5/10/2012

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Sou só eu que acho que, na hipótese académica de ser a dona da empresa da Depuralina, a única coisa que tinha dado ao gajo que inventou esta da tolinha que anda sempre agarrada ao aspirador era sopapos na cara? Ou mais alguém concorda comigo?

Hoje venho só lembrar que o BES está a pedir a todos os portugueses que se unam a eles e à selecção, de braçadeira! Eu pessoalmente é já a seguir! Aliás, o meu grande sonho é andar por aí de braçadeira a apoiar um banco completamente à borla, nem consigo antever um futuro próximo mais risonho do que esse.
A seguir a esse grande desígnio só admito juntar um grupo de amigos, seguir os conselhos do filho da D. Dolores (que também apoia o BES mas a receber) e pormo-nos todos em frente a uma câmara a fazer uns "cântiques". Mas essa fica para uma segunda fase quando a padaria começar a ter vodka mais barata para os empregados.
Beijinhos!

5/07/2012

A minha bolsa é uma insensível

Quase todas as bolsas da Europa reagiram à vitória de François Hollande para a presidência da França. Quase, porque a minha continuou a comportar-se como de costume: A encher devagar e a esvaziar depressa.

5/03/2012

Crítica literária na padaria. Querem melhor? Peçam ao Marcelo Rebelo de Sousa.

E pronto, também eu acabei de aderir à moda dos livros de auto-ajuda. A p*ta da crise faz destas coisas...
Como não estava na disposição de gastar dinheiro em nenhum comecei pela da Mónica Sintra que me ofereceram nos anos. Chama-se A um Passo do Abismo e é uma obra literária de grande categoria.Tem uma tabela de calorias, que é fixe, mas não vem com as cenas todas em 100 gramas que é como o mulherio gosta, pelo menos eu.Tem umas fotografias fixes do estilo "What Not to Wear" mas em antes e, sobretudo, tem umas frases muitíssimo originais donde a gente pode tirar ideias para escrever um livro como os da Margarida Rebelo Pinto ou até ainda melhor como por exemplo "Foi numa radiante manhã de sol que...", "Às vezes sentia-me uma autêntica zombie que andava a deambular pela vida" ou "Nunca soube lidar com a minha imagem". Fora isso ficamos a saber que a Mónica Sintra, além de vomitar cantilenas foleiras também passou grande parte da vida a vomitar batatas fritas e também que comprava a comida nas bombas de gasolina, tema que muito me fascinou durante 3 segundos e depois não aprofundei porque me esqueci.
Também tenho o da Carolina Salgado mas esse não interessa muito porque já toda a gente sabe que o Pinto da Costa dá traques na cama desde que ambos começaram a lavar a roupa na ribeira pública. E tenho o do Zezé Camarinha, que tenciono ler apesar de já ter um curso de inglês. Mas depois digo-vos se valeu a pena.

4/28/2012

Já nas Bancas

É preciso ensinar a juventude a safar-se no futuro sem emigrar! E nada melhor do que os bons exemplos!

4/27/2012

Obrigada mas aqui não obrigada

Queria informar o(a) senhor(a) da sociedade de advogados Carretolages (ou quem usou uma das suas folhas timbradas), que nos meteu isto na caixa de correio que:
1. Aqui em casa não há nenhum Diogo;
2. Nós não conhecemos nenhum Diogo;
3. Mesmo que conhecêssemos, não nos aquecia nem arrefecia que ele fosse gay, hetero, extra-terrestre, uma couve penca ou outra coisa qualquer.
A Padeira

4/26/2012

Já percebemos pois!

O nosso muito irrequieto ministro Vítor Gaspar disse hoje que os portugueses entendem muito bem o que o governo está a fazer com a economia nacional. É assim, sr ministro, todos todos não sei, mas muitos asseguro-lhe que já entenderam. Só que é uma palavra muito feia começada por F e nem nós queremos dizê-la aqui porque isto é uma padaria de família nem V. Exª deve dizê-la pois ganha bem demais para usar linguagem de bairro.

4/25/2012

E apesar de tudo comemorei Abril


E apesar de tudo e tudo e tudo, 25 de Abril sempre!

Quando foi o 25 de Abril de 1974 eu tinha acabado de fazer onze anos sobre o planeta azul. Era boa aluna embora me metesse em alhadas de vez em quando e já tinha dito na escola que não queria ser da mocidade portuguesa nem morta. Não sabia bem porquê mas pelo menos o hino daquela coisa causava-me arrepios maiores do que quando tocava "O mar enrola na areia" no acordeão à força de levar com a cana nos dedos.
Nas escolas todas, não tardaram em explicar-nos o que significavam todas aquelas palavras que até aí não podiam ser usadas como "democracia", "fascismo" e "sindicalismo". Disseram-nos que ia passar a haver eleições para as pessoas poderem escolher quem iria mandar e isso pareceu-me bom. Apareceram vários partidos políticos e eu achei que o mais giro de todos era o PPD porque era cor-de-laranja e dizia que era social-democrata e eu pensei que era a querer fazer de Portugal uma coisa assim daquelas que há mais lá para o norte onde mesmo que um maluco pare numa ilha a matar pessoas ninguém se põe aos gritos e a desgrenhar-se à porta do tribunal. Era desses que eu queria ser. Aos onze anos. Depois fui para o liceu onde se consumia haxixe e outras porcarias que fazem rir e eu depressa me bandeei para o MRPP e comecei a usar umas botas com atacadores como as da tropa. Não sabia de todo o que andava a fazer mas pelo menos tudo passou a ser a cores e mais divertido (excepto a televisão que continuou a preto e branco até 1980). Todos, mas todos mesmo, acreditávamos no futuro. Claro que, como sempre nessa idade, a visão de nós próprios com mais de trinta anos de idade era uma coisa desfocada e quase irreal, mas acreditávamos que havíamos de ser felizes e não haveria pobres, nem chás de caridade, nem chavalos a ir para a escola descalços e sem terem comido nada, nem pessoas que iam chegar a adultas sem saber ler.O que ninguém nos disse foi que muitos anos mais tarde os portugueses continuariam a emigrar sem saber ler nem escrever para serem explorados como cidadãos lava-pratos apesar de já haver escolas por todo o lado. Que muitos se recusariam a aprender fosse o que fosse e se limitaria sempre a um vocabulário de 50 palavras das quais 40 fariam parte do léxico do futebol.  Também ninguém nos disse que muitos anos mais tarde continuaria a haver gente que andava na rua com palitos na boca e a escarrar no chão, boçais incapazes de distinguir uma carroça de bois duma nave espacial. Nem que muitos anos mais tarde a maior parte das pessoas andaria a tentar safar-se à custa da tal democracia. Como se diz em português, "desenrascar-se". Os menos capazes apenas com pequenos subsídios de invalidez e sobrevivência e mais o que fosse preciso para poder passar os dias na tasca a emborcar vinho tinto rasca e não fazer nada, os mais espertos da escola das jotas com grandes subvenções estatais e vencimentos de assessores que lhes permitissem ter grandes carros e apartamentos e contas offshore também sem fazer nada. E que seriam os restantes a pagar tudo isso. Outra coisa que nunca nos disseram foi que a tão aclamada liberdade iria servir apenas, não para exprimir o que se pensava mas sim para estacionar em segunda fila, atirar lixo para o chão e para reservas naturais e cometer crimes vários que ficariam sempre sem castigo. Nem que toda essa confusão levaria a que este pobre e triste povo elegesse como maior português de sempre o maior de todos os mentecaptos e corruptos e tolhidos mentais que este país, apesar de tudo, já viu.
Apesar de tudo e tudo e tudo, muitos (onde eu me incluo) continuam a acreditar no 25 de Abril. Claro que já não é como no início, não. Agora é quase como se acredita no pai natal ou num conto de fadas. Como quem acredita que um dia o Peter Pan passará na nossa janela e nos levará para a terra do nunca. Mas há pessoas que são assim, acreditam sempre!

4/21/2012

E já agora, a empresa é A Vida é Bela e o hotel é da cadeia Turim em Lisboa

Se precisarem de comprar um presente para o dia da mãe, para o aniversário do chefe ou para fazerem as pazes com a cara-metade, aconselho-vos a voltar à tradicional peúga do Natal. Ou vá lá, uma panela de pressão ou um ramalhete de rosas, que impressiona sempre apesar de custar um c*lhão de massa principalmente se quiserem alinhar naquela fatelice de comprar uma por cada ano.
Bem, o que eu não vos aconselho mesmo nada a comprar é um daqueles caixotes com, dizem eles, experiências. Primeiro, porque essas chamadas experiências se resumem habitualmente a uma dormida num hotel onde vos põem no quarto dos fundos ou um jantar de restos. Segundo, porque na verdade, aquilo é o que se chama uma treta. Posso-vos assegurar que acabei (agora mesmo, ainda está fresquinho) de ter o momento que vos vou contar:
Munida dum pacote da empresa A Vida é Bela (aqueles que parecem um boomerang mal parido), telefonei para um dos hotéis indicados a fim de fazer a reserva, ao que me responde a mocinha do lado de lá que "Não estamos autorizados a fazer marcações através da vida é bela!". "Mau!" - pensei eu - "Esta m*rda vai aquecer!", e devo ser uma medium do c*ralho porque aqueceu mesmo!
- Então e explique-me lá quem deu essas ordens! - perguntei.
- A administração!
- E porquê?
- Porquê não sabemos, só sabemos que temos essas ordens!
- Então e diga-me uma coisa, algum cretino dessa tal administração está aí para falar comigo ou deram a ordem e deixaram-na sozinha para levar com os bichos?
- Não! A esta hora não está ninguém! - como se isso me espantasse muito...
- Então para a semana eu vou aí fazer uma reclamação no vosso livro!
- Não pode! - diz a chavala, e esta sim, foi de gritos!
- Eu depois mostro-lhe se posso ou não!
E, depois de mais alguma troca de galhardetes sobre quem pode ou não escrever no livro durante a qual a imbecil explicava que só pode quem é hóspede do hotel (há coisas fantásticas não há?), acabei por lhe dizer boa noite (sou uma gaja educada) e desligar a porcaria do telefone.
E pronto, pelo menos duma coisa não me posso queixar: Tal como é prometido na caixa de plástico, eu tive mesmo uma experiência. E foi uma experiência de tal maneira radical que já tomei um calmante e vou para o segundo.

4/19/2012

Na areia



Jorge Amado traz-me de volta as férias em família da minha adolescência, passadas no Algarve. Traz-me de volta o som do mar na praia enquanto lia os livros de bolso que comprava nos quiosques e o sol me torrava a lombada. A minha, não a dos livros. Traz-me de volta o cheiro da areia amarelada e os mundos para onde eu viajava enquanto lia. Foi nesse tempo que descobri um Brasil enternecedor diferente do das novelas. Ainda que tivesse que passar à frente as expressões que não entendia. Jorge Amado traz-me de volta a minha adolescência, a minha pochette de palhinha e o meu bikini castanho. E também as personagens de Jorge Amado que se moviam à minha volta na Meia Praia. Tudo ao mesmo tempo.

4/18/2012

Antero, o alucinado

Hoje comemora-se Antero de Quental, poeta que ouvia vozes dentro da cabeça e que, curiosamente, se suicidou com a idade que eu tenho agora. Esta é pelo menos a história oficial porque naquele tempo não havia televisão nem séries da FOX e portanto as pessoas não sabiam que ninguém se consegue suicidar com dois tiros. Ou que pelo menos é coisa para se desconfiar.
Quanto a mim e apesar de a vida não me andar a correr de feição, não tenho ainda planos para cometer um acto de tal monta, até porque o mais que me podia acontecer era ser notícia do Diário de Aveiro no dia seguinte. Daqui a cento e tal anos não ia ser de certezinha tema de abertura do google, ainda que só aqui na choldra.