Fui pela primeira vez, primeirinha na vida, ao alemão da Vagueira. Salvo seja. Mas deixem-me explicar melhor. Há um tasco na Vagueira chamado EI, que está sempre atulhado de clientela, que é propriedade dum alemão qualquer e onde os clientes são tratados mais ou menos como os cubaninhos que tentam fazer a travessia para os estados unidos em cima duma câmara de ar. Ou seja, mal como tudo. Além disso, vende cuecas de nylon rendadas à entrada, numa daquelas máquinas onde se mete uma moeda e se dá ao torniquete A parte mais gira é que só na semana passada é que eu descobri a existência deste tasco, sendo oficialmente a última pessoa do distrito de Aveiro a conhecê-lo. Hei-de ver se a façanha me rende ou não uns trocos no guinness, não se pode dizer que seja menos prestigiante do que fabricar um pão com chouriço de 2 km, mas essa parte fica para mais tarde.
Para já, o que vos quero contar é o que se passa lá dentro para além das cuecas. Então é assim: A gente entra e, se forem detectadas mais do que seis pessoas que se conheçam entre si, são logo todas corridas. O que não é muito mau porque no tempo do Salazar bastava serem três. Vá, por agora escapa. A comida consta de salsichas cozidas à mistura com batatas e choucroute, coisa que se eu desse a comer a alguém aqui na padaria iam-me perguntar se eu os estava a achar com cara de pan*leiros. Mas o melhor de tudo é a primeira folha do menu, da qual constam ameaças várias como podem os caríssimos clientes constatar na foto que eu tirei (à socapa, antes que o alemão me levasse para as catacumbas e eu nunca mais fosse vista), o que era chato porque acho que da minha família ninguém ia dar pela falta e a patroa, essa, ia fazer uma festa e abrir um champanhe.
Ora o que me intriga é o seguinte: Como é que o gajo tem clientela? Pelo menos muito mais clientela do que nós aqui, que tratamos bem toda a gente que cá entra e só cuspimos na chávena da meia de leite dos gajos que já estão a dever dinheiro e não há meio de pagar? Quanto a vocês, queridos clientes, não sei, mas para mim está cientificamente provado o motivo de nós sermos pobres e eles ricos. Os c*brões fazem dinheiro de tudo quanto mexa! E do que não mexa também. Não nos adianta nada trabalhar. Eu cá vou mas é ver se me mudam o nome para Ingrid, pinto o cabelo de amarelo mulher-a-dias e faço umas tranças daquelas que nos dão um ar, ora estúpido ora de actriz porno. Está decidido. Agora sim, vou enriquecer. Depois dou notícias!













