitor do santuário, entrevistado pela equipa do farinha, "este acto teve uma carga simbólica já que pretende traduzir a ideia de que, quem pensa que os pastorinhos podem curar diabetes pela televisão, só pode mesmo ter bebido".
Aqui vai uma imagem da equipa "Irmãs da Sagres", vencedoras absolutas do certame, no momento em que celebravam o resultado obtido.


A equipa do farinha apurou no entanto que os campeões do mundo da modalidade "Os Chop Soy Sem Felango" foram impedidos de participar por serem budistas, o que confirma rumores de segregação racial e religiosa no santuário. Esta equipa mostrou-se bastante desagradada, tendo organizado em protesto um campeonato paralelo do qual mostramos uma imagem.

10/14/2004

HOJE APETECE-ME CUSQUICE

Conheço uma pessoa que era casada e já não é porque se divorciou. Grande coisa! Disso há para aí aos pontapés certo?
Certo.
Só que esta em particular ouvi-a eu, com estes ouvidinhos, confessar a uma amiga no café, na mesa mesmo ao lado da minha, que eles não se entendiam porque ele tinha o péssimo hábito de querer que ela, nos momentos de intimidade (chamemos-lhe assim) lhe batesse.
Uau! - pensei eu logo - Grande capítulo na minha enciclopédia da cusquice! - e lá fiquei com ar de quem não estava a dar por nada, com a minha chávenazita na mão, mas com as antenas todas viradas para aquela mesa, claro, não podia perder nenhum pormenor. O que também não foi difícil porque a cachopa, visivelmente emocionada com a memória daquela relação difícil, falava cada vez mais alto sem se aperceber disso.

Agora a segunda parte, que é a melhor de todas. O ex-marido dessa mocinha é polícia, ou seja, anda por aí fardado, todo inchado, a passar-nos multas e a mandar-nos soprar no balão. Até ver, eu pertenço ao grupo restrito de pessoas que sabe que se for abordada por este senhor por ter estacionado mal ou por ter passado um vermelho, a resposta certa a dar-lhe é:
-Oh meu anormal, vê lá mas é se queres que eu te dê umas palmadas valentes!

Claro que se algum leitor (refiro-me concretamente aos cagaréus claro) quiser ficar também na posse desta valiosa informação, é favor deixar a sua proposta na caixa de comentários e eu logo vejo se fazemos negócio.

10/13/2004

LIÇÃO DE PORTUGUÊS: O USO DA PALAVRA "SEM"

NÃO TENHO FRIO!

Inspirada nas declarações da D. Joaquina, difundidas hoje de manhã pela RTP1, o Farinha Amparo resolveu juntar-se às comemorações do santuário de Fátima. Embora não saibamos bem o que se comemora (essa parte não captámos), sabemos que se comemora qualquer coisa.
O que também sabemos é que, apesar do briol da noite de ontem a D. Joaquina, envolta em fé e num kispo comprado aos ciganos declarou convicta:
- Não tenho frio! Ao pé da senhora nunca temos frio!
É como nós aqui. Por isso aqui vai um retrato do staff desta padaria, excluindo a dona que não é fotogénica. A menina que atende, a que está na caixa registadora, a que faz as limpezas e a que faz as entregas, mostrando que, também nós, não temos frio!

10/12/2004

ENTERRANÇO

Eu não tive oportunidade de ver. Foi pena. Porque hoje estou farta de ouvir dizer que, finalmente, o homem enterrou-se todo até à cabeça.

10/08/2004

O ÚLTIMO TANGO EM PARIS E OUTROS


Houve uma fase na minha vida em que tinha por hábito ler livros inteiros duma assentada durante a noite. A noite altera a nossa percepção das coisas e talvez por isso este hábito foi-se transformando num vício. Eu devia ter uns 12 a 14 anos e os livros que lia não eram, decididamente, destinados a essa idade, o que só servia para acentuar o interesse daquela actividade nocturna.

Lembro-me de ter lido nessa altura O Último Tango em Paris. Completamente incrédula, lia as passagens "proibidas" de um fôlego, quase sem respirar e com a cara muito quente. Quando acabava cada uma delas voltava atrás e lia de novo, a tentar acreditar que alguém escrevera aquilo e mais ainda, a tentar acreditar que era possível alguém pensar aquilo. No dia seguinte tive Francês às oito e meia mas como ainda estava entorpecida pela visão da cena da manteiga passei a aula toda sem conseguir pensar noutra coisa. A professora nada sabia e achou que me tinha acontecido algo estranho. Na verdade eu só estava a olhar para ela (era a primeira adulta que via após a experiência) e a tentar adivinhar: "Será que esta também faz aquelas coisas nojentas?"

Quando li os dois extensíssimos volumes de Zora a Ruiva, sobre um grupo de adolescentes órfãos que roubava pão e galinhas para sobreviver chorei tanto, mas tanto, que na manhã seguinte havia um mar de lenços brancos de papel à volta da minha cama e os meus olhos estavam inchados. Ainda tentei lavá-los com água muito fria mas tive que ir para a escola mesmo assim.

A experiência que recordo com o maior sorriso, no entanto, foi a de ter lido O Exorcista. Com o evoluir da história fui entrando naquele mundo terrível e quando já não conseguia sair, no silêncio da noite, qualquer pequeno ruído mesmo imperceptível era uma ameaça. Estive literalmente petrificada de medo até amanhecer, altura em que finalmente consegui levantar-me e ir à casa de banho.