3/30/2006
PARI... QUÊ???
A Rosarinho, mal disposta com o atraso da menstruação, já anda para aqui a dizer que tanto se lhe dá como deu, porque aquela merda vai continuar o mesmo com as cunhas e o jogo de influências do costume, por isso nem ela nem eu, apesar de sermos muito mulheres sim senhora, vamos finalmente ter direito ao tacho que tanto merecemos.
É tao malcriada a rapariga que chegou mesmo a dizer à frente dos clientes que tanto lhe faz que sejam os broncos habituais a viver à nossa pala como as galdérias das mulheres deles.
Claro que tive logo que a repreender, pois não se falta assim ao respeito a uma instituição tão importante e séria como a assembleia! Era o que faltava!
3/29/2006
3/28/2006
AINDA DIZEM QUE OS PORTUGUESES NÃO SÃO CRIATIVOS

A Rádio Altitude da Guarda apelou aos habitantes da cidade para colocarem fraldas nas viaturas, janelas ou varandas, numa campanha em defesa da maternidade local, anunciou hoje o director da estação, Rui Isidro.
Como aqui o pessoal da padaria não percebeu bem a lógica da iniciativa, ou seja, a possível relação causa-efeito, congratula-se com o facto de nenhum dos seus elementos morar na cidade da Guarda, uma vez que considera bem provável que o bem-intencionado cidadão, insuficientemente esclarecido, possa deduzir que:
a) Por uma questão de poupança, devam ser utilizadas fraldas já usadas;
b) Quem não tenha bebés em casa possa usar, em alternativa, produtos similares como pensos higiénicos, tampões ou calcinha Tena Lady.
A imagem que acompanha o post não tem nada a ver com o assunto e tem apenas como objectivo incentivar o pessoal da Guarda a encher as maternidades, demonstrando dessa forma a sua utilidade. Serve também para animar um bocado o ambiente aqui no estabelecimento pois este tem andado mortito… deve ser por causa do IRS…
3/27/2006
UM NOVO BEST-SELLER

Não sabemos se foi ideia dele e até já fizemos aqui apostas na padaria. A Rosarinho, rapariga sempre cheia de boa vontade, aposta que sim. Eu cá digo que alguém lhe soprou que fazer uma coisa inteligente de vez em quando é capaz de cair bem.
A verdade é que num futuro próximo a consulta do Diário da República online passa a ser gratuita, o que faz todo o sentido tendo em conta aquele princípio do direito que alguém inventou para daí lavar as mãos e que determina que o desconhecimento da lei não justifica o seu incumprimento. Ou seja, até agora era um tal malhar na cambada que fazia as leis, nos obrigava a cumpri-las e logo a seguir nos pedia dinheiro se as queríamos ler. Agora deixa de haver essa grande oportunidade para cascar nos gajos, mas nada de desanimar, eles fazem merda todos os dias, outras chances surgirão num “ai”.
Também já ouvimos dizer à boca pequena que o governo vai contratar umas “piquenas” para andarem assim tipo testemunhas de Jeová de porta em porta a incentivar a leitura do DR – “Desculpe incomodar mas… já ouviu a palavra de deus? Já? Então agora leia esta.”
Outra novidade é que o DR vai passar a sair em edição de papel (paga) mas com capa colorida, fotos da Pimpinha e da Cinha e dessas gajas todas e sempre com brindes (sacos de praia, chinelas, óculos de sol etc) para não perder os assinantes.
Além disto tudo, todas as semanas vai ser contratado um grande vulto da cultura portuguesa para escrever uma crónica de interesse geral. Consta que já foram contactadas a dita Pimpinha, Emanuel, Quim Barreiros e outros. A Rosarinho, convém dizer aqui, está amuada por não ter recebido convite.
O DR vai também passar a trazer amostras de perfumes, pensos higiénicos e lencinhos de papel.
Pensou-se em publicar concursos, mas a ideia foi abandonada porque isso já se faz há imenso tempo, com o pequeno “senão” de em todos já se saber de antemão quem vai ser o feliz contemplado, pormenor de somenos importância.
Finalmente, as nossas fontes informaram-nos que Manoel de Oliveira está já a realizar uma longa metragem baseada nas excitantes peripécias publicadas no DR, que terá a duração de cerca de 74 horas e 12 minutos.
3/24/2006
A TÉCNICA DA NHANHA E OUTROS SEGREDOS ANCESTRAIS

Estava eu de manhã numa pastelaria da concorrência a tomar o meu cafezito quando comecei a cuscar a conversa de quatro senhoras na mesa ao lado.
O tema da conversa era culinária e pude observar que uma das intervenientes desvendava às restantes os segredos da confecção de determinada receita. A certa altura ouvi-a dizer:
- Mistura-se os ovos batidos em nhanha. Mas têm que ser batidos em nhanha!
E qual não foi o meu espanto ao constatar que as outras, ao invés de mostrarem surpresa, acenaram afirmativamente com a cabeça como se nada fosse. Mais ainda, como se estivessem a declarar – “Bater ovos em nhanha? Claro que sei bater ovos em nhanha! Até de olhos fechados e a fazer o pino consigo bater ovos em nhanha! Antes de nascer já dominava de cor e salteado as técnicas e as teorias avançadas dos ovos batidos em nhanha!” – e além disso, o ar sério com que falavam naquilo assemelhava-se ao ambiente duma conferência sobre as remissões proustianas às questões da poesia.
É nestas alturas que me sinto excluída do universo feminino!...
3/23/2006
E COMO JÁ NÃO FAÇO ISTO HÁ MUITO TEMPO

Sai um ponto nos cacetes 2006 para o primeiro que adivinhar o título deste quadro e o nome do autor.
3/22/2006
PORQUE ELE HÁ COISAS QUE NIGUÉM ENTENDE

Para mim é um dos mistérios mais giros da Internet.
Quando tentamos entrar num daqueles sites só para maiores de xix idade, regra geral somos confrontados com um aviso sobre normas legais em vigor em diversos países e blá-blá-blá-blá.
A seguir uma pergunta: Are you sure you are over “xix”?
E duas opções para clicar: Yes e No
Aqui pode distinguir-se várias espécies de utilizador:
O de consciência pesada, que mesmo que já tenha ultrapassado os 124 anos de idade sente aquilo como uma transgressão, olha para todos os lados para se certificar que ninguém está a ver e clica no Yes com suores frios na testa, certo de que logo de seguida lhe entrará uma brigada da Judiciária pela porta dentro de rompante.
O exageradamente racional, que depois de clicar no Yes e entrar no site na boa, fica a pensar para que raio é aquele circo todo se não está lá ninguém para te pedir o bilhete de identidade e se irrita levemente com aquilo.
O impaciente, que pensa “F*da-se! Lá vem a p*ta da pergunta!”, carrega no Yes e fica ali a stressar durante os 4 segundos que demora a abrir a página.
O puto, que nem dá pela pergunta porque na verdade nunca pensou nela. Aquilo já vem de fabrico, tal como o teclado e o rato.
O filósofo, que fica ali uns 10 segundos a reflectir sobre as possíveis certezas da vida e depois clica no Yes.
E podia haver ainda outra categoria, mas na verdade ninguém clica no “No”.
3/21/2006
UMA IDEIA BRILHANTE COMO O CARAÇAS
Vai ser uma série de episódios, assim tipo Hill Street Blues mas para melhor.
A acção decorre na esquadra duma qualquer polícia municipal duma cidade imaginária que se vai chamar qualquer coisa de cima ou de baixo (essa parte ainda está em estudo). O papel principal vai ser desempenhado pelo Nicolau Breyner, na pele de um polícia quase na reforma que vai ter de acompanhar um outro polícia novato e bom gestor de carreira, contra a sua vontade. Esta parte é totalmente original pois nunca ninguém se lembrou de fazer isto e nem o Nicolau alguma vez na vida teve oportunidade de desempenhar tal papel. O acompanhante novato é conhecido do presidente da junta e tem uma deficiência na fala porque emigrou muito novo para a Venezuela.
E agora é que vem a grande inovação da série: os dois polícias costumam comer hambúrgueres dentro do carro enquanto dizem um para o outro que não deviam fazer aquilo porque estão de serviço. De repente aparece o suspeito, que tinha ido à modista ou ao WC, e eles têm que largar os hambúrgueres para iniciar uma perseguição.
Mas a grande, grande dose de adrenalina será dada pelo próprio argumento dos vários episódios, recheados de acção, suspense e mistério. Ainda não fizemos o guião para todos mas já temos alguns, cuja sinopse é a seguinte:
EPISÓDIO 1: A polícia municipal consegue deter uma velhinha que vende algodão doce e pipocas na via pública sem a respectiva licença, pondo em risco a vida de tantos cidadãos inocentes.
EPISÓDIO 2: A polícia municipal, após duras e perigosas investigações, põe fim a um gang que estacionava carros durante duas horas seguidas e até mais, tirando apenas tiquet para 25 minutos.
EPISÓDIO 3: A polícia municipal consegue deter a acção nefasta de alguns malfeitores que, tendo licença de porta aberta até às duas de manhã, às duas e cinco ainda estavam a servir cafés e águas das pedras.
E pronto, são só estes os episódios que temos prontos até agora, mas já estamos a trabalhar afincadamente nos restantes. Aceita-se ideias, para mais episódios e para o título da série.
Obrigada.
NOTA DA GERÊNCIA: Qualquer semelhança entre esta corporação imaginária e outra que exista na realidade, terá sido pura coincidência.
3/20/2006
O meu voto de apoio vai para Marques Mendes, que no Congresso do PSD deste fim-de-semana se deixou finalmente de merdas que não interessam a ninguém e resolveu abraçar uma causa que a malta compreende: as directas. Cito os jornalistas, “Marques Mendes é um indefectível defensor e entusiasta das directas” e, acrescento eu, teve a coragem de o assumir no congresso de um dos maiores partidos deste país. É assim mesmo! Qual recuperação da economia, qual oposição construtiva, qual quê, já se sabe que isso é tudo conversa de chacha que só serve para encher entre os intervalos (que é quando eles vão para o bar meter umas mines e falar de gaijas), e que eles próprios se estão a cagar para o que dizem. A malta precisa é de cenas que a animem, que de tretas deprimentes já temos que chegue! Queremos copos, farra, curte! E eu digo mais, estou com o Marques e para a próxima, se ele se mantiver nesta linha de pensamento, voto nele! Directas, desde que não seja aqui na padaria a amassar e a cozer, é comigo! E escusam de vir com conversas maldosas dizer que o bacano ainda é muito “pequenino” para essas coisas! Suas víboras!
A minha preocupação é com a saúde dos portugueses. E não, não é a gripe das aves, que por aqui sempre andaram aves raras a espirrar e a mandar postas de pescada por todo o lado e nunca houve crise. A minha preocupação é mais com o estado de saúde dos intestinos dos portugueses. Vocês já viram, queridos clientes, a quantidade de gente (famosa ou não) que vem todos os dias para a televisão no intervalo das novelas confessar publicamente que sofre de prisão de ventre e que se não fossem aquelas mistelas à base de casei não sei quantas e bífidus coiso e tal, se viam à rasquinha todos os dias? Desde a Fátima Lopes até àquela doutora nutricionista estrábica (aquela cara de parva, meus caros, só pode ser fruto de muita dor de barriga, coitadinha!) não há ninguém que consiga ir à casinha e despachar-se sem crise, o que no fim de contas também acaba por ser nefasto para a economia nacional, porque no tempo que esse pessoal passa na retrete a fazer força podia muito bem estar a cavar batatas, a lavar escadas ou a amassar cacetes! Isto já para não falar num outro prisma para a mesma questão: Aqueles infelizes devem, de facto, sofrer horrores todos os dias, pois eu não consigo imaginar outro motivo para uma pessoa passar pela humilhação de vir a público todos os dias gritar aos quatro ventos que se vê à rasquinha para cagar. Por outro lado, meus amores, quando aqueles produtos começarem a fazer efeito, qual será o resultado? Haverá um desastre ambiental em grande escala neste país? Deixo aqui esta questão para que reflictam.
E fiquem, como sempre, com uma beijoca da vossa
Rosarinho
3/17/2006
3/16/2006
AUTOMÓVEIS, PILAS E COMPETÊNCIAS VÁRIAS

Hoje de manhã, quando me dirigia para o emprego mais o meu belo carrinho, deparei com uma fila de carros numa rua habitualmente sossegada. Nada de dramático, no entanto.
Quando finalmente a via ficou desimpedida e pudemos avançar, constatei que o causador do embaraço tinha sido um condutor, do sexo masculino e dos seus trinta e picos, que afanosamente tentava estacionar num lugar que dava quase para dois carros do tamanho do que ele conduzia, batendo invariavelmente no passeio e repetindo a manobra muito devagarinho para a seguir voltar a bater.
“Muito bem, muito bem!” – pensou aqui a vossa padeira – “Se fosse eu ou a Rosarinho a fazer esta figura não havia de faltar marmanjões a mandar a boca: Tinha que ser! É uma gaja!”
De qualquer modo, esta é uma primeira leitura da situação, apressada e carregada de preconceitos anti-machistas que já nos estão entranhados desde o tempo em que Jesus Cristo fez concurso para pessoal e só escolheu homens de qualificação duvidosa.
Porque eles, coitados, andam desnorteados desde que começaram a ser fintados nos empregos por criaturas com melhores pernas, e só precisam de alguém que lhes faça sentir que, pelo menos, conduzem melhor.
Numa próxima oportunidade falaremos das angústias masculinas causadas pela dimensão e performance do pénis.
3/15/2006
E EU QUERO AQUI DECLARAR QUE ESTA PADARIA NÃO É UM PROJECTO. É UM BLOGUE.
Porque é que as coisas deixaram de ser?
Não sei se repararam, caros clientes, mas parece que hoje em dia (e eu até nem gosto de usar esta expressão, soa a cota fora de prazo, mas não arranjei outra assim de repente) já nada É. Só é quase. É um intento, um plano, uma acção provisória.
Lembro-me de um grupo de pessoas a tocar música, boa ou má, ser um conjunto, um grupo, mais tarde uma banda. Agora é um projecto.
Um livro era um livro, um romance, uma novela, o que fosse. Agora é um projecto.
Uma acção, mesmo que não desse em nada de nada, era pelo menos isso, ou um programa. Agora é um projecto, um projecto anti-pobreza, anti-exclusão, anti-qualquer coisa.
Até uma porcaria dum bar ou dum restaurante ou uma loja de souvenirs é um projecto.
Já ninguém tem o descaramento de dar um nome explícito a nada do que faz. Todos estamos envolvidos em projectos que nunca mais deixam de o ser.
A puta da vida passou a projecto.
Parece que toda a gente passa o dia a esquematizar projectos, depois vai para casa fazer um projecto de jantar e a seguir dá um projecto de queca da qual vão saindo uns projectos de criaturas que um dia farão mais projectos como os pais.
3/14/2006
COISAS QUE ENERVAM COMO O CARAÇAS
Pestanejar acidentalmente ao aplicar o traço de eyeliner e já estar mega atrasada para sair de casa.
Ver a empregada da caixa do supermercado a agitar freneticamente as nossas compras e mesmo assim não conseguir a leitura automática dos códigos de barras.
Ver a empregada da caixa do supermercado a digitar todos os códigos de barras manualmente depois de ter agitado freneticamente os artigos… e ter um carrinho cheio de compras.
Ao acabar de vestir fazer uma auto-estrada na meia. A seguir verificar que não se tem mais nenhum par de meias daquela cor para combinar com aquela roupa e ter que despir e começar tudo outra vez.
Pessoal que tem o tique de fungar.
Deixar cair arroz na pia da cozinha.
Pessoal que vai explicar qualquer coisa super simples e começa com “Isto é assim”, ajeita-se na cadeira e nós já sabemos que vai dizer pelo menos umas 500 coisas totalmente inúteis para a compreensão do assunto base.
Insónias.
Comichões.
Insónias e comichões ao mesmo tempo.
Vir o período a uma sexta-feira ao fim da tarde.
Pessoal que anda a passear o cão e se ri para nós com um ar cúmplice quando o raio do bicho nos vem cheirar as pernas, convencidos que nós achamos tanta piada àquilo como eles.
Pessoal que anda a passear os putos e se ri para nós com um ar cúmplice quando os ditos resolvem infernizar a vida de todos os desconhecidos à sua volta, convencidos que nós achamos tanta piada àquilo como eles.
Toques de telemóvel estúpidos.
Tocar o telemóvel, ficar com as mãos às voltas dentro da carteira à procura até ele parar de tocar e no fim chegar à conclusão que afinal estava no bolso.
Depois disto tudo ver que era uma chamada que estávamos mesmo à espera.
Ficar à porta de casa à procura da chave dentro da carteira, a chover, e depois de uma grande molha concluir que afinal estava no bolso.
Olhar para o calendário e ver que ainda faltam 2568 horas para as férias.
…

