Hoje estive numa localidade portuguesa com todos os motivos do mundo para estar cheia de turistas num feriado a meio de Agosto, ali para os lados de Coimbra. Não estava. Aliás, na primeira volta que demos só vi velhinhos sentados à sombra... e as respectivas sombras. Depois fomos à procura dum restaurante para almoçar. Encontrámos dois. A diferença entre eles é que um estava aberto e o outro estava fechado. De resto ambos tinham nomes terminados com a palavra "Cabrito". Entrámos no que estava aberto (no outro não dava) e mandaram-nos sentar. A sério, os tipos que por ali se moviam à laia de quem trabalha pareciam genuinamente boas pessoas e até tentavam ser simpáticos, mas além de demorarem o mesmo tempo que levou a erigir o convento de Mafra para porem uma toalhita de papel na mesa mais um cestinho com duas carcaças e umas azeitonas só se passeavam por ali como se estivessem perdidos e à procura dum polícia. O casal ao nosso lado começou a perder a paciência. Ele só tremia com um pé e ela ameaçava partir aquilo tudo nos cinco minutos seguintes. Eu cá só pedia ao meu cara-metade que por favor se aguentasse calado antes que nos cuspissem no famoso cabrito. Qualquer gajo (ou gaja) minimamente inteligente sabe que nos restaurantes só se reclama no fim. É como os prognósticos no futebol.
Até ao fim da aventura ainda decorreram umas quantas peripécias como devolvermos louça que estava suja, haver garrafas de vinho guardadas na casa de banho e perguntarem-nos cinco vezes se queríamos salada. Finalmente, saímos com aquela sensação f*dida de a nossa conta ter sido mais elevada que a do pessoal da terra, depois de o velhinho matreiro que mandava naquilo nos ter informado com orgulho de quem ganhou o campeonato que já tinha máquina para pagar com o multibanco.
Se é assim que tratamos o turismo neste país (a única coisa que nos pode salvar da desgraça tendo em conta a qualidade do nosso petróleo), mais vale mesmo entregarmos a chave disto à Troika e eles que fechem esta m*rda depois de venderem as tralhas para pagar as dívidas.
















