3/16/2006

AUTOMÓVEIS, PILAS E COMPETÊNCIAS VÁRIAS


Hoje de manhã, quando me dirigia para o emprego mais o meu belo carrinho, deparei com uma fila de carros numa rua habitualmente sossegada. Nada de dramático, no entanto.
Quando finalmente a via ficou desimpedida e pudemos avançar, constatei que o causador do embaraço tinha sido um condutor, do sexo masculino e dos seus trinta e picos, que afanosamente tentava estacionar num lugar que dava quase para dois carros do tamanho do que ele conduzia, batendo invariavelmente no passeio e repetindo a manobra muito devagarinho para a seguir voltar a bater.
“Muito bem, muito bem!” – pensou aqui a vossa padeira – “Se fosse eu ou a Rosarinho a fazer esta figura não havia de faltar marmanjões a mandar a boca: Tinha que ser! É uma gaja!”
De qualquer modo, esta é uma primeira leitura da situação, apressada e carregada de preconceitos anti-machistas que já nos estão entranhados desde o tempo em que Jesus Cristo fez concurso para pessoal e só escolheu homens de qualificação duvidosa.
Porque eles, coitados, andam desnorteados desde que começaram a ser fintados nos empregos por criaturas com melhores pernas, e só precisam de alguém que lhes faça sentir que, pelo menos, conduzem melhor.
Numa próxima oportunidade falaremos das angústias masculinas causadas pela dimensão e performance do pénis.

3/15/2006

E EU QUERO AQUI DECLARAR QUE ESTA PADARIA NÃO É UM PROJECTO. É UM BLOGUE.


Porque é que as coisas deixaram de ser?
Não sei se repararam, caros clientes, mas parece que hoje em dia (e eu até nem gosto de usar esta expressão, soa a cota fora de prazo, mas não arranjei outra assim de repente) já nada É. Só é quase. É um intento, um plano, uma acção provisória.
Lembro-me de um grupo de pessoas a tocar música, boa ou má, ser um conjunto, um grupo, mais tarde uma banda. Agora é um projecto.
Um livro era um livro, um romance, uma novela, o que fosse. Agora é um projecto.
Uma acção, mesmo que não desse em nada de nada, era pelo menos isso, ou um programa. Agora é um projecto, um projecto anti-pobreza, anti-exclusão, anti-qualquer coisa.
Até uma porcaria dum bar ou dum restaurante ou uma loja de souvenirs é um projecto.
Já ninguém tem o descaramento de dar um nome explícito a nada do que faz. Todos estamos envolvidos em projectos que nunca mais deixam de o ser.
A puta da vida passou a projecto.
Parece que toda a gente passa o dia a esquematizar projectos, depois vai para casa fazer um projecto de jantar e a seguir dá um projecto de queca da qual vão saindo uns projectos de criaturas que um dia farão mais projectos como os pais.

3/14/2006

COISAS QUE ENERVAM COMO O CARAÇAS


Pestanejar acidentalmente ao aplicar o traço de eyeliner e já estar mega atrasada para sair de casa.


Ver a empregada da caixa do supermercado a agitar freneticamente as nossas compras e mesmo assim não conseguir a leitura automática dos códigos de barras.


Ver a empregada da caixa do supermercado a digitar todos os códigos de barras manualmente depois de ter agitado freneticamente os artigos… e ter um carrinho cheio de compras.


Ao acabar de vestir fazer uma auto-estrada na meia. A seguir verificar que não se tem mais nenhum par de meias daquela cor para combinar com aquela roupa e ter que despir e começar tudo outra vez.


Pessoal que tem o tique de fungar.


Deixar cair arroz na pia da cozinha.


Pessoal que vai explicar qualquer coisa super simples e começa com “Isto é assim”, ajeita-se na cadeira e nós já sabemos que vai dizer pelo menos umas 500 coisas totalmente inúteis para a compreensão do assunto base.


Insónias.


Comichões.


Insónias e comichões ao mesmo tempo.


Vir o período a uma sexta-feira ao fim da tarde.


Pessoal que anda a passear o cão e se ri para nós com um ar cúmplice quando o raio do bicho nos vem cheirar as pernas, convencidos que nós achamos tanta piada àquilo como eles.


Pessoal que anda a passear os putos e se ri para nós com um ar cúmplice quando os ditos resolvem infernizar a vida de todos os desconhecidos à sua volta, convencidos que nós achamos tanta piada àquilo como eles.


Toques de telemóvel estúpidos.


Tocar o telemóvel, ficar com as mãos às voltas dentro da carteira à procura até ele parar de tocar e no fim chegar à conclusão que afinal estava no bolso.


Depois disto tudo ver que era uma chamada que estávamos mesmo à espera.


Ficar à porta de casa à procura da chave dentro da carteira, a chover, e depois de uma grande molha concluir que afinal estava no bolso.


Olhar para o calendário e ver que ainda faltam 2568 horas para as férias.


3/13/2006

HISTÓRIA CURTA E VERÍDICA COM UM LIGEIRO SABOR AMARGO



Sentou-se à minha frente. Tinha levado no dia anterior um documento que continha um lapso.
-Deixe ver… Pois… Está mal, vamos emendar.
Um erro numa data, por vezes acontece, nada de grave. Apresenta-se as desculpas da praxe e corrige-se.
Enquanto procedia à substituição ela começou a contar a aventura. O documento era “dele”.
-Quando eu cheguei a casa com isso ele deu logo por ela! É que foi logo! Ficou danado!
E enquanto contava isto ria-se. E continuou:
-Disse-me “Oh sua parva! Não sabes tratar dum assunto em condições?”. Até me bateu e tudo!
E quando disse isto riu-se ainda mais, como se estivesse a relatar uma qualquer peripécia caseira daquelas que nos vão animando os dias.
Parei e olhei-a nos olhos. Continuava com aquele riso estampado na cara.
Juro que poucas vezes na vida senti tanto desprezo por alguém.

Olá amores, espero que tenham tido uma boa semana porque eu nem por isso. Aliás, acho que pior do que gramar isto aqui na padaria só ser teletransportada de surpresa para a ilha Evax onde uma cambada de gajas no período atiram setas a pastilhas elásticas encarnadas gigantes, comandadas por umas tipas mal encaradas chamadas as Irmãs Muito. Isto tem sido um pesadelo recorrente, acho que preciso de voltar a tomar a medicação ou deixar de ver televisão por completo. Mas adiante. Hoje venho trazer-vos algumas notícias da semana, para os mais distraídos que deixaram passar ao lado estas coisas importantes.

Primeiro, o lançamento do CD da Irmã Lúcia que vai ser já no próximo dia 19, com o título No Céu Há Uma Janelinha. Já é costume ver a editoras a facturar com os mortos, ele é os lançamentos sazonais de Beatles, ele é arranjar uns bacanos que queiram cantar umas cenas que o António Variações teve vergonha de mostrar quando era vivo, ele é ressuscitar o Kurt Cobain até ele espernear no caixão (até já deu filme, porra)… Agora a Irmã Lúcia, confesso que não estava inteirada que além de vendedeira da banha da cobra e pantomineira também se dedicava à música, por isso estou mortinha por ouvir estas canções que a própria gravou em 1980 (altura em que pelas nossas contas já tinha qualquer coisa entre 73 e 146 anos de idade pelo que desconfio que não deve ser rap nem trash metal), embora seja capaz de jurar que não vai dar hit para ser tocado na Estação da Luz ou nos bares da Praça, mas a ver vamos.

Segundos, a nova operação da Lili Caneças. Eu sei, eu sei, esta merda não é considerada notícia. Só que o que eu quero aqui enfatizar são as declarações da própria, segundo a qual desta vez “Não doeu quase nada”. Ou seja, para a próxima nem vai precisar de anestesia porque já não vai haver nada para cortar que seja peça de origem. Por outro lado, a falta de dor também se pode dever ao facto de as operações serem feitas do pescoço para cima, ou seja, na cabeça, que no caso vertente não se trata de um órgão vital.

Por último, a gripe das aves. Finalmente podemos estar descansados porque já sabemos que os 100 000 gajos que fazem esta porcaria aguentar-se vão ser vacinados e nada de mal lhes acontecerá. Eu só não sabia que havia tanta gente a trabalhar neste país. O número deve estar inflacionado, é o costume… A mania das grandezas…

É tudo por hoje queridos, fiquem com uma beijoca da sempre vossa
Rosarinho

3/12/2006

FOMOS PROMOVIDOS

Eu e o Japinho fomos promovidos a Delícia da Semana pelo jornal de anúncios Aveiro 34 que publicou integralmente na edição n.º 358 (quer dizer, em copy paste puro) a nossa receita de Bolo de Bolacha Gelado.
Ser considerado um delícia, desde que não por uma tribo canibal, é bom. Da semana, pronto, podia ser melhor, quer dizer que no próximo número somos despromovidos. Mas simpático simpático, tinha sido os senhores do jornal fazerem uma mençãozinha à fonte da receita.
Até lhes caía melhor o bolo.
Digo eu.

3/07/2006

CONHECEM-NA?

A fulana não é muito mais velha do que eu. Por isso, crescemos praticamente juntas. Graças à mania de vedeta que ela tem e sempre teve, no entanto, pode-se dizer que eu a conheço muito melhor a ela do que ela a mim. Mas não faz mal.
Quando nasceu veio tosca apesar de toda agente à volta lhe ter dado grandes mimos e atenção. Só lhe fez mal, passou a infância sendo uma criança chata e enfadonha que ninguém aguentava mas todos tinham que aturar por ser filha única.
Na adolescência e juventude então, nem se fala! Encheu-se de cores e ainda mais peneiras. Era só mania!
Quando chegou àquela idade em que já devia ter a segurança e a serenidade que se impõe, não se aguentou à bronca. Mal apareceram duas tipas mais novas a insinuar-se foi-se abaixo completamente. Tentou embonecar-se, fez escândalo, exigiu privilégios, enfim… fez figuras desnecessárias e acabou por perder a parada.
Agora, com 49 anos quase feitos e perto da menopausa, está a ficar tolinha. Já ninguém liga nenhuma aos velhos encantos que há uns anos a fizeram ser, apesar de tudo e em alguns momentos, uma estrela, e acena com eles sem se aperceber da triste figura que faz.
Conhecem-na ?

FINALMENTE

Descobrimos um carnaval à altura desta padaria.
Para o ano, vamos lá abastecer-nos e fazer formação do pessoal.

3/05/2006

ESTOU MAL DISPOSTA!

Os meus queridos clientes que me desculpem mas está a chegar aquela altura do ano em que fico mal disposta para caraças. Não, não me veio o período, não estou grávida nem ando a fazer dieta. Estou agoniada com aquela fantochada que vai ter lugar esta semana e a que dão o nome de "Dia da Mulher". Por isso ficam já todos avisados, o primeiro que me mandar uma sms ou um mail com aquelas imagens patetas e aquelas frases mais batidas que a pila do puto que mora aqui ao lado arrisca-se a ser mandado à merda.

Não há ninguém neste mundo que me convença que haver um "Dia da Mulher" seja bom para qualquer uma de nós. Senão vejamos. Só há dias especiais para:

1. Coisas em vias de extinção ou que já se extinguiram mesmo:
21 de Março - Árvore
1 de Maio - Trabalho
5 de Junho - Ambiente
5 de Outubro - República

2. Desgraçadinhos:
24 de Janeiro - Aposentado
14 de Fevereiro - Disfunção Eréctil
17 de Novembro - Não Fumador

3. Chatos de merda:
12 de Março - Bibliotecário
28 de Abril - Sogra
1 de Junho - Criança
4 de Agosto - Padre

4. Coisas que nem dá para explicar:
5 de Fevereiro - Datiloscopista (?)
26 de Maio - Revendedor de Lotaria
17 de Junho - Veterinário Militar

5. Coisas que me cheira que só pode ter sido cunha da patroa:
8 de Junho - Padeiro

No meio desta mixórdia toda, aparecemos nós, as mulheres, a 8 de Março. Como se não nos bastasse ter que mudar o penso de xis em xis horas durante 4 ou 5 dias por mês, fingir orgasmos, usar anti-rugas, pintar o cabelo e ter pesadelos constantes com a celulite, ainda nos põem ao mesmo nível da república e dos veterinários militares. Isso é bom para uma ou outra lambisgóia que esteja sempre à espera dum pretexto para sacar uns presentes ao desgraçado que a sustenta sem ter que abrir a pernoca nesse dia. Tirando isso... haja pachorra!

3/03/2006

E PARA QUEM AINDA NÃO ACREDITA NAS MINHAS HISTÓRIAS...


...fiquem sabendo que no bar de funcionários do sítio onde eu trabalho há no preçário uma coisa chamada "Tosta mista só com queijo".

Bom fim de semana!

3/02/2006

3G


À vossa frente está uma senhora. Humilde. Difícil de descrever sem cair em clichés pedantes e politicamente incorrectos mas vamos tentar.
É daquelas senhoras que se senta com a malinha de mão pousada sobre os joelhos, de pose esmagada, nunca viu um anti-rugas ou um corte de cabelo num sítio decente e traz um lenço de mão tamanho xxl no bolso do casaco (pronto já lixei a descrição toda) e que nos pergunta amedrontada:
-Era pra saber sé aqui ca gente deita um pedido pra saber duma terra... é uma terrinha ca gente tem... queríamos partir pra dar aos filhos...

De repente começam a ouvir, em real sound e com q.b. de decibéis: - "A mi me gusta la gasolina, Dame mas gasolina".
A princípio não percebem bem o que se passa, se há alguma romaria ou um concerto ao vivo ali mesmo à porta. Mas logo, a humilde senhora deita a mão à carteira e saca do seu telemóvel topo de gama e atende, pondo fim ao mini-baile: - "Tô! Sim! Tô aqui a tratar do assunto da terra!... Sim! Mai logo! Adeus!"