2/21/2008

TRÊS RAPIDINHAS E UMA ADIVINHA


RAPIDINHA UM:
Eu: Mas isto foi exactamente o que o senhor pediu.
Ele: Não foi não!
Eu: Está aqui escrito por si. Vê?
Ele: Eu vou-lhe explicar, a sua colega disse-me: - “Ah! Não sei quê, não sei quê, não sei quê!” – e vai eu p'ra ela: - “Porque não sei quê, não sei quê, não sei quê! E pronto, foi assim."

RAPIDINHA DOIS:
Ele, com ar ameaçador: Quando cá voltar, trago a televisão comigo!
Eu: Para quê? Vai-lhe dar cabo da coluna!
(E depois apenas mentalmente): Vai-te mas é f****!

RAPIDINHA TRÊS:
Eu: O senhor vai-me preencher este impresso está bem?
Ele (emigrante nos EUA): Ih! É em português! Que chatice! Se fosse em inglês, era já em três tempos! Agora em português...
Eu vi logo que não valia a pena bater no ceguinho, pedi-lhe os documentos e comecei a preencher. Ele, de vez em quando, tirava o telemóvel do bolso, fingia que estava a atender uma chamada e dizia: - "Hello! Hello!" - depois virava-se para mim e justificava-se - "Foi abaixo!..."

ADIVINHA:
Esta agora é absolutamente verdadeira, foi escrita num requerimento e vale um brioche e um diploma da padaria para o primeiro que adivinhar o que significa:
"DERROVE DÓCALIPETOS"
O Japinho não pode concorrer, porque já come os brioches que lhe apetece cá na padaria e porque eu já lhe disse a resposta.

2/20/2008

ESTA PADARIA ESTÁ, OFICIALMENTE, REABERTA

Pois é. Depois de alguns stresses com a internet sem diagnóstico à vista, parece-me que finalmente conseguimos resolver o problema. Pelo menos enquanto a cabovisão não nos voltar a lixar, os fornos estão de volta a produzir. Foi difícil. Mas não baixamos os braços à luta! Posso afirmar-vos que, nos últimos tempos, chegámos ao ponto de ver televisão, ir para a cama cedo e sair de casa para dar umas voltas, com todas as consequências nefastas que isso pode acarretar para a nossa saúde mental e física. Mas vencemos! A todos os clientes, apresentamos as nossas desculpas pelos dias a fio a pão-de-forma ensacado.

2/13/2008

POR MOTIVOS ALHEIOS À NOSSA VONTADE, CONTINUAMOS INDISPOSTAS


A produção será retomada logo que possível.
Pelo facto apresentamos aos nossos clientes, amigos e menos amigos, as nossas desculpas.

2/09/2008

DE COMO A VIDA É CHEIA DE SURPRESAS E AINDA BEM SENÃO ERA UMA CHATICE DO CARAÇAS

Até há uns dias eu era capaz de jurar a pés juntos que ninguém que eu conhecesse seria capaz de ver o "Dança Comigo" e muito menos votar naquilo. Há coisas que é assim, a gente sabe que existem mas pensa sempre que estão longe, como os atentados terroristas ou as casas decoradas nos Móveisdetodomundo.
Então, qual não foi a minha surpresa (gosto desta expressão, "qual não foi a minha surpresa", faz lembrar os meus livros de leitura da primária), quando ouvi uma pessoa com quem estou quase todos os dias, praticamente toda molhadinha, a dizer o quanto tinha adorado ver não sei quem dançar uma não sei o quê no dança comigo. Depois, com a continuação da conversa, descobri que sabia de cor os nomes de todos os participantes até ali e tinha uma opinião formada sobre a performance de cada um!

Caramba, estive quase quase para lhe pedir um autógrafo. Não pedi porque tive vergonha, palavra de honra!

2/07/2008

MOMENTOS

E então a mulher gorda, com nódoas na camisola XXL sob a qual pendia uma barriga branca com um umbigo cratera sobre umas calças de fato de treino, levantou-se e vociferou, depois de tirar um macaco do nariz e enquanto mastigava o resto do "bollicao" do puto com a boca toda aberta:


- Este país é o terceiro mundo! É o que é!


As pessoas em volta olharam, e pensaram em uníssono:


-Xi! É mesmo!...

2/05/2008

A MINHA PRIMEIRA EXPERIÊNCIA NA OUTRA METADE DE PORTUGAL


Eu tinha uns dez anos quando fomos convidados para um casamento na aldeia do meu avô paterno. Já não me lembro do nome nem ao certo onde fica, mas sei que era algures no Ribatejo. Uma aldeia muito pequena e muito pobre. Pobre mesmo, como eu, na minha curta experiência, nunca tinha visto. Tão pobre que só havia um vestido de noiva, que rodava por todas. A rebentar pelas costuras numas, a sobrar pano noutras. A cerimónia foi dum atavismo surreal, numa capela minúscula, e depois serviram-nos um almoço debaixo dum telheiro com mesas e bancos corridos, que eu achei "uma porcaria", mas comi e não disse nada porque já sabia que era má-educação dar a entender.

Eu já era "uma mulherzinha". Pelo menos era o que todos diziam. Por isso compreendi depressa qual o comportamento que de mim se esperava. Compreendi também que a generosidade daquelas pessoas pobres tinha que ser respeitada, e foi o que fiz.


Só uma dúvida intrigante ficou a martelar na minha cabeça: Porque diabo aquela gente pronunciava todas as palavras que tinham "v", mesmo com "v" e não com "b"? Porque eram tão presunçosos se, afinal, viviam vidas tão básicas?


Isto porque, para mim, vinda do norte, o "v" era uma letra que só se "carregava" em discursos oficiais ou em ocasiões especiais, como no exame da quarta. De resto, falava-se com "b", sob pena de se parecer um peneirento insuportável.


Depois explicaram-me que no sul era mesmo assim, que toda a gente dizia o "v" nas palavras que levavam o "v" escrito, e que isso para eles não era uma mania. E eu, de olhos muito abertos: - "A sério???!!!"

2/03/2008


Olá queridos clientes! Ora então cá estou eu para vos explicar com todos os pormenores as recentes alterações no governo, incluindo manobras de bastidores totalmente inventadas por mim e outros segredos ainda não revelados porque também não são verdade.
Para começar, vamos desfazer o primeiro equívoco: a palavra remodelação. Nos telejornais, assim que se soube que dois ministros tinham sido enxotados, desataram a dizer que tinha havido uma “remodelação de ministros”. Isso era se tivessem feito, por exemplo, uma lipo-aspiração abdominal ao ministro da saúde. Que eu saiba não fizeram nem ele pediu, até porque não confia nos médicos e faz muito bem. O que houve foi uma remodelação no governo, isso sim. Até eu que só fiz o nono ano sei isto!
Agora que já fizemos os preliminares, continuamos então para o que interessa.

Em primeiros, os verdadeiros motivos da substituição na saúde:
O ministro da saúde aguentou-se a tudo quanto era romarias e histerismos do pessoal da feijoada, a ataques políticos, ao prós e contras com os saloios de Anadia aos berros no segundo-balcão… Por isso, perguntam vocês, porque é que de repente, do nada, o mandaram embora? Ora, está-se mesmo a ver que foi por causa daquela gravação da gaja do INEM a discutir pontos de crochet durante meia hora ao telefone com o bombeiro atrasado, enquanto um cota, na aldeia de Não Sei Quantos, batia a bota. Ou seja, o ministro da saúde foi com os pitos por haver, em Favaios, um anormal que até para f… os tomates lhe estorvam. E o povo, que tem que se fazer à vida todos os dias sem medos senão bem se lixa, fica muito impressionado com coisas desse tipo de coisas. Moral da história: Há que escolher muito bem o staff, porque até a gaja da limpeza nos pode fazer “dançar”. Só que isto, num ministério com centenas de ramificações e dependências por tudo quanto é sítio, é difícil. Azar!
Agora o que vocês também não sabem: os verdadeiros motivos da escolha da Drª Ana Jorge para avançada no terreno. Pois está claro que esta malta não brinca em serviço, aquilo é pensado até ao pormenor. Já viram bem a senhora? Com aquele penteado em forma de capacetezinho mal amanhado num cabeleireiro de subúrbio, aqueles óculos de massa enormes numa cara pequenina e aquela vozinha de quem nem se aguenta a dar um traque, o que é que ela vos faz lembrar? Vá, façam um esforço! Não chegam lá? Então? Imaginem-na de bata branca num centro de saúde, a chamar a D. Cesaltina no intercomunicador como quem vai desfalecer logo a seguir com o esforço, a receitar ultra-levures para a tripa dos velhinhos e eles a comentar uns com os outros – “A Drª Ana é que é uma santa, valha-a Deus!” – Então, não é tal e qual? Era mesmo isto que fazia falta para acalmar os ânimos! Pimba! Mas não se iludam, que a gaja vai já começar a comer as papas em cima da cabeça do pessoal e vai ser bem-feito! Para já, já escolheu para secretário duma cena qualquer o tipo que foi o autor da lei da procriação medicamente assistida. Fónix! Se isto não é prepotência, o que é?

Já no Ministério da Cultura, as coisas não são tão óbvias, e até eu que sou uma rapariga esperta, tive que andar dias e dias a dar cabo da moleirinha até conseguir chegar a uma conclusão. Mas pelos clientes faço tudo, carago! Cá vai:
Ninguém esperava que num ministério sossegado como o da cultura acontecesse qualquer coisa, aliás, não costuma acontecer mesmo nada. Aquilo no princípio vai-se à cartilha, que já vigora quase desde o tempo do João de Deus e vai-se picando: “Subsídio para mais 500000 km de fita do Manoel de Oliveira” – feito. “Aparecer numa abertura duma exposição qualquer” – feito. “Ir ao cabeleireiro” – feito. Só que vendo bem, a Drª Isabel quis ser espirituosa e deu umas voltas à cartilha. Em vez de ficar sossegada no seu canto, não é que a mulher começou a inventar? Ok, o subsídio para o Manoel de Oliveira saiu, para aquele filme com um travesti a fazer de moradora de Cuba há muito tempo, mas isso, também, se não saísse, era considerado heresia e dava direito a fogueira no Terreiro do Paço. Agora cá só entre mim e vocês, acham mesmo que os tachistas que ela andou a pôr no lugar, tipo directora do MNAA, director do Teatro Nacional e chulos do bailado, não moviam todas as influências e mais algumas para lhe fazerem a folha? Não se iludam, isto é uma aldeia, seja em Lisboa ou em Gulpilhares de Baixo!
Mas do que eu gostei mesmo foi de ver o substituto! Upa Upa! Um advogado especializado em direito comercial na cultura! É o ideal para não se meter em alhadas! Está feito! Esse não chateia mais! E então a maneira como foi apresentado pela comunicação social diz tudo: Advogado dos Gato Fedorento! O cromo Berardo, seu amigo (valha-nos nossa senhora!) considera-o “um médico amigo que dá consultas à borla”.

Isto é uma comédia!

2/01/2008

E A PRÓXIMA MANCHETE VAI SER!... SÓCRATES LIMPAVA MAL O RABO QUANDO TINHA DOIS ANOS!!!

O 24Horas dos cagalhões afectados, ou seja, o Público, acabou de descobrir (graças a um profundo trabalho de investigação que consistiu numa entrevista a um gajo que acabou de cumprir pena por corrupção), que José Sócrates é o único engenheiro deste país que assina ou já assinou projectos de "bibendas" indizíveis que vão embelezando as nossas bem cuidadas zonas rurais, na realidade desenhados por habilidosos com a 4ª classe, que riscam aquilo numas folhas de sebenta com lápis Viarco n.º 1 por afiar.

Caramba, o homem deve ter apanhado, no mínimo, uma tendinite a fazer tanta assinatura. Eu cá ia apostar que uns 99% dos engenheiros civis faz isso e a comunicação social faz de conta que não se passa nada nem ninguém se queixa. Mas afinal foi o Sócrates que os assinou a todos. Assim já se explica.


Acho que isto já conta para fazer do actual primeiro-ministro o "Campeão das Manchetes sem Ponta por Onde se lhes Pegue". Se eu fosse a ele, inscrevia-me no guiness a ver se me davam algum.




E para quem achava que eu hoje ia falar no regicídio, é assim: Não me apeteceu.