1/31/2010

O que vale é que não estamos em crise nem nada!

Mário Soares, finalmente, explicou tudo. Não há terceira república como alguns dizem. Há a primeira república, de 1910 a 1926, e a segunda, de 1974 para cá. Ali no intervalinho não conta porque não se levou à prática aquilo a que eles chamam de ética republicana e que eu chamo simplesmente de ética, e que é o respeito pelos direitos humanos, pela liberdade, pela igualdade blá-blá-blá. Já sabemos.
Ora se é assim, será que ainda vamos a tempo de poupar os dez milhões destinados a comemorar os cem anos da palhaçada? É que na verdade ainda só vamos em 52!

1/27/2010

Coisas irritantes como o caraças


O Jô Soares a tentar falar português com sotaque de cá. Ou seja, sem sotaque. Chiça, até dói!

1/26/2010

Isto sou eu a dizer, claro.


Ora aí está o sr José Gomes e a sua esposa, de Caceira de Cima (sim, existe, eu fui ver), fotografados à porta de casa depois de terem ido colher umas couvinhas para o jantar e sorridentes como sempre ficam quando lhes estão a tirar o retrato. Eu aposto que os dois nem sonham que foram parar a um anúncio dum produto supostamente natural para curar a disfunção eréctil, onde a sua foto é acompanhada por um texto com excertos tão mimosos como este:
"Cerca de um mês depois de ter parado de tomar o suplemento, voltei a ter problemas de erecção, afirma José. A minha mulher disse-me para voltar a tomar os comprimidos, conta." e "Aos 64 anos, não se pode ter garantida uma vida sexual agradável e divertida."
E assim pode qualquer pessoa, sem saber ler nem escrever, ficar com a fama de não ver o padeiro há que tempos e tornar a vê-lo com a ajuda duma pílula.
Não sei se em Caceira de Cima também se recebe a revista "A Família Portuguesa", mas em caso afirmativo, grande alegria deve ir na tasca da aldeia com este novo acontecimento para tema de conversa à volta dumas minis.

1/25/2010

Se alguém conseguiu perceber a lógica

daquela história imbecil duns pilotos da TAP que andaram a insultar-se uns aos outros no facebook, agradeço que me explique.
A mim parece-me coisa de quem não tem mais que fazer.

Olá queridos clientes, passaram bem? Então o Santana lá recebeu a medalheca não foi? Pois foi. A coisa até seria engraçada se não estivessem associadas a estas condecorações subvenções vitalícias pagas por nós. E que não são de valor igual ao ordenado mínimo, podem ter a certeza. Mas viva a república. Vamos ver os acontecimentos desta semana.

1. Manuel Alegre assumiu que está disponível para a presidência da república. Não nos parece grande coisa isto. Se ele estivesse disponível para sachar umas batatas ou dar o litro numa fábrica de cortiça, isso é que era de valor! Para o bem bom, qualquer pessoa que não seja retardada está disponível. De qualquer maneira não nos parece que lá chegue porque ao contrário do que esperava só teve o apoio do berloco. É o que dá armar-se aos cágados. Quem quer tacho, tem que ser obediente!

2. Cristiano Ronaldo foi escolhido para uma campanha da Armani e isso foi notícia em muitos e diversos meios de comunicação. Não percebi. É só para mostrar as carnes. Se ele tivesse sido escolhido para ensinar literatura clássica ou álgebra em qualquer lado, isso sim já era notícia! E das graúdas!

3. Houve um jogo de futebol entre o Porto e o Belenenses que só ficou decidido depois de trinta penaltis. Foi um dos raros casos em que o desempate conseguiu ser quase tão chato como o jogo em si.

4. As escutas a Pinto da Costa foram publicadas no youtube por um anónimo. Para quê? Alguém achava que era possível que qualquer conversa entre o Pinto da Costa e árbitros pudesse ser uma coisa interessante?

5. Depois de muitas reuniões entre o governo, o PSD e o CDS (um de cada vez e a fazerem-se difíceis como as noivas), lá ficou decidido que o orçamento de estado para 2010 vai ser aprovado. Isto mostra bem que deve ser uma m... dum orçamento, porque já se sabe que onde há muitas reuniões não se faz um c... A única coisa positiva foi que, dizem, o Teixeira dos Santos conseguiu fazer Bingo duas vezes e o Paulo Portas fez várias vezes linha.

6. Graças ao sismo no Haiti, um grupo de artistas, bem como a mais que caduca MTV, tiveram a oportunidade de se auto-promover completamente à borla, numa mega-operação da treta que incluiu dondocas e pseudo-galãs a fazer de telefonistas num espectáculo do mais patético que se viu nos últimos tempos. Quanto aos haitianos, continuam pobres.

E pronto queridos clientes, por hoje é tudo. Tenham uma boa semaninha e fiquem bem, com a beijoca do costume da sempre vossa

Rosarinho

1/23/2010

Tás marcado!


A TVI, que já não é grande coisa, devia também ter cuidado com a publicidade que faz. Agora quando vamos ao multibanco, metemos o cartão e aparece uma mensagem que diz "O teu destino está marcado". É capaz de não ser boa ideia porque, pensem comigo um bocadinho: Esta m... está toda de tanga, a vida é tão difícil, e quando uma pessoa vai ao multibanco levantar uns trocos que ainda vai tendo, ali a fazer contas à vida e a pensar quantas vezes é que tem de almoçar e jantar até receber outra vez, se já pagou ou não a conta da água, já sem grande motivação para nada... olha para ali e lê aquilo, "O teu destino está marcado". Fogo, animador como o caraças!

1/22/2010

Ora tomem para o fim-de-semana

Como passei alguns momentos em que até borrei a pintura toda a rir, e como ultimamente já me acusaram de só fazer aqui lembrar coisas tristes, partilho convosco este site fantástico.

Alguns exemplos:






1/21/2010

O comando é meu, mas pouco

Aí fui eu toda lampeira à loja da MEO para contratar o serviço de internet e televisão e quando lá chego, pimba. O serviço de internet anunciado com a velocidade de 20 megas é, na realidade de 12. Depois, com o tempo, talvez venha a ser de 20. Mas melhor ainda, só se pode ter duas televisões em casa. Se tivermos uma terceira, essa irá repetir (se for possível instalar uma derivação), o que está a transmitir a segunda. Ou seja, vamos todos para a cama cá em casa e, para ajudar a adormecer sem comprimidos das duas uma: ou a miúda fica a ver o prós e contras de castigo, ou nós ficamos a ver os episódios repetidos dos Simpsons de castigo.
Agora já percebi porque é que aqueles anúncios dos Gato Fedorento a esmeoçar umas conversas da treta não querem dizer nada. Porque não interessa mesmo dizer o que a MEO tem para oferecer.
Vai daí que os mandei pastar e fui à ZON. A menina que nos atendeu (simpática, note-se), abriu logo as hostilidades a olhar para nós com uns olhos muito abertos e a perguntar: "É só televisão não é?". Ainda me apeteceu responder-lhe: "Não filha, eu e o meu Zezinho não vamos para a cama sem ver uns sites porno primeiro", mas depois não disse que ela era loira e podia pensar que era verdade. E temos que nos habituar à ideia que daqui para a frente vamos levar cada vez com mais frequência com as certezas que a canalha tem enfiadas nos cornos a respeito das pessoas que nasceram há mais tempo.
Mas é preciso muita fibra!

1/20/2010

Nascer com o cu virado para a lua


"Eu não sei bem quem tu és
Sei que gosto dos teus pés"

E eu sei que também gostava que me pagassem para escrever a primeira merda que me viesse à cabeça.

1/19/2010

E com respeito à "conrespondência"!...


Ontem, carago, por causa do aniversário do Peixoto nem vos contei, mas recebi um mail dum senhor da ASAE que me sensibilizou muito. Foi assim, quando vi aquela m*rda até pensei que não era para mim e que o gajo se tinha enganado. Ou que era spam. Mas afinal não, o sr. Picciochi escreveu mesmo para mim, tão querido. Sim, porque depois de fazer um enorme esforço de memória, lá me lembrei que tinha feito queixa à ASAE porque na Stapples, para accionar uma garantia duma porcaria qualquer que lá compramos, tipo um telemóvel ou um computador, pedem-nos dinheiro e fazem-nos assinar uma cena a dizer que prescindimos desse dinheiro se eles decidirem que a culpa é nossa. O que me parece que é ilegal, mas isto sou só eu a dizer que sou padeira. Mas voltando ao assunto, pá, ainda bem que o Sr Picciochi, que é director de serviços e ganha 3734,06€ dos nossos impostos mais despesas de representação, se disponibilizou ao fim de três meses para me informar que não tem nada a ver com isso, quando na verdade a p*ta da garantia já acabou.
Onde é que se pode ir para fazer queixa da ASAE?

1/18/2010

E ao Peixoto? Já deram os parabéns ao Peixoto?

Olá queridos clientes, que tal vos correu a semanita? Espero que não muito mal, e se morarem em certas zonas, espero que tenham um barquito para irem para o trabalho que isto tem andado assim para o húmido. Mas vamos ver então os principais acontecimentos dos últimos sete dias.

1. Comaçamos pela Irlanda do Norte, de onde veio a segunda notícia mais divertida da semana. Iris Robinson, mulher do primeiro-ministro, foi descoberta a papar um puto de dezanove anos que até para mim era tenro demais, dass! Depois ela e o marido fizeram um acto de contrição público que foi muito bonito, a malta foi às lágrimas, ela confessou, ele fez um belo discurso... e passados uns dias descobriu-se que afinal também tinha comido o pai do puto e mais um amigo do partido. Que se saiba! Não foi esclarecido se todos ao mesmo tempo ou um de cada vez.
A senhora Robinson foi muito criticada por ser conservadora, religiosa e furiosamente contra a homossexualidade. Mas na verdade isso não tem lógica nenhuma. Ela pode ser contra a homossexualidade e facturar toda a criatura com pila que se mexa. Não está a ser nem um bocadinho incoerente! E mais, pode ser conservadora e fazer aldrabices com o erário público como fez para favorecer o miúdo. Aliás, aqui não está a ser mesma nada incoerente. Fazer intrujices, no mundo da política, não tem nada de inovador!

2. No santuário de Fátima apareceram uns grafittis. Assim como em todos os túneis, pontes, carruagens de comboio e de metro, empenas cegas, escolas, edifícios abandonados e muros deste país. Mas os de Fátima foram notícia. Se calhar ficaram mais giros.

3. O governo assinou um acordo com as universidades. Aquele compromete-se a dar mais dinheiro para estas continuarem a engordar a cambada de inúteis que lá tem tacho, e estas comprometem-se a formar maior quantidade de alunos. Para que isto aconteça, é inevitável que baixem um pouco os altíssimos padrões de exigência. Para já ainda não se sabe se vai continuar a ser imprescindível saber assinar o nome todo para entrar no ensino superior, mas penso que pelo menos o primeiro e o último continuará a ser.

4. Agora sim, a notícia mais divertida da semana mesmo antes de acontecer, foi o anúncio da entrega duma medalha a Santana Lopes pelo presidente da república, devido aos relevantes serviços prestados ao país. Felizmente estou a escrever e não a falar, porque não sei se conseguia dizer isto tudo assim seguido sem me rir. É positivo que a presidência da choldra, nestes tempos de crise, contribua com o seu bom sentido de humor para animar o povo. Só acho que, além do Santana, também o Emplastro devia receber uma medalha igual, uma vez que tecnicamente não contribuiu de forma menos relevante para o país, seja lá isso o que for. Por isso, já criei um grupo de trabalho para exigir uma medalha igual à do Santana para o Emplastro, a que qualquer pessoa pode aderir aqui. Claro que para tal, se não tiver, tem que criar um perfil no facebook. Mas acredite que é para uma boa causa.

E pronto queridos clientes, por hoje é tudo. Tenham uma boa semana até nos voltarmos a ver na segunda-feira e fiquem com uma grande beijoca da vossa

Rosarinho

1/17/2010

Badtime Story IV

Com o processo de consultoria quase a terminar, fui chamada pelo consultor que, mais uma vez com o ar mais consternado do mundo, me mostrou os números do projecto e me explicou que a minha empresa não era viável. Ia ter prejuízos brutais e, como tal, era preciso revê-lo em pouquíssimo tempo. Propôs-me que retirasse despesas e aumentasse o capital a investir. Ou seja, uma operação de cosmética.
Na altura eu recusei e disse que, sendo assim, era preferível o projecto ser chumbado do que levar marteladas para compor os resultados pois não estava disposta a abrir uma empresa inviável. Logo no dia seguinte, estava a ser informada que nesse caso seria considerada a minha desistência e como tal teria que pagar à empresa as horas de consultoria, num total de dez mil e tal euros, ou seja, mais de oitenta euros/hora. Tinha que remodelar o projecto e mais nada.
Fui para casa pensar no assunto e retirei imensas despesas, umas mais ou menos supérfluas como publicidade mas outras indispensáveis como uma viatura e pessoal. No entanto, naquela altura do campeonato já não me sentia nada confiante naquele projecto e decici não aumentar o capital a investir. Pelo contrário, diminuí-o. Até porque todos os números que estavam naquele plano eram tão sólidos como manteiga. Os clientes tinha-os decidido eu sozinha, sem qualquer apreciação crítica por parte do consultor, como se fosse possível aparecerem do nada tantos clientes como eu quisesse. Se queriam uma empresa para dar prejuízo, que a abrissem eles.
Apresentei a versão final do projecto e fiz saber que dali não arredava pé. Fizessem o que quisessem, chumbassem-me o plano, paciência. Avançar só avançava com segurança.
A partir daí foi um inferno, com uma pressão constante em cima de mim da parte de toda a gente. Diziam-me que um projecto inviável era culpa minha e era considerado desistência, que tinha que indemnizar a empresa de consultoria por isso, ameaçaram-me com tribunal, estalou o verniz todo, foi uma pouca-vergonha inqualificável. O que se passava na verdade é que, no caso de um plano ser inviável, nem o candidato recebia o incentivo de 5000 euros para a empresa, nem a consultoria recebia o pagamento de elaboração do dito, muito superior ao que recebia o candidato para abrir o negócio por surreal que isso pareça. E isso eles não queriam aceitar nem por nada.
Nesta altura tive, felizmente, o apoio do meu marido, mais habituado do que eu ao mundo dos negócios e como tal menos totó. Foi comigo a uma reunião final onde me ajudou a pôr o gajedo todo com dono.
Pararam de me chatear até hoje pelo menos. Contratei uma advogada que ficou pronta para me defender quando viesse o tal processo em tribunal mas até hoje não foi necessário.
Mais tarde, vim a descobrir que entre a instituição que coordenava todo o projecto e a empresa de consultoria escolhida havia amizades e até casamentos. Era uma panelinha de gente que andava ali para sacar algum e que o sacava desse para onde desse. Descobri que inclusive havia formadores a quem eles pediam que assinassem formações inexistentes para receberem dinheiros dos fundos comunitários.
Das minhas colegas que abriram efectivamente a empresa, todas receberam a miséria do incentivo tarde e a más horas quando já tinham os fornecedores todos à perna e pelo menos a uma a vida correu muito mal pois a empresa também não era a mais viável do mundo. No fundo, as pessoas eram pressionadas a martelar os planos por onde fosse necessário até eles serem aprovados e toda a gente receber. Se no futuro as empresas eram viáveis ou não... que se lixasse.

Só contei esta história para dar uma pequena amostra de como são utilizados neste país os fundos comunitários para incentivar a abertura de empresas e melhorar a economia. Ou seja, não vamos lá. Não vamos mesmo. Está-nos no sangue.

Obrigada pela pachorra.

1/15/2010

Badtime Story III

Começou a consultoria. E lá íamos nós xis vezes por semana para uma reunião com o respectivo consultor, a fim de elaborar o plano de criação duma empresa. Aqui, uma das coisas que eu comecei a estranhar foi, por exemplo, perguntarem-me quantos clientes achava que ia ter e ser suposto eu responder qualquer coisa e essa resposta ir parar ao plano. Na verdade eu pensava que era ao consultor que competia fazer o estudo de mercado para saber qual a previsão de clientes duma forma realista. Também me era perguntado assim do nada quanto ia pagar a cada empregado e de que forma os ia contratar, quanto ia gastar em publicidade... Na verdade aquilo era um plano mais parecido com um sonho ou uma utopia, e a função do consultor era apenas pôr no papel, com uma linguagem e uma estrutura próprias, os dados que eu própria fornecia sem qualquer base sólida.
Alguns dias depois de iniciado o processo, chamaram-nos à instituição que coordenava tudo para nos fazer assinar uma declaração na qual nos comprometíamos a pagar todos os custos da consultoria se desistíssemos antes do fim. Como eu, de qualquer forma, não tinha qualquer intenção de desistir pois não ando a brincar com a vida dos outros nem com a minha, assinei na boa.
Mais ou menos a meio do processo e com um ar extremamente consternado, o consultor informou-me de que, afinal, tinha que constituir a empresa antes de saber o resultado da candidatura do meu plano, pois essa era uma das exigências do projecto, coisa que nunca me tinha sido dita antes. As minhas colegas assim fizeram mas eu, ranhosa como sou, disse que nem pensar, que não era isso que estava combinado e que não ia arriscar assim a minha vida como se aquilo fosse uma brincadeira. Eles que tirassem o cavalinho da chuva. Foi nesse ponto que começaram os primeiros conflitos entre mim e as restantes pessoas envolvidas no assunto.
(continua)