9/13/2010

Há gente tão estranha!


- Sabe o que é que faz falta a este país? - dizia ele a propósito dos parquímetros - É um novo Salazar para pôr isto tudo na ordem!
Encolhi os ombros. Além de estar a trabalhar e não ter tempo para conversa do tipo "não vamos a lado nenhum", um novo Salazar só serviria, no caso do estacionamento pago, para que gajos como ele não andassem por aí a resmungar contra o poder que o faz pagar trinta cêntimos para deixar o carro em frente à repartição pública onde vai tratar dum assunto. O que por acaso até seria bom, não há pachorra para esta gente.
Mas perante a minha atitude ele mudou. Do ar afável de velhinho simpático passou de repente a um olhar viperino de quem me queria fulminar.
- A senhora!... - dizia ele com um dedo no ar apontado a mim - Sem dizer uma única palavra mostrou tudo o que é!
Isto como se não gramar a personagem "Salazar" nem nada do que a criatura representa fosse um segredo terrível que se tenta esconder.
Há gente tão estranha...

Olá queridos clientes! Hoje estou sem pachorra nenhuma, mas vamos ver na mesma o que aconteceu na semana que acabou:

1. Desapareceu o acórdão do processo Casa Pia e não há quem dê com ele. Nem a empregada da juíza, nem a juíza, nem os gajos da microsoft. Deve ser um daqueles casos em que alguém arrumou a cena muito bem para não se perder e agora não se lembra onde. Ou isso, ou o acórdão não estava escrito antes da sentença ser dada. Mas também, deve ser tão chato fazer aquilo!

2. Foi desvendado o resultado da eleição das sete maravilhas naturais de Portugal. Ao contrário do que todos esperavam desta vez não ganhou o Salazar. Mas também há quem diga que ele não concorreu de propósito para dar hipótese às grutas.

3. Os sindicatos da polícia convocaram a primeira greve de sempre na PSP. Eu, para ser franca, não sei se já foi ou não foi, mas aqui em Aveiro não faz diferença. Não há polícia mesmo...

4. Depois de muita discussão entre o PS e o PSD ficou decidido o que já estava decidido desde o princípio: Vamos pagar portagens nas SCUTS. Mas é assim, eles têm que justificar o ordenado.

E pronto queridos clientes, por hoje é tudo.
Beijinhos da vossa Rosarinho e até para a semana a esta hora!

9/11/2010

E entretanto vêm eles com os aviões e mandam-lhes os prédios abaixo


Nós, os acidentais armados em civilizados, somos uns p... líricos. Há bocado vi na televisão, a propósito da já mal-cheirosa história da construção duma mesquita no ground zero, uma totó a exibir uma t-shirt com os símbolos do judaísmo, do cristianismo e do islamismo. Dizia ela que as religiões podem coabitar em paz. Lindo! Também lindo era vê-la a levar umas quantas chibatadas nas nalgas se se atrevesse a aparecer no Irão com aquela m*rda vestida.

9/10/2010

Está-se sempre a aprender


Se há coisinha que eu adoro é ouvir as explicações dos condutores dos moliceiros turísticos que passam no canal central até ao Cais da Fonte Nova. Um dia destes explicava um, perante o ar ligeiramente desconfiado dos clientes:
- Aquele edifício que ali está (referia-se ao Centro Cultural e de Congressos) já foi uma fábrica de cerâmica. Aquela chaminé grande é que não pertencia aqui, pertencia a outra fábrica que era além mais adiante!
Rais parta estas chaminés irrequietas!

9/08/2010

Iniciados


Hoje numa loja de lingerie no centro comercial entrou um casalinho tenrito. Ela à frente, decidida, e ele atrás a segui-la. Pararam no expositor de cuecas em padrão tigre com fitas de seda nos lados para atar, a um metro de onde eu estava, e ela pegou numas. Exibiu-as no ar. "São estas!" - disse, com ar satisfeito. E ele, entusiasmadíssimo: - "Compra! Compra!". "Deixa ver" - disse ela enquanto examinava a etiqueta - "Seis euros e noventa???!!! Não dou seis euros e noventa por umas cuecas!!!". Ele, visivelmente decepcionado, ainda implorou, - "Vá lá! Compra!". Ela hesitou, revelando alguma surpresa e, cinco segundos depois, já furiosa como ficam as mulheres quando não querem que ninguém saiba que estão furiosas, arrumou a questão. "Esquece! Vamos embora!"
Aquele rapazito ainda tem muito, mas mesmo muito a aprender na vida!

9/07/2010

Só que agora quem não fizer peixeirada nem é gente nem é nada


O que eu sei é que quando andava na escola, que se chamava primária e não do primeiro ciclo apesar de agora o ensino me parecer um bocado mais primário, saía de casa de manhãzinha e fazia mais de um kilómetro a pé e outro tanto de volta. Os transportes escolares eram as solas dos sapatos, para quem tinha sapatos. A cantina escolar era um pão com manteiga que a gente levava de casa e as actividades extra-curriculares era levar com a régua e ficar de castigo virado para a parede durante uma hora. As instalações sanitárias eram um buraco no chão completamente infecto. O magalhães era um caderno de duas linhas com uns gajos da mocidade portuguesa na capa e uma lousa. As novas tecnologias era aprender a escrever com caneta de tinta permanente. As escolas não fechavam porque toda a gente fazia filhos, quer tivesse dinheiro para isso quer não tivesse, por isso todas as escolas estavam lotadas. A professora deixava-nos sair para almoçar se estivesse bem disposta. Nos dias em que não deixava chegávamos a casa e ainda levávamos mais porrada por nos termos atrasado.
Não havia associações de pais. Havia pais. Mas nem lhes passava pela cabeça protestar pelo que quer que fosse. Nem a nós nos passava pela cabeça fazer queixas em casa sob pena de nos correr ainda pior o dia.
Mas todos aprendemos a ler e a escrever.

Quantos anos faltam?

Um movimento de personalidades da arte e da cultura desde logo se ergueu, exigindo a demolição pura e simples da torre, que consideravam um atentado ao bom gosto.


A construção da Ópera de Sidney foi uma desgraça. O desenho era giro e tal mas aquela porcaria era impraticável. Custou muitos milhões acima do previsto, as críticas e as pressões foram arrasadoras e o arquitecto teve que desaparecer de fininho durante anos.
Gaudi foi ridicularizado pelos seus contemporâneos e só se safou graças a Guell, o seu grande mecenas e, provavelmente, o rico com o gosto mais estragado de toda a Catalunha. Aliás, toda a arte-nova, à época, foi considerada pelos bem-pensantes a arte do mau-gosto.
A grande roda London Eye foi um projecto abandonado por ser uma enormidade tão desnecessária naquela zona de Londres, tão perto do parlamento, e só acabou por seu instalada, em 1999, na condição de ser retirada cinco anos depois.
À escala pobrete mas alegrete, o Centro Cultural de Belém foi, durante a sua construção e mesmo nos tempos que se lhe seguiram, o alvo favorito onde toda a elite intelectual da choldra ia descarregar a bílis.
Estes são apenas alguns exemplos. Inúmeras obras megalómanas e nascidas de partos dolorosos como estes tornaram-se ícones da humanidade que ninguém no seu perfeito juízo pensa, hoje, ser possível destruir.
Por isso não atrofiem. É só uma questão de tempo até o TGV ou a nova ponte sobre o Tejo (ou até, quem sabe, aquela maison horrível que estão a construir mesmo ao vosso lado e que vocês odeiam) serem consideradas grandes obras do século XXI. Na boa!

9/06/2010

Descobri! Descobri! Descobri!


Descobri porque é que o rapaz só quer que lhe chamem Hulk! O nome verdadeiro dele é Givanildo! Ninguém merece!

Olá queridos clientes! A semana foi um bocado repetitiva, mas a culpa não foi minha. Por mim, aquela porcaria da Casa Pia já se tinha resolvido há que tempos e já ninguém falava nisso. Mas vamos ver:

1. E pronto. Saiu finalmente o acórdão (que é o que chamam em linguagem fina aos bitates dos juízes) do processo Casa Pia. Podia dizer-se muito sobre o assunto, e na verdade disse, mas a história resume-se a isto: Foram condenados alguns inocentes que nunca viram o cu a um puto na vida a não ser para lhe mudar a fralda, não sabiam de nada, não tinham nada a ver com o assunto e mais, se alguma vez os mandassem ir a Elvas eles só conseguiam lá chegar de GPS e mal! É chato! Agora falta apanhar os verdadeiros culpados, que ao que tudo indica são gajos que já se escapuliram para nunca mais serem vistos.

2. Os condenados, em vez de irem logo dormir às novas instalações e ao contrário daquilo que a gente vê nos filmes, sairam por aí a dar entrevistas e conferências de imprensa. Fontes seguras já garantiram ao staff da padaria que está para sair um filme baseado nos acontecimentos, cujo título vai ser "O Estrilho dos Inocentes".

3. Hugo Marçal, um dos anjinhos, publicou imediatamente um livro em que conta que, para evitar conversas porcas com um juíz sobre aquelas "coisas" que ele nunca fez e até é contra, comeu sabão, como se faz aos putos quando falam mal.

4. O resto da semana resumiu-se a algumas anedotas. Uma delas foi uma saída do Vaticano, que comparou a expulsão de ciganos romenos de França ao holocausto. Como todos sabemos, no holocausto, o pessoal ia todo de livre vontade, sentadinho num avião, e com o equivalente a 300 aéreos no bolso para gastarem no quisessem à chegada, é tal e qual.

5. Assim do nada, também, alguns cromos lembraram-se de cenas que não têm nada a ver mas que conseguiram ser notícia por alma da santa: O lançamento de mais um filme de kung fu igual a outros 375 chamado Karate Kid, a votação nas sete maravilhas de Portugal que vai sair da crise assim que se saiba se a mata do Buçaco é mais gira que a de Sintra ou antes pelo contrário e, last but not least, mais uma vez as reportagens sobre duas ou três famílias de suburbanos num momento de glória a irem ao continente com os rebentos comprar os cadernos e as mochilas e a fazer as contas de somar para a gente saber quanto é que gastaram naquelas porcarias todas. Dá sempre.

E pronto queridos clientes, por hoje é tudo. Fiquem bem e aguentem-se que eu também.
Um beijinho da vossa

Rosarinho

9/03/2010

E quanto ao fim da primeira parte da novela, temos a dizer o seguinte:


1. Como sempre, quem se lixa é o pobrezinho sem nome de família e conhecido por uma alcunha. A única diferença aqui é que essa alcunha não é "O Moinas" ou "O Bolas" ou outra qualquer própria de gajos do povo mas sim "Bibi" como as tias da linha.
2. Se algum dia eu for condenada por qualquer coisa (bater na madeira), não quero ir logo directa às Mónicas com umas algemas e dois matulões de boina um de cada lado. Quero dar uma conferência de imprensa e ir ao telejornal nessa noite.
3. Cá para mim, há aqui mão da Al-Kaida. A gaja vestida de taliban foi absolvida.
4. Os arguidos que foram condenados não deviam estar tão chateados. Vejam o lado positivo: Para aquele tipo de crime, afigura-se-lhes um futuro próximo cheio de exames à próstata de borla, assim que se instalarem na pildra.
5. O Carlos Cruz acredita nas coisas que diz.

Ecoponto?

O que é isso? É um bicho? Come-se? Tem antenas? Pode-se ter um em casa?Aveiro, 1/9/2010 (Debaixo dos Arcos)

9/02/2010

Só a mim é que não me põem no governo


Sócrates diz que aquelas creches todas que anda a inaugurar são "um incentivo à natalidade". É ingénuo e é parvo. Se ele pensa que é com creches que a malta se vai dispor a mudar fraldas cagadas durante dois anos no mínimo e a andar a cheirar a leite bolsado, é melhor esperar sentado. Eu aconselhava-o a investir na falsificação das pílulas e dos preservativos à venda no mercado. De certeza absoluta mais barato e mais eficaz. Não há meio de porem uma pessoa com visão no governo. Assim como eu!

9/01/2010

Hoje é para elogiar


Um carrapato é uma carraça. Uma carraça é um bicho nojento que se aloja na canzoada e, por motivos desconhecidos, atrás das orelhas das meninas da Ribeira do Sado, que quem já viu o videoclip sabe que são umas gajas feias como os trovões e com pêlos nas pernas. Logo, um carrapatoso só pode ser uma pessoa que tem carraças. O que não é bom, não é nada bom.
Por todos os motivos acima expostos, a padaria vem por este meio prestar a sua homenagem a António Carrapatoso, que apesar de o desconhecermos de todo deve ter outro nome, nem que seja Silva, Santos ou mesmo Carvalho, e que mesmo assim optou por exibir o Carrapatoso para onde quer que vá. Até mesmo para dar uma aula numa universidade ainda que seja a de Verão e do PSD.
Aproveitamos para estender esta homenagem, por motivos idênticos, ao Dr. Narana Coissoró, Artur Rego, Luís Pita Ameixa e Rita Rato.