9/29/2012

Nós, os tristes

Estão a ver aquela piada do doido que entra na auto-estrada em contra-mão e que às tantas diz - "Ena! Tantos doidos em sentido contrário"? Aquele que faz não sei quantos quilómetros e, apesar de toda a gente lhe buzinar continua a achar que os outros é que vão em sentido contrário? Que mesmo depois de ser apanhado pela polícia insiste que os outros iam todos em sentido contrário, pelo simples facto de que o que ele faz está sempre bem só porque é ele a fazer? Pronto. Estão situados não estão? Então também já descobriram, tal como eu, de quem foi a ideia "muitíssimo inteligente" do aumento da TSU! Certo?
Só que infelizmente a este, nós, os tristes que pagamos TSU's, cortes nos vencimentos, IRS mais alto, IVA a 23% e que ficamos desempregados como tordos, pagamos 225.000€ mensais para assessorar o governo. E isso já não tem tanta piada como a anedota do tolo que entra na auto-estrada em sentido contrário. Mas não se pode ter tudo.

9/27/2012

Pensamentos Avulso

Onde é que o Passos Coelho vai desencantar os seguranças?
Onde é que o Passos Coelho vai desencantar os ministros da justiça?
Onde é que o Passos Coelho vai desencantar as opiniões do conselho de ética?
Como é que o Passos Coelho consegue ser vaiado na rua por putos de dez anos?
Que mal fizemos nós aos Deuses além de votar nestes gajos?

9/18/2012

Péu! Vai buscar!

Clicar para ver em tamanho decente (quem ainda não se tenha fartado de rir com esta, claro!)

9/11/2012

Carta sem envelope (que estão caros) do staff da padaria ao sr. primeiro ministro

Já se disse tudo sobre isto. Mais. Já todas as pessoas insuspeitas disseram tudo sobre isto. Por isso, não vale a pena alongar-me, posso ter uma inspecção da ASAE aqui na padaria que ainda me fecha a porta por insalubridade se me alongar nesta porcaria. Vou só fazer um pequeno reparo ao senhor primeiro ministro acerca do belíssimo discurso que fez depois de há uns meses nos ter dito que o governo não iria pedir mais dinheiro aos portugueses:
Meu primeiro, não se preocupe em fazer sacrifícios agora para os seus filhos não terem que os fazer mais tarde. Tanto quanto sei e a história me tem ensinado, os seus filhos e os dos seus comparsas não hão-de fazer sacrifício algum. Já têm a vida orientada e hão-de viver, se Deus quiser, à custa do estado ou duma empresa pública sem terem que provar nada primeiro. São os nossos filhos que nós temos que mandar embora para poderem viver em qualquer lado onde o cartão de sócio da jotinha e a filiação não sejam condição sine qua non para escapar aos 400 euros por mês se tiverem sorte. Por isso não se ponha em cuidados senhor primeiro ministro, está tudo tratado. Os seus filhos hão-de ter o futuro assegurado. Num país tão fantasma como uma aldeia do fim do mundo de onde já toda a gente fugiu com medo à fome, claro, mas hão-de ter.
E já sabe, o staff da padaria está sempre ao dispor para qualquer coisa que lhe apeteça. Mas tem que pagar.

8/30/2012

Sim, eu também ando na gritaria

Ouvi hoje um senhor do PSD classificar de "gritaria desnecessária" a indignação dos que já viram que este governo ultrapassou todos os limites e está a levar o país para o caos. Vi e passou-me pela cabeça, de repente, a imagem do que eu acho que o autor de tal afirmação merecia. Não a posso aqui reproduzir fielmente (andam muitas crianças na net), mas posso adiantar que essa imagem inclui cadeia, duche colectivo, sabonete que cai ao chão e alguns indivíduos de etnia africana, em número não inferior a vinte e de preferência de grande porte. Podiam até ser da mesma nacionalidade dos que vão comprar a RTP. Se vêm ao nosso porque não irem também ao dele? Para lhe ensinarem o que é gritaria.

8/29/2012

O menino que coleccionava tiquets

Era fim de tarde. O puto de mochila às costas e casaco à cintura saiu do carro e correu para o parquímetro. Meteu um euro e recolheu o tiquet de estacionamento. Enquanto isso, a mãe tirava sacos de compras do porta-bagagens, alheia a tudo. Com o mesmo entusiasmo com que tinha corrido para o parquímetro, o garoto correu de volta para junto da mãe.
- Olha! - disse ele orgulhoso enquanto mostrava à progenitora a sua mais recente aquisição.
- Tu gastaste o euro que eu te dei a tirar um tiquet de estacionamento??? - respondeu-lhe ela entre o estado de furiosa e o de incrédula - Tu estás bem da cabeça???
Numa última tentativa de justificar o acto que tanta satisfação lhe tinha dado, o miúdo ainda argumentou:
- Eu já tenho muitos!...
E eu assistia da minha janela a este momento fatídico em que uma mãe morta de cansaço dum dia de trabalho e de super-mercado, a sair dum carro estafado, descobria que o filho gastava todas as suas moedinhas a tirar dos parquímetros tiquets de estacionamento que coleccionava como se fossem cromos da bola.
- Anda para dentro que já falamos! - foi a última frase que ouvi antes de ambos entrarem no prédio, ele derrotado de cabeça baixa, com aquele ar com que as crianças ficam quando descobrem mais uma crua realidade daquelas que lhes vão remendando os bocados que farão delas adultos.
Neste caso, a de que um parquímetro não é um brinquedo mas um inimigo a evitar. Paciência, é assim a vida.
Fui para dentro também.