"Vamos sair disto sem estar agarrados àquela gente de Lisboa"
Alberto João Jardim, falando sobre a crise.
A abafar ruidosamente a emoção a tiros de petardo ou de champanhe, ouvimos bater as doze badaladas na secreta esperança de que elas sejam a meta remissa do passado e o ponto de partida dum futuro redentor. Assim persiste sob a máscara soberba do civilizado a humildade do primitivo. A humildade que o mantém vivo nas selvas da ignorância, ao lado do morto que vai sendo nas avenidas da sabedoria.
Miguel Torga


1.Esta semana impressionou-me sobretudo a notícia de que o governo regional dos Açores vai manter os ordenados dos funcionários públicos intactos em 2011. E mais, acho que esta notícia tem sido comentada pelo lado menos interesante que é o da desobediência. Vejam bem, essa parte não interessa nada. Como sempre, estamos a dar importância ao acessório e a esquecer o essencial! Então? O senhor lá dos Açores disse na televisão (ninguém me contou, eu vi!) que a medida não vai custar um cêntimo ao estado. Quer isso dizer que o dinheiro com que vai compensar os funcionários não sai da fatia que a gente manda para lá. Ponto assente. Então, donde vem ele, se nem a actividade dos políticos nem a dos funcionários públicos dá qualquer lucro? Está visto que os políticos das ilhas descobriram, finalmente, o mítico segredo da árvore das patacas! E isto é que é importante! Alguém os devia obrigar a partilhar o segredo connosco para podermos finalmente sair da p*ta da crise, carago!