12/31/2010

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A abafar ruidosamente a emoção a tiros de petardo ou de champanhe, ouvimos bater as doze badaladas na secreta esperança de que elas sejam a meta remissa do passado e o ponto de partida dum futuro redentor. Assim persiste sob a máscara soberba do civilizado a humildade do primitivo. A humildade que o mantém vivo nas selvas da ignorância, ao lado do morto que vai sendo nas avenidas da sabedoria.

Miguel Torga

12/28/2010

Coisas deprimentes

Ao pobre bebé recém-nascido encontrado no Brasil dentro dum saco plástico não bastava ter sido atirado duma altura de dois metros logo à nascença, tinham que lhe chamar Natalino de Jesus. Há pessoas que não têm mesmo sorte nenhuma!

12/23/2010

12/21/2010

Dilema monárquico

Nem sei... ando tão indecisa.
Sendo monárquica, o mais natural era não votar nas eleições presidenciais. Mas agora em face dos candidatos, nem sei. Por um lado gostava de votar no Sr. Aníbal. Gosto de o ver com a esposa sempre atrás a dar bitates em tudo e às vezes até com os filhos, noras, genros e netos, tudo a passear à pala como se na verdade fossem alguém com papel naquele filme. É como se fosse uma verdadeira família real e eu acho isso muito bonito. Por outro lado também penso votar no Sr. Contente, quer dizer, Alegre. Com aquela propensão toda para fazer rimas faz-me lembrar imenso El rey D. Denis. Nem sei, o que hei-de fazer?

12/16/2010

Tapar o sol com a peneira


Há coisas que eu continuo sem perceber e já me tentaram explicar como se eu fosse um par de socas e as duas do pé esquerdo. Por exemplo: Os gestores públicos portugueses são dos mais bem pagos. Um chico-esperto que gere uma coisa sem concorrência e onde o deixam aumentar os preços ao consumidor quando lhe apetece ganha, a brincar, mais do que um seu equivalente alemão. Isto já se disse muitas vezes e ninguém desmentiu, por isso deve ser verdade. Por outro lado, diz-se que não se lhes pode pagar menos senão eles vão embora e lá fica o nosso país sem essa valiosíssima massa cinzenta. A minha questão é: Vão embora para onde se noutro país iam ganhar menos?

12/15/2010

Memórias do natal


O natal. A abóbora cozida a escorrer dentro duma saca de pão na torneira da cozinha. A árvore de natal com luzes pisca-pisca em forma de florinhas de plástico que falhavam todos os anos. O presépio comprado no chapeleiro. As idas ao chapeleiro para substituir a virgem que se tinha partido no ano anterior. As idas ao musgo. O cheiro do musgo. O cheiro da abóbora cozida. O cheiro dos fritos de abóbora. O menino jesus que descia pela chaminé como o pai natal. A chaminé. A grande chaminé. O sapatinho na chaminé. A braseira acesa no meio da cozinha. Eu a sentar-me na braseira acesa. O natal dos hospitais a preto e branco. O grande circo do Mónaco e o grande circo chinês a preto e branco. Os brinquedos novos. A boneca que vinha com casaco de peles. O carro tele-comandado do meu irmão. A inveja do carro tele-comandado do meu irmão. O frio. As férias escolares. Os trabalhos de casa nas férias escolares. A missa. A catequese. O bacalhau. As couves. A mesa da cozinha onde abríamos os presentes. O meu avô ainda lá. A roupa de inverno que picava. O meu casaco de xadrez vermelho com gola de pelo branco. O natal.

12/13/2010

Porque na verdade há malandros que estão em greve todos os dias

Só vou contar agora, porque só agora é que me apeteceu, mas já aconteceu no dia 23 de Novembro. Véspera de greve geral de funcionários públicos e de empresas do estado. E da Auto-Europa!...
Cheguei ao aeroporto de Lisboa e ainda ia ficar mais um dia por ali. Por isso, fui à gare do Oriente saber como seria a minha vida no dia seguinte, tendo tido o seguinte diálogo com o atrasado mental que estava na bilheteira:
- Amanhã há comboios para o norte?
- Não, amanhã é greve.
- E não há comboios nenhuns?
- Não, amanhã é greve.
- Mas eu ouvi dizer que há serviços mínimos obrigatórios. Algum desses é para o Porto?
E o mentecapto, com um ar super-chateado de a fazer um grande favor ou então um exame à próstata, respondeu a saca-rolhas:
- Há um às 7:39.
- Só esse?
- Não sei, amanhã é greve.
- Olhe, dê-nos dois bilhetes para esse das 7:39.
Ele vendeu-nos os bilhetes e (este é o pormenor que dá beleza à história toda), escreveu um "G" a esferográfica em cada um antes de os entregar.
- O que é que quer dizer isto? - perguntámos.
- Quer dizer que amanhã há greve e vocês foram avisados.
Claro que, com a paciência a dar o tilt, a conversa acabou inevitavelmente com um "Vocês são mas é uns palhaços!" - sem ofensa para os palhaços.

A greve era no dia 24. Eu fui à estação no dia 23, dia normal de trabalho, que eu saiba! Não estava a pôr em causa o direito do andróide a fazer greve, só queria ser atendida como deve ser. Custa muito? Estes gajos precisavam era dum estágio na linha de montagem duma fábrica de sapatos em São João da Madeira, isso é que precisavam! Porra!

12/09/2010

And here we go again!... Para o fundo...

Os tipos de Bruxelas, ao pressionar o governo português para liberalizar os despedimentos, não saberá ou estará a fazer de conta que não sabe que os patrões tugas são (salvo raras e honrosas excepções) uma cambada de filhos da p... que têm por objectivo de vida comprar um Ferrari e contruir uma mansão com fonte luminosa independentemente de terem ou não a trabalhar para eles pessoas que passam mal a ganhar o ordenado mínimo ou menos? E que aquilo que já acontece agora, que é despedir os tristes que chegam à altura de serem legalmente aumentados pelo decurso do tempo para contratar outros que vão começar de novo, passará a ser regra? E que provavelmente essa maneira de estar na vida e gerir empresas é precisamente um dos factores que mais influenciam o nosso confrangedor atraso em relação aos tipos que já perceberam que é melhor que quem trabalhe para eles não seja uma cambada de mortos de fome?

12/06/2010

Olá queridos clientes. As férias do tasco acabaram e já levei com uma ameaça de despedimento com justa causa por isso, cá estou de novo.

1.Esta semana impressionou-me sobretudo a notícia de que o governo regional dos Açores vai manter os ordenados dos funcionários públicos intactos em 2011. E mais, acho que esta notícia tem sido comentada pelo lado menos interesante que é o da desobediência. Vejam bem, essa parte não interessa nada. Como sempre, estamos a dar importância ao acessório e a esquecer o essencial! Então? O senhor lá dos Açores disse na televisão (ninguém me contou, eu vi!) que a medida não vai custar um cêntimo ao estado. Quer isso dizer que o dinheiro com que vai compensar os funcionários não sai da fatia que a gente manda para lá. Ponto assente. Então, donde vem ele, se nem a actividade dos políticos nem a dos funcionários públicos dá qualquer lucro? Está visto que os políticos das ilhas descobriram, finalmente, o mítico segredo da árvore das patacas! E isto é que é importante! Alguém os devia obrigar a partilhar o segredo connosco para podermos finalmente sair da p*ta da crise, carago!

2.Outra notícia interessante tem sido a das fugas de informação divulgadas pelo Wikileaks. Esta m*rda é duma beleza quase clássica, quer dizer, porra, deixa-me cá falar bem para vocês ficarem impressionados: É assim como uma metáfora da decadência da civilização ocidental. Isto para não dizer que se trata dum grupo de f*lhos da p*ta a entregar de mão beijada a segurança do mundo ocidental à malta que dá murros no peito quando ouve falar em infiéis. Lindo!

3. E finalmente, hoje ouvi uma que adorei. Os professores vão deixar de receber pela correcção de exames. É uma pena, de facto, porque eu já andava a ensaiar uma reinvindicação à patroa por analogia, demonstrando-lhe por A+B que, se quer que eu me dê ao trabalho de sair de casa para trabalhar, tem que me dar algum além do ordenado. Mas já vi que não vai pegar...

E pronto queridos clientes, por hoje é tudo. Fiquem bem e beijinhos. Para a semana a gente vê-se se entretanto esta padaria não for atacada à mão armada pela fenprof.

12/05/2010

Meditações numa noite de insónia a ver palermices na televisão

Os anúncios a marcas de perfumes são assim: Aparece uma gaja qualquer que se contorce um bocado e dá ideia que está com uma dor qualquer. Finalmente diz qualquer coisa, mas em vez de ser "Socorro chamem uma ambulância", diz o nome do perfume, mas assim com voz de quem está com uma faringite.
Porquê, meu Deus?

12/02/2010

E aqui estamos nós,

excitadíssimos, para saber se vamos ou não organizar o campeonato mundial dos falidos.