2/13/2012

E entretanto continua-se a discutir se haverá um pacote capaz de salvar a Grécia.

Pois eu acho que nós, se um dia dependermos de um pacote para nos salvar vamos safar-nos lindamente. Se há coisa que este país tem são pacotes robustos, pacotes com vida própria, pacotes capazes de parar o tempo por instantes. Tenho dito.

2/12/2012

Porque se isto resulta, está claro que o defeito só pode ser meu

Nos tempos em que via a minha bisavó a falar com a televisão ainda não me interrogava sobre isto porque nesse tempo, do alto dos meus 6 anos de idade, sabia que era impossível alguma vez me acontecer o mesmo. Não o falar com a televisão, claro, pois esse era um objecto que eu dominava completamente. Nem sequer vir a achar estranho que ela ganhasse cores ou um número impressionante de canais para escolher. O que eu só muito mais tarde me comecei a perguntar foi quando é que a vida nos ultrapassa. Qual é o momento em que sentimos que alguma coisa está irremediavelmente fora da nossa compreensão. Aquele primeiro momento em que caminhamos para actos que farão os mais novos olhar para nós como peças de museu que vivem num tempo distante e a preto e branco.
Acho que esse primeiro momento me aconteceu recentemente com o conceito das "presenças pagas". Compreender a lógica que leva alguém que é ignorante, boçal até, que não tem qualquer talento nem sabe que a África não é um país a ser contratado para estar numa discoteca com um copo na mão a fim de atrair clientes está decididamente além da minha capacidade de compreensão. A partir daqui vai ser sempre a descer. Penso eu de que...

2/11/2012

Foi bonita a festa pá

A CGTP realizou hoje com grande sucesso a festa de debut de Arménio Carlos, na qual compareceram cerca de 300.000 figurantes apenas a troco duma viagem de camionete, pelo que o evento ficou muitíssimo em conta. Dizem as estatísticas que, nas próximas eleições, pelo menos 75% desses figurantes irá votar no partido do poder ou noutro equivalente ou, em alternativa, irá à Costa da Caparica comer um arroz de frango, por conta própria e tendo que pagar o bilhete na carreira do seu próprio bolso. Mas sempre foi um passeio bonito à capital.

Quando for grande quero ser bailarina


2/09/2012

Carta aberta (não temos envelopes)

Hoje é só para dar umas palavrinhas ao Dr. Aguiar Branco porque pronto, nós aqui na padaria somos amigas e isso.
Dr.
Queria lembrar-lhe que, para além da malta da tropa, toda a maralha anda para cima de f*dida com a fomeca, a começar aqui pela empregada que já me anda a ameaçar com greves de braços caídos e com caganitas de ratazana na farinha do pão e sei lá mais o quê. Só que a maralha normal como nós não tem como se ir a eles (vocês). Não está organizada, não fez recruta, e só alguns é que têm umas caçadeiras que de resto só servem para caçar uns coelhos mas dos piquenos, vá, daqueles fofinhos que aparecem nos PPS's e que até é uma pena dar-lhes uma chumbada. Já a malta da tropa é outra conversa. Esses gajos têm pistolas a sério como a gente vê nos filmes e, mais grave ainda, tem para lá uns tipos malucos que de vez em quando se passam e lhes dá uns vaipes. Há quem diga que é dos treinos, de andar lá com as fuças na lama mas também há quem ache que é da comida das cantinas nos quartéis, o que para o efeito tanto faz. A verdade é que já não é a primeira vez que um gajo desses tem uma travadinha e consegue levar uns poucos atrás e depois vão por ali adiante sempre a cortar a direito. Não sei se o dr. se lembra mas eu lembro, duma vez em que isso aconteceu e no entanto também era suposto a tropa ser sossegadinha e obediente e andar ali com aquela vocação como se andassem com umas sotainas em camuflado. Foi daquela vez em que até os cravos marcharam e andou o povo por aí todo maluco de dedos no ar e durante uns tempos ninguém os segurou. Está lembrado dr? Por isso, encha-se de cuidados. Nunca é demais.
Com muita amizade
O staff da padaria

2/08/2012

E sem pieguices!

A Duquesa de Alba é o exemplo acabado da velha gaiteira que eu gostava de vir a ser: Em ruínas, a mijar-se toda, já sem conseguir dizer uma palavra atrás da outra mas cheia de maquilhagem, a dançar sevilhanas e a papar putos. Aí Caetana!!!


2/07/2012

Piegas sim, mas piegas com motivo!

Se há coisinha que ninguém pode negar é que o primeiro-ministro tem razão: Os portugueses são piegas. Se estiver um belo dia de sol é certinho que vem por aí chuva. Se já estiver a chover ainda bem porque é bom para as batatas e para os nabos mas já lhe estão a doer os ossos todinhos! Aliás, os ossos dos portugueses detectam a chuva com meses de antecedência. A chuva e a desgraça. Cada português tem uma doença pior que o próximo, a pior espondilose, as artrites mais dolorosas, o reumático mais persistente, as hemorróidas maiores. Todos os médicos de todos os portugueses são testemunhas do seu sofrimento atroz e já todos lhes disseram que nunca tinham visto um quadro clínico como aquele. Um português nunca está feliz, vai andando. Um português nunca vive porque gosta mas porque tem que ser. Já todos os portugueses tiveram desgostos que chegam para uma casa de família, desde perder um guarda-chuva novinho a  terem ido ao restaurante e já não haver dobrada que era mesmo o que lhes estava a apetecer. Já todos os portugueses escreveram um poema com a palavra "dor" e a interjeição "Oh!". Os que não escreveram devem ter ascendência estrangeira. Os portugueses inventaram o fado, que é como quem diz cantar a choramingar e fizeram do acto de sentir a falta de alguém ou de alguma coisa um substantivo. E toda a gente sabe que um substantivo tem vida própria ao contrário das outras palavras que são apenas auxiliares. Os portugueses já nascem com o verdete da humidade das lágrimas entranhado em todas as pregas do corpo e da alma. É verdade, o primeiro-ministro tem razão.
Mas o primeiro-ministro não está contente. É um criativo. E quer criar uma nova espécie de piegas. O piegas que não tem emprego. O piegas que não tem comida para os filhos e tem que ir para a fila das instituições buscar uma lata de salsichas e um pacote de massa. O piegas que tem que escolher entre ir ao médico ou jantar. O piegas que manda o filho para a escola para ele almoçar e não o pode mandar depois para a universidade ainda que lhe paguem os propinas. O piegas que tem que se sujeitar a trabalhar à jorna e a recibos verdes. O piegas que trabalha de borla na esperança que que lhe venham a pagar um dia embora não muito. O piegas que tem que emigrar e ir depenar frangos com gripe A em Londres. O piegas a quem cortam a água e a luz e o gás porque não teve dinheiro para pagar a conta. O piegas que tem que entregar os pais ao hospital porque não ganha para um lar decente. O piegas que usa roupa velha oferecida pela paróquia. O piegas que tem muito mais mês do que dinheiro. O piegas que não pode gozer férias nem na praia mais próxima porque o bilhete do autocarro é caro. É esse o novo piegas português.
Isto faz lembrar aqueles tempos politicamente incorrectos em que eu era criança e quando fazíamos uma birra vinha um adulto com a colher de pau e dizia: "Ai choras sem motivo? Então agora já tens motivo!"

2/06/2012

Homem, essa criatura misteriosa.

Andava eu enganadinha a pensar que os homens só têm dois temas de conversa (gajas e respectivas peças  e carros e respectivas peças) quando hoje descobri que há um terceiro: baterias e respectivas peças.
Hoje no shopping, mesmo na mesa ao meu lado, três belíssimos (porque bem alimentados) exemplares da espécie experimentavam uma espécie de clímax dialogante. Ao princípio só reparei que um deles esbracejava e pensei que era um ataque de vespas. Afinal ele estava a fazer demonstrações dos ritmos que sacava da bateria, usando pés e braços e mãos, tudo acompanhado de onomatopeias e sem esquecer os nomes de todas as traquitanas que compõem o barulhento bicho. Bumba bumba, pum pum pum, tchk tchk... enquanto os outros acompanhavam a explicação verdadeiramente embevecidos.
Ele que aproveite enquanto está rodeado de tipos porque quando sair com a namorada, um dia, sei lá... não lhe aconselho mesmo nada a puxar do assunto. Nem sei porquê...

2/05/2012

Eles sabem o que fazem que eles têm estudos!

Continuando na dura saga de contrariar a má-vontade do povo contra este governo, o staff da padaria chegou a mais uma brilhante conclusão:
O que o governo anda a fazer não é a matar a economia, nem o aparelho produtivo nem nada disso! Não anda a desmotivar os portugueses nem a matá-los aos poucos! O que o governo anda a fazer é altamente científico e tem um nome, chama-se criogenização! Consiste em baixar a temperatura dos corpos gradualmente com a finalidade da sua preservação. Como o executivo já concluiu que não vai conseguir fazer nada mesmo, congela a choldra toda. E pode ser que daqui a muitos anos alguém nos faça voltar à vida só para estudar os espécimes, o que visto desta forma seria bem provável! E a prova de que o governo está a fazer bem é que até o S. Pedro está a contribuir com o fdp do frio que mandou cá para baixo. Até porque, como se sabe, os santos têm sempre razão. Quanto a nós só falhou com esta história de acabar com o feriado do carnaval porque pelo menos as gajas que têm a mania de desfilar por aí de biquini em Fevereiro iam já andando para o laboratório.

2/03/2012

E eles sempre preocupados com a gente!

O primeiro-ministro, Passos Coelho, anunciou hoje que o Governo não dará tolerância de ponto aos funcionários públicos no Carnaval, argumentando que "ninguém perceberia" que tal acontecesse numa altura em que o Executivo se propõe acabar com feriados. É bonito ver como o nosso primeiro se preocupa com a capacidade de entendimento do povo e com as consequências que teria na nossa moleirinha não percebermos qualquer coisa que eles fizessem. Até porque até ver tem sido tudo claríssimo. Ainda bem, graças a Deus!

2/02/2012

Escárnio e mal-dizer... é o que é

A prova acabada de que o povo português é mal intencionado e sobretudo difamador são os recentes boatos sobre a contratação que o ministro Paulo Portas terá feito dum motorista brasileiro, massagista de profissão, de 21 anos de idade e ao que dizem com tudo no sítio, a ganhar à volta de 2000 euros por mês. As más-línguas chegam ao ponto de afirmar que, depois contratado, foi preciso esperar alguns meses até que o tal motorista pudesse iniciar funções porque... ainda andava a tirar a carta.
Ponham-se no lugar do senhor! Se por acaso vocês fossem ministros e contratassem um motorista sem carta de condução deixavam-no conduzir? Não, está claro que não! Está certo que provavelmente contratariam um que já tivesse carta mas é assim, uma pessoa também não se pode lembrar de tuuudo! Especialmente uma pessoa ocupadíssima e com tantas preocupações! Não sabemos exactamente quais, mas dizem que os ministros têm carradas de preocupações. Pronto.

A Princesa e a Ervilha

Era uma vez um tipo, que por acaso até era um príncipe e por isso usava collants por baixo duns calções de folhinhos e uma capa, que andava à procura duma gaja para casar, mas como era muito esquisito só queria uma que tivesse certas qualidades. Ao contrário dos outros homens todos (talvez por ser príncipe), não queria uma que soubesse cozinhar, nem uma que tivesse boas pernas, nem uma que lhe dissesse que sempre que sim. Este gajo queria uma mulher que conseguisse adivinhar que no meio duma porrada de colchões estava uma ervilha, assim do nada e sem ninguém lhe dar nenhuma pista. À volta dele toda a gente parecia perceber a lógica daquilo, ou pelo menos agia como se percebesse. Talvez porque naquele tempo dos collants e das capas fosse perigoso dizer a um príncipe que estava passado dos cornos. Quem estava a ler a história, no entanto, não percebia nada e até lhe apetecia ir à loja trocar o livro por outro que fosse mais giro.

E foi assim que eu percepcionei a história "A Princesa e a Ervilha", talvez o maior flop de Hans Christian Andersen, quando a li aos sete anos de idade.

2/01/2012

E agora para um pequeno momento de ciência

Há frequências imperceptíveis ao ouvido humano: São estes os infra-sons, abaixo dos 20Hz e os ultra-sons, acima dos 20000Hz.
Também há frequências imperceptíveis ao ouvido humano feminino: São estes os barulhos no motor ou na carroçaria dos carros.

Dica da semana!