10/08/2004

O ÚLTIMO TANGO EM PARIS E OUTROS


Houve uma fase na minha vida em que tinha por hábito ler livros inteiros duma assentada durante a noite. A noite altera a nossa percepção das coisas e talvez por isso este hábito foi-se transformando num vício. Eu devia ter uns 12 a 14 anos e os livros que lia não eram, decididamente, destinados a essa idade, o que só servia para acentuar o interesse daquela actividade nocturna.

Lembro-me de ter lido nessa altura O Último Tango em Paris. Completamente incrédula, lia as passagens "proibidas" de um fôlego, quase sem respirar e com a cara muito quente. Quando acabava cada uma delas voltava atrás e lia de novo, a tentar acreditar que alguém escrevera aquilo e mais ainda, a tentar acreditar que era possível alguém pensar aquilo. No dia seguinte tive Francês às oito e meia mas como ainda estava entorpecida pela visão da cena da manteiga passei a aula toda sem conseguir pensar noutra coisa. A professora nada sabia e achou que me tinha acontecido algo estranho. Na verdade eu só estava a olhar para ela (era a primeira adulta que via após a experiência) e a tentar adivinhar: "Será que esta também faz aquelas coisas nojentas?"

Quando li os dois extensíssimos volumes de Zora a Ruiva, sobre um grupo de adolescentes órfãos que roubava pão e galinhas para sobreviver chorei tanto, mas tanto, que na manhã seguinte havia um mar de lenços brancos de papel à volta da minha cama e os meus olhos estavam inchados. Ainda tentei lavá-los com água muito fria mas tive que ir para a escola mesmo assim.

A experiência que recordo com o maior sorriso, no entanto, foi a de ter lido O Exorcista. Com o evoluir da história fui entrando naquele mundo terrível e quando já não conseguia sair, no silêncio da noite, qualquer pequeno ruído mesmo imperceptível era uma ameaça. Estive literalmente petrificada de medo até amanhecer, altura em que finalmente consegui levantar-me e ir à casa de banho.

10/07/2004

E AGORA, A PEDIDO DE VÁRIAS FAMÍLIAS

FIZERAM A FOLHA AO PROFESSOR


O que neste caso equivale a terem feito a folha a todos nós.
Não que me interesse particularmente ouvir o Dr. Marcelo na TVI a debitar os seus prognósticos e diagnósticos futebolísticos e políticos, a fazer previsões astrológicas, a dar a receita da tarte de maçã ou a criticar livros que eu nem sei se leu.
O que me interessa, isso sim e muito, é saber que o Dr. Marcelo pode estar à vontade na TVI a a debitar os seus prognósticos e diagnósticos futebolísticos e políticos, a fazer previsões astrológicas, a dar a receita da tarte de maçã e a criticar livros que eu nem sei se leu.
O espírito saloio deste governo que nos representa sem nos representar, chega ao ponto de fazer a censura mais despudorada sem que nada aconteça, limitando-se alguns de nós a uma piada, a um sorriso amarelo e a um encolher de ombros do tipo "que podemos nós fazer".
Parece-me chegada a altura de deixarmos de ser passivos.

Por isso

Existe um orgão chamado Alta Autoridade para a Comunicação Social, que tem como uma das suas competências "Apreciar, por sua iniciativa ou mediante queixa, as eventuais violações da legislação da comunicação social".
Incumbe também à AACS zelar pela independência dos órgãos de comunicação social perante os poderes político e económico.
São princípios consagrados na Constituição da República Portuguesa os seguintes: "Todos têm o direito de exprimir e divulgar livremente o seu pensamento pela palavra, pela imagem ou por qualquer outro meio, bem como o direito de informar, de se informar e de ser informados, sem impedimentos nem discriminações" e "O exercício destes direitos não pode ser impedido ou limitado por qualquer tipo ou forma de censura".
Penso (salvo melhor opinião), que o que aconteceu com o abandono da actividade de comentador na TVI pelo Prof. Marcelo Rebelo de Sousa configura uma violação de um direito constitucional básico. Com certeza absoluta houve pressões e censura, cheira a esturro a kilómetros.
Qualquer pessoa singular pode denunciar junto da AACS os comportamentos susceptíveis de configurar violação das normas aplicáveis aos órgãos da comunicação social.
As queixas devem ser apresentadas nos 30 dias subsequentes ao conhecimento dos factos que lhes deram origem.
As queixas deverão ser apresentadas ao Presidente da AACS, cujo endereço é Avenida D. Carlos I, 130 - 6º - 1200 LISBOA.
O e-mail é info@aacs.pt.
Eu, que sinto o adesivo na boca do profe como se fosse na minha, vou apresentar formalmente a minha queixa, sugiro-vos que façam o mesmo.

10/06/2004

HABIA DE SER AQUI NO NORTE CARAGO!

Isto passa-se numa pequena localidade na margem sul do Tejo, de que não direi o nome porque me quer parecer que daí para baixo é tudo igual a este nível (corrijam-me se estiver errada).

Qualquer tasquinha, café ou afim ostenta uma placa atrás do balcão que diz "Não há serviço de mesas". Geralmente, atrás desse balcão, está uma baleia que mal consegue mexer aquele cu ou um barriga de bicho a quem um bocadinho de exercício só faria bem. Entregam aos clientes, com má cara, os seus pedidos e recebem o dinheiro. Arrastam-se enquanto o fazem.
E é um espectáculo no mínimo surrealista ver as pessoas nas mesas a afastar copos e chávenas para o lado, a limpar manchas de café, leite e sumo com os guardanapos e a tentar arranjar um cantinho para poderem tomar o seu café onde não se incomodem e sobretudo não incomodem muito.
No fim daquilo tudo já tenho visto clientes que pegam na sua louça e na dos anteriores clientes e a entregam no balcão. Se pedem desculpa por terem nascido nunca me apercebi, mas se calhar pedem.

Será por isto, ou também por isto, que certas zonas do país não passam da cepa torta e depois chamam-lhe os custos da interioridade e/ou do isolamento? Dasse!

Vocês nem sabem quantas vezes já me apeteceu pôr a mão na cintura, qual varina da beira-mar, e dizer-lhes:
-Bocês hão-de ir assim para o norte que bão ber o lindo enterro que lebam, bão bão!

10/04/2004

NÃO SE IMPORTA DE QUÊ?

Li hoje numa revista que Avelino Ferreira Torres, esse rei da trenguice agora promovido a celebridade chunga, terá afirmado antes de entrar para a quinta: "Eu cá não me importo de mamar".
Alguém é capaz de me explicar o queria o anormal dizer com isto?

10/01/2004

BORRADAS

Depois do lançamento de portagens em todos os caminhos de cabras do país, da cobrança de taxas moderadoras mais elevadas para quem ganhe pelo menos 100 euros de pensão de sobrevivência, do aumento das rendas de casa, da barracada dos professores e do barco do aborto, da compra de Audis para todos os membros do governo e respectivas mulheres a dias e a noites, da contratação de um número de assessores superior ao que pode ser contado a olho nu e etc, etc, etc...
Vai ser instalado no Palácio de Belém este novo equipamento...
Para que o Dr. Jorge Sampaio não tenha que andar sempre a limpar as mãos à parede.


9/30/2004

BOAS NOTÍCIAS

Grande regozijo houve aqui no farinha ao saber que finalmente alguém resolveu pôr mãos à obra e acabar com as poucas vergonhas no santuário de fátima, esse baluarte da fé e da verdadeira alma nacional. Como sempre, no entanto, foi preciso vir alguém de fora para tratar do assunto. Já é costume.
Um núcleo de católicos duros (?) oriundos da América do Norte ( e, apostamos nós, sérios, honestos e votantes certos do Sr. Bush), auto-designado "Fátima Sempre", apresentou formalmente no Vaticano uma queixa contra o reitor do santuário por ter permitido que gente infame, não católica e não branca, tivesse tido permissão para visitar o dito e ainda por cima com honras de convidados especiais. Falamos naturalmente dessa gente estranha que anda sempre a rir e se veste de cores esquisitas, tipo o Dalai Lama e de uma delegação hindu.
Achamos muito bem. Que o pessoal aproveite os sanitários do santuário para uns chutos e umas pinadas ainda vá, mais vale isso que fazê-lo em frente do altar, agora isto não se admite.


9/29/2004

PUBLICIDADE ENGANOSA

São frequentes os casos em que se tenta iludir a opinião pública com mentiras ou com semi-verdades.
Vejamos estes dois casos.

Primeiro: Foi divulgado hoje um estudo segundo o qual metade da população portuguesa, ou seja 50%, tem peso a mais ou sofre mesmo de obesidade.
Pura manipulação dos números. Como mostramos a seguir, o problema é muito mais grave situando-se em cerca de 80%.



Segundo: Fiquem a saber o verdadeiro motivo pelo qual, às vezes, os homens preferem as sagres.



9/28/2004

AINDA A PROPÓSITO DA BARRACADA DA COLOCAÇÃO DE PROFESSORES...

Uma professora de história da minha filha escreveu num teste que "o que fizeste está certo, o que deixaste por fazer está errado".
Quando fui buscar as notas da minha filha e quis saber por que motivo não ficou retida uma colega muitíssimo pior do que ela e que só obteve níveis abaixo de 3 até ao 2º período, foi-me dito que era porque "Estamos todos fartos de a ver cá".
O único incentivo que a minha filha tem para estudar, face a isto, é saber que se for aparecendo e dando cabo da cabeça dos professores, um dia eles ficarão "fartos de a ver lá" e ela passará.
Uma professora que quis fazer uma visita de estudo a um local cujo site na net pede que nesses caso se envie um mail com o dia, a hora e o número de alunos, escreveu somente qualquer coisa como "11,14:30,26" e ainda ficou ofendida quando lhe telefonaram a perguntar o que era aquilo.
Conheço uma professora que mandou os alunos destruir as casas de banho da escola porque estava zangada com a Câmara Municipal.
Conheço uma professora que quis concorrer com os alunos a um concurso de desenho e, como não percebia o que queria dizer anónimo nem pseudónimo, achou que os nomes falsos com que os alunos concorriam (como por exemplo chocolate) correspondiam ao prémio que iriam receber.
Conheço uma professora de português que escreve laser em vez de lazer.
Conheço uma professora de geografia que escreve extinsão em vez de extinção.
Ambas não perdoaram aos alunos que tiveram a ousadia de as chamar à atenção.
Quase todos os professores que conheço se recusam a ir, ou vão contrafeitos, à sua escola naquilo a que eles chamam de "dia livre". Para quem não sabe o dia livre é um dia útil como qualquer outro com a única diferença que o professor não tem, nesse dia, tempos lectivos no horário.
Quando eu estive a dar aulas numa escola secundária e as aulas acabaram, era preciso ir vigiar os exames. Isso corresponde a duas ou três horas de trabalho num dia. Mesmo assim era comum ouvir os colegas queixarem-se que estavam a trabalhar nas férias. Para todos os efeitos eles ainda não estavam de férias, apenas lhes apetecia estar, como a qualquer mortal.
Quando eu estive a dar aulas no ensino recorrente tive colegas que me ensinaram a técnica do "tratá-los abaixo de cão para eles desistirem depressa e nós ficarmos a ganhar sem fazer nenhum".
Quando eu era professora todos os colegas se queixavam daqueles dias infindáveis de reuniões e atendimento de pais no final dos períodos, mas nunca referiam que a seguir iam para casa e só reapareciam no fim da interrupção lectiva.
Quase todos os professores que conheço se queixam que não deveriam fazer matrículas porque isso é serviço administrativo, quando cada vez menos se admite essa coisa obsoleta de repartição estanque de tarefas. Além de todos os técnicos superiores da função pública terem que fazer algum serviço administrativo, esse é na verdade um bom argumento para não se fazer mais nada do que o serviço lectivo e estar assim mais tempo "de férias".
O que os professores sabem fazer melhor (salvo poucas e honrosas excepções) é queixar-se. Até deveriam instalar muros de lamentações nas salas de professores de todas as escolas. Já sabemos que andam longos anos contratados e a mudar de terra e que isso está mal. Já sabemos que as suas vidas são recheadas de instabilidade e que isso está mal. Já sabemos que aturam canalha brava, mas isso todos aturamos, só que de diferentes idades. O resto é fait-divers.
Num dos anos em que estive a dar aulas fiquei colocada numa escola onde era preciso um professor de alemão e eu não posso leccionar alemão... mas posso candidatar-me no grupo de alemão. Os alunos tiveram que desistir do alemão nesse ano e iniciar o inglês porque os chamados grupos de docência estão obsoletos e nada têm a ver com a actual formação das pessoas. Foi mau para eles e mau para mim que não tinha culpa e nada podia fazer.
Os professores, ao contrário de todos os outros funcionários do estado (mal ou bem), não são avaliados, para além de uns relatórios proforma que têm que fazer e que até copiam de uns anos para os outros mudando só os campos. Será que se houvesse avaliação a sério, aquela professora de que falei ainda escreveria laser? É só uma pergunta.
Há professores competentes, conscientes e trabalhadores. Só que esses acabam por ser engolidos por um sistema mau que não lhes permite fazer um trabalho digno e sério.
Os livros escolares são caríssimos e em muito maior quantidade do que qualidade, obedecendo apenas a uma lógica de mercado e ignorando valores como a necessidade básica de escolarizar os cidadãos para construir um país competitivo. Já tive um livro, quando dei aulas de português, que num exercício mandava pôr acento na palavra melancia... e outras preciosidades.

O sistema educativo português e as pessoas que dele fazem parte estão imbuídas de muitos complexos de esquerda que, passados 30 anos, já não fazem sentido. Recusa-se a competição saudável ainda com medo do malfadado quadro de honra do tempo do velhinho Salazar. Os princípios de igualdade são cinzentos e nem sequer funcionam na prática porque todos sabemos que há escolas e escolas, alunos e alunos.
A mudança necessária no sistema educativo era profundíssima e ia muito para além da substituição de um sistema informático por outro. Os nossos governantes, de forma arrogante e sobretudo inconsciente e ignorante, olharam-se ao espelho e viram-se coroados de uma aura de brilhantismo que lhes indicou serem eles os escolhidos para resolver os problemas da educação. Caíram por terra junto com as suas teorias iluminadas e com eles caímos todos. Portugal, um país supostamente democrático e evoluído, está a passar a maior vergonha de todos os tempos, não conseguindo sequer pôr as escolas a funcionar quase um mês depois do previsto.
Tínhamos o mau. Agora temos o incrivelmente mau.

Confesso que andava há muito para escrever este post e evitei sempre por dois motivos. Por um lado, muita gente não irá ler porque é comprido e não é ligeiro como habitualmente. Por outro lado, tenho a certeza que muitos dos que o lerem vão ficar muito desagradados. Está arreigado na nossa cultura e na nossa maneira de ser culpar sempre só o poder instituído de tudo o que acontece. Nós, "os pequenos", somos sempre vítimas (leia-se inimputáveis).

9/27/2004

AVISO

Queria só deixar um pequeno aviso ao senhor (imagino que tenha sido um senhor) que veio ter a este honesto estabelecimento à procura de "Filminhos de sexo com travestis". É o seguinte:

1. As buscas no google, se for com frases completas, têm que ser feitas em "pesquisa avançada", mais concretamente no campo "expressão exacta";
2. As buscas têm que ser feitas de forma o mais simples possível. Nesse caso, seria aconselhável procurar travesti e depois pesquisar nos resultados por filme (evitar diminutivos ok?) ou video;
3. A coisa mais parecida com um travesti que se encontra em estabelecimentos honestos como o farinha é aquela senhora do anúncio do TIDE Sabão Tradicional, cheia de baton da loja do chinês e com cara de homem. Felizmente, a dona desta padaria tem apenas uma característica masculina que é adormecer com relativa facilidade.

Resta-me apenas referir que só dei esta importância a este caso porque se tratou talvez da pessoa mais "daaah!" a entrar aqui em toda a história do farinha amparo.
Sou mesmo mais que mãe destes gajos...

Ah! E já me esquecia! Queria chamar a atenção de todos os blogocolegas cagaréus ou afins para este importante evento!

9/24/2004

EU VI! EU VI!

Se eu não tivesse visto provavelmente nem acreditaria. Mas eu vi. Ontem quando cheguei a casa para almoçar, liguei a televisão e o programa do Goucha (de que eu não sei o nome nem me interessa) estava nos momentos finais.
Ainda pude ver uma mulher, na casa dos trinta, contando a história de toda uma vida vítima de maltratos físicos e psicológicos. Ela contou todos os pormenores da sua vida e chorou, o habitual nesta nova onda de salve-se quem puder para garantir audiências.
No meio da entrevista, ela referiu um pormenor: Que quando o ex-companheiro finalmente a expulsou de casa não a deixou trazer nada e neste momento ela está a viver sem ter sequer um frigorífico, pedindo às vizinhas que a deixem arrumar os alimentos nos delas.

No final do programa, o pseudo apresentador/cozinheiro/doceiro sem sal e sem açúcar, anunciou uma magnífica surpresa.

E os meus olhos viram, incrédulos, que a surpresa era:

-E A D. ADOSINDA VAI GANHAR, COMPLETAMENTE GRÁTIS, OFERECIDO PELA PRODUÇÃO DO NOSSO PROGRAMA!... (aqui o rufar dos tambores) ... ESTE FANTÁSTICO FRIGORÍFICO!!! (palmas)

Em que mundo vivo eu, que permite que uma pessoa vá expôr a sua alma por um frigorífico?

9/23/2004

O GRANDE PERIGO DESTA CRISE NA EDUCAÇÃO...

... é que os putos podem começar a ficar demasiado habituados às férias prolongadas e não quererem outra coisa.

OVERDOSE DE TELEVISÃO NUMA NOITE DE INSÓNIA

ou
Até que Enfim Consegui Escrever Um Poema Embora Não Seja Bem o Que Eu Queria

Com Skip aprendemos a viver
Mas acho que andamos a comer a fruta errada
Finalmente no Politeama a não perder
O yogurte a que não falta nada
*****
O 1 2 3, com prémios fabulosos
É a pausa que o corpo precisa
30 anos naturalmente saborosos
Ainda bem que o futuro aceita Visa
*****
E é sempre tempo de saborear
Mimosa frutos e cereais
O teu cabelo, garanto, vai ganhar
Novos looks radicais
*****
Controla tudo
Menos as emoções
Por apenas 3 euros cinquenta
Terás saborosas tentações
Pois chegou o 280
*****
Sair esta noite de traje formal?
Só com novo Tide sabão tradicional.

FIM

9/22/2004

EXPLIQUEM-ME

Não estou a ver porquê tanto estrilho à volta dos dezoito mil euros de pensão de reforma atribuídos ao Mira Amaral. Afinal de contas quase todos os reformados ganham mais do que isso!

Quase, todos somados, claro...

9/21/2004

CRISE

Nestes tempos de crise, é giro ver como revistas e jornais se vão safando. Uns optam por vender colecções otário, outros vão explorando o tema que dá mais garantias comerciais: O sexo.
A forma como o fazem varia, mas o resultado final é sempre o mesmo.
Podemos encontrar o estilo MARIA (tive sexo com um pastor alemão, posso engravidar?), o estilo CIENTÍFICO (mais próprio da Visão, Focus, NM ou Pública, tipo Saiba como actuam as feromonas), passando pelo estilo COSMOPOLITAN (Seja mais vacarrona que a do 3º esquerdo e garanta que ele não baza), terminando no delicioso estilo SUPER-TIA que podemos encontrar nas revistas que ao mesmo tempo que nos aconselham um modelito Armani por 10.500 euros nos dizem coisas como esta (Revista Elle, Outubro de 2004, página 150):

Seleccionámos o que há de mais sexy no mundo!

1. A CANçÃO: Crazy in Love, de Beyoncé. Para começar não sei o que é isto. Acho que nunca ouvi.
2. O ALIMENTO: Chocolate. Aquela coisa com que as tias sonham desesperadamente mas não comem sob pena de terem que fazer outra lipo em menos de 6 meses.
3. O HOMEM: Johny Deep. Assim mesmo, com dois "és" em vez de dois "pês".
4. A MULHER: Kyllie Minogue. Segundo afirma a revista, a voz fica para segundo plano. Nesta última parte concordamos.
5. A PARTE DO CORPO: O Rabo. Deve ser por passarem tanto tempo sentadas no cabeleireiro e na manicure.
6. O FILME: La Belle Époque. Assim, sem qualquer outra referência a não ser a de que o filme mostra "O mínimo de nudez". Que bem!
7. O LIVRO: Satisfaction: The Art of the Female Orgasm. Deve ser aquela história do ponto G, que elas têm no final da palavra shopping...
8. A LÍNGUA: O Francês. Segundo elas, até a frase "Vai deitar fora o lixo" soa sexy. Como é que soará "Vai trabalhar cabra inútil!"?
9. O ACTO: Beijar. Será aqueles beijinhos sem toque que ela dão umas nas outras (Um! Apenas um!)quando se encontram na Versailles?
10. A DANÇA: Tango. Segundo as tias, é o que há de mais parecido com fazer amor. Nós aqui no Farinha, em menos de 5 segundos conseguimos pensar em duas ou três coisitas mais parecidas ainda. Mas enfim... Never mind!