5/15/2007

CONSELHO IMBECIL PARA MOMENTOS DE ÓCIO

Ver um filme porno sem som e com uma companhia divertida. Eu sei, eu sei, não se consegue ver todo porque não há pachorra, mas naqueles minutinhos que se consegue aguentar dá para imaginar uns diálogos muita giros entre os actores.

Exemplo:
-Oh filha, acho que perdi as chaves do carro.
-Ai amor, procura. Dá-te jeito assim?
-Assim tá bem… mas espera, não consigo encontrar.
-Vê lá bem, devem estar aí. Foi aí que andaste ontem à noite.
-Espera, espera, abre mais… sim, já estou a sentir qualquer coisa… oh! Afinal é o faqueiro que tínhamos perdido a semana passada.
-Ai que fixe! Mas o chato é as tuas chaves…
-Pois é. Devem estar muito lá para o fundo. Vou desistir. Deixa lá.
-Ok.




Ou então:
-Oh filha, guarda-me aí isso um bocadinho para não apanhar frio.
-Tá bem... podes pôr aí. Mas não demores muito que vai dar a novela.

...

-Tens aí uns tremoços ou qualquer coisa assim?

HÁ SEMPRE ALGUÉM QUE CONSEGUE INVENTAR QUALQUER COISA QUE NUNCA FOI INVENTADA

-Bom dia.
-Bom dia.
-Trago aqui os impressos que me deu ontem.
-Muito bem...
-Mas não preenchi. Tive aqui umas dúvidas.
-Sim...
-Porque é que vão pôr em espaços sombrios? Eu não quero ir para espaço sombrios!
-Desculpe... Espaços sombrios?!
-Sim. Está aqui escrito. Eu acho mal, não sou menos que ninguém.
-Onde?
-Aqui! - apontou - Está a ver? Os espaços sombrios destinam-se ao requerente!
-Sombreados.
-Sim. Sombreados, sombrios, é a mesma coisa. Isso quer dizer que me vão pôr onde?
-Isso quer dizer que estes quadradinhos cinzentos do impresso são aqueles que deve preencher.
-Ah!...

5/14/2007

Olá queridos clientes. Cá estou eu de novo, desta vez a estrear um novo look. Espero que gostem. Eu cá pelo menos acho que já estou a ficar demasiado importante para continuar com aquela fotografia horrorosa tirada no tempo em que ainda andava com o parvalhão do Alberto e ainda por cima no casamento duma prima vacarrona dele onde até (imaginem!) os convidados bateram pratos, apanharam nenas e andaram à porrada. Não dá!
Bem, e posto isto vamos ao que interessa. A sonsa da patroa prometeu que eu ia desvendar hoje o grande segredo de Fátima. Não me parece muito relevante mas pronto, aí vai.
“A Fátima é uma gaja que trabalhou aqui na padaria durante uns dias e foi logo despedida por indecente e má figura, já que se fazia a tudo quanto era pila e se mexesse. Não podia ser. Andava a lixar a reputação do tasco e mais dia menos dia já só cá vinham empreiteiros e donos de stands. Bem, a gaja armava-se de tal maneira em boa que até fazia aflição, com a mania que dava um passo e parava o trânsito todo. Só que eu apanhei-a uma vez a mudar de roupa lá atrás no fim do turno a descobri o segredo dela: Usava chumaços no soutien.”
Pronto. Tal como eu desconfiava, o segredo de Fátima não tem interesse mesmo nenhum nem ninguém está interessado nele. E agora para acabar vou pôr aqui um filmezito que foi a patroa que mandou pôr por ser o primeiro post a seguir ao 13 de Maio, diz ela, e como ainda é ela que manda no estabelecimento, aí vai.
Ah, ela diz que tem que ser visto com som senão não vale o mesmo!



Tenham uma semana porreirinha e fiquem com uma beijoca da vossa

Rosarinho

5/10/2007

OS NOVOS MILAGRES DE FÁTIMA


Correm notícias de que andam a distribuir um folheto aos peregrinos em Fátima que, além de um mapa que ensina a chegar ao santuário e publicidade a lojas de artigos religiosos, contém contactos de empresas que fornecem produtos/serviços sexuais. Até apareceu um senhor na televisão a explicar que telefonou para um número que lá vem e atendeu-lhe uma menina e tal… E que isto é uma grande falta de respeito e uma brincadeira de mau-gosto.
Nós, aqui na padaria, não concordamos nada com esta indignação e achamos que tem tudo a ver. As moças que se anunciam no folheto só podem ser santinhas. Para estarem dispostas a levar com aquele público, são santinhas de certeza… Se fazem milagres, ainda não sabemos.

5/09/2007

UM EXERCÍCIO PURAMENTE CIENTÍFICO

Vamos pôr uma hipótese académica. Mas atenção, agradecia que não me acusassem de nada esquisito porque isto é mesmo um exercício, motivado pelo mais puro espírito científico.
Imaginemos que, hipoteticamente claro (nada disto vai acontecer), no próximo dia 13 de Maio, em Fátima, onde são esperadas cerca de 500 mil… pessoas... caía um avião daqueles bigalhaços mesmo em cheio no meio do santuário e não havia sobreviventes. Por favor, mantenham o espírito científico, isto é meramente uma hipótese académica. Imbuídos deste mesmo espírito analítico, dêem-me a vossa opinião sobre os seguintes pontos:
Tendo em conta que 500.000 representa 5% da população portuguesa, o que não é pouco, mesmo tendo em conta que muitos serão estrangeiros e baixando assim a percentagem para, vamos lá, 2,5%, acham que haveria oscilações facilmente perceptíveis em algum destes itens?

Número de eleitores de um partido em particular?
Número de profissionais disponíveis num determinado ramo?
Número de adeptos de um determinado clube?
Número de consumidores de uma determinada marca de roupa? Sapatos? Produto alimentar?
Moradores de uma determinada região?
Alteração na taxa nacional de analfabetismo/baixa escolaridade?


Ora digam-me lá, o que e que vocês acham?

5/08/2007

SE EU FOSSE...

A Marta foi uma querida e passou-me a corrente que até agora me deixou mais desorientada! É que eu, juro-vos queridos clientes, não sabia mesmo o que responder a isto. Mas lá se deu um jeito.
Martita, a próxima que me calhar vai direitinha para ti filha! Lol!


Se eu fosse...
Se fosse uma hora do dia, seria o meio-dia que é quando está mais calorzinho e já apetece sair da cama.
Se fosse um astro, seria uma estrela binária. Não sei o que é mas gosto do nome.
Se fosse uma direcção, seria uma com código postal, ou seja, completíssima, como nos anúncios.
Se fosse um móvel, seria um psiché. Gaita, sempre adorei o conceiro deste móvel inútil!
Se fosse um líquido, seria whisky velho, sem gelo. O gelo tem tendência a arrefecer muito as coisas.
Se fosse um pecado, seria um pecado capital, isto de cenas secundárias não está com nada.
Se fosse uma pedra, seria ... sim, às vezes sinto-me um bocado calhau... but don't we all?
Se fosse uma árvore, seria de fruto.
Se fosse uma fruta, seria melancia. Ou é em grande ou não é em grande.
Se fosse uma flor, seria uma daquelas amarelas que nascem aí por todo o lado quando começa a primavera, tipo praga. É impossível não dar por elas.
Se fosse um clima, seria um clima seco. É uma alternativa a meter água.
Se fosse um instrumento musical, seria uma campainha de porta que é o que eu sei tocar melhor.
Se fosse um elemento, seria o quinto.
Se fosse uma cor, seria amarelo. Na liga de honra :(((
Se fosse um animal, seria uma tartaruga. Não stressam e chegam a netos.
Se fosse um som, seria uma derrapagem. O perigo é a minha profissão.
Se fosse música, seria a banda sonora da série Pippi das Meias Altas, mas eu sueco, versão original. Desde que pus isto como toque de telemóvel não quero outra coisa.
Se fosse estilo musical, seria kitsch selecto. Não existe, fui eu que inventei agora.
Se fosse um sentimento, seria uma paixão assolapada. Ao meu estilo.
Se fosse um livro, seria um best-seller. Pelo menos gostava de ser.
Se fosse uma comida, seria um bife. Daqueles altos, mal passado. Com picante.
Se fosse um lugar, seria Hogwarts.
Se fosse um gosto, seria caril.
Se fosse um cheiro, seria caril.
Se fosse uma palavra, seria um verbo.
Se fosse um verbo, seria redimensionar. Não é por nada, só me soa bem.
Se fosse um objecto, seria uma mulher-objecto. Nunca percebi o que é isso nem se existe de facto.
Se fosse peça de roupa, seria um carapim. Conheço uma pessoa que adora esta palavra.
Se fosse parte do corpo, seria um rim. Um rim tem um formato tão fofo!
Se fosse expressão facial, seria de sonsa, a responder a isto.
Se fosse personagem de desenho animado, seria Heidi, a menina dos Alpes. Mas aquela da versão manga que dava muitos gritinhos enquanto corria pelos montes atrás das cabrinhas, era um must!
Se fosse filme, seria uma curta-metragem. Sou muito sintética.
Se fosse forma, seria uma forma para brioche. Não, para pão-de-ló! Não, para tarte! Pronto, nem sei…
Se fosse número, seria infinitos, como dizem os putos para ganharem os jogos. Infiniiiiitooooos!!!
Se fosse estação, seria … playstation… vale?
Se fosse uma frase, seria interrogativa.

Se não fosse ter respondido a isto, jamais me teriam passado tais coisas pela cabeça.

E, como é suposto passar a corrente a mais cinco, resolvi escolher cinco vítimas homens. Para variar.

O Zebedeu!

O Bagaço!

O Japinho!

O Aceçôr!

O Kim!

Parabéns a todos! Pode ser que para a próxima tenham mais sorte!

5/07/2007

MAIS UM GÉNIO INJUSTAMENTE IGNORADO


E o cavalheiro, com o ar mais sério deste mundo, continuou a esclarecer a minha pobre mente ignorante:
-É o que eu lhe digo, eles nas finanças agora conseguem ver tudo o que a gente tem e, pimba! Tudo! Eu vou-lhe explicar, eles vêm pelo ar, vêem tudo lá nos computadores deles!
-…
-Ah pois! O meu filho, que percebe dessas coisas de computadores, consegue lá entrar nesses programas que eu já vi. Vê-se tudo do ar, tudo! Casas, carros, quintais, piscinas, tudo! Pode acreditar! É assim que os gajos lá das finanças nos apanham! Não há hipótese!

E eu a imaginar o filho do artista a dizer-lhe qualquer coisa como:
-Pai, é assim. Preciso dum carro com uma cilindrada de 6000. Mas mesmo muito urgente! Há uns gajos, marcianos, que me mandaram umas mensagens para o computador, numa linguagem encriptada que só eu é que aprendi a decifrar porque saio a ti e sou um tipo muita esperto, a dizer que quem não tiver um carro desses vai deixar de poder acabar os cursos na universidade. Mas não digas a ninguém, porque isto é uma ciência que só eu é que já consigo dominar e depois ficam todos a saber.
-Ai é filho? Está bem, está bem! Ai o meu menino é tão esperto! Posso contar só à tua mãe? Posso?

Olá queridos, hoje vou focar dois assuntos que tiveram relevo durante a semana que passou e, que sem a minha interpretação pessoal, dificilmente serão compreendidos na sua total dimensão:

1.Carmona Rodrigues, o grande herói pop da política do momento, disse em grande apoteose que tinha contribuído para fazer da Câmara Municipal de Lisboa a maior e melhor do país. Ora a lógica desta afirmação é quase igual à da batata, tubérculo como se sabe bastante básico. Primeiro, a Câmara Municipal de Lisboa já é a maior do país há bué. E não é por causa do Carmona, é por ser o concelho com mais eleitores inscritos. Segundo, é pouco provável que um presidente de Câmara que não saiba isto possa fazer da sua autarquia, a melhor… Ser arguido num processo judicial, creio que também não ajuda. Talvez o senhor devesse dedicar-se a outra coisa com objectivos mais modestos. Abrir uma imobiliária por exemplo.
2.Alberto João Jardim, esse verdadeiro almanaque da sabedoria bronca, disse hoje aos jornalistas que se está nas tintas para as falcatruas cometidas durante as eleições regionais. Só que, como ele fala madeirense e não português, o que ele disse mesmo e que toda a gente ouviu foi que está nas tetas. Mas que aquilo era uma mama nós já sabíamos. Só não percebi muito bem foi a razão de queixa do PS, que se foi chibar à CNE de terem deixado votar os tolinhos. Pois claro que deixaram, para aí uns sessenta e tal por cento deles. E?... A democracia é assim, até as gajas da bela e o mestre votam… se forem capazes de desenhar uma cruz.

E pronto meus queridos, por hoje é tudo. Para a semana voltamos a encontrar-nos e, até lá, fiquem com a tal beijoca da vossa

Rosarinho

5/06/2007

TENHO UMA RECLAMAÇÃO:

Deviam deixar tirar fotografias nos museus à vontade.
Primeiro porque toda a gente tira na mesma.
Segundo, porque como aqueles senhores de farda estão sempre a olhar para as pessoas com aquele ar desconfiado, a ver se as apanham com a máquina na mão, as fotografias acabam todas por ficar uma merda.
Como esta.

5/05/2007

NÃO VOU FALAR DO CARTÃO VERMELHO AO EDUARDO, NÃO VOU FALAR DO CARTÃO VERMELHO AO EDUARDO, NÃO VOU FALAR DO CARTÃO VERMELHO AO EDUARDO!


Pronto. Vou falar de cinema. Isto porque depois do árbitro expulsar o guarda-redes do Beira aos 14 minutos eu ia tendo um fanico e resolvi ir ver um filme para me acalmar.

Fui ver este. Foi fixe, escorreito, agradável. Só não percebi muito bem porque é que algumas legendas dos diálogos em inglês não estão tão fiéis como deveriam.

Sobretudo, não me senti gozada como quando vejo coisas daquelas tipo Branca de Neve e depois no fim constato que foi tudo pago com os meus impostos. Este também foi, mas pelo menos tem trabalho que se veja.

Não sei porquê, ando a ficar cada dia mais reaça no que diz respeito a estes assuntos.

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Ah, e o Beira ganhou na mesma. Afinal, Deus existe. Mas só aparece de vez em quando.

5/03/2007

DESAFIO


Desafio os clientes a encontrar qualquer coisa que seja mais insuportável do que aquelas três enjoadas da tvcabo a fazer trrim trrim.

Claro que não vale referir a campanha eleitoral ultra-porca do boçal Alberto João. Assim era de caras.

O CONFORTO DO ANONIMATO


Vivo numa cidade pequenina, no entanto consideravelmente maior do que era há cerca de quarenta anos quando a minha família se mudou para cá. Pode dizer-se que atingiu a dimensão em que já não é humanamente possível saber quem é quem duma forma pormenorizada. O que para mim, pessoa de temperamento pouco dado a intimidades indiscriminadas, é bom. Agrada-me poder entrar no café aqui mesmo ao lado de casa e saber que, com excepção dos “cuscos” profissionais, o máximo que alguém vai saber é que devo morar por aqui porque apareço todos os dias. Agrada-me frequentar locais de anonimato garantido daqueles que só existem nas cidades: o hiper-mercado, o centro comercial, os cinemas… Agrada-me só conhecer os meus vizinhos quando os encontro na escada e, fora do nosso habitat, apenas tenho a vaga sensação de já ter visto aquela pessoa algures. É assim que eu sou. Não fria, mas reservada, diria. E selectiva. Mas foi apenas há algum tempo que eu tive a verdadeira consciência de que a cidade cresceu a um ritmo talvez demasiado rápido para que algumas pessoas, habituadas a viver numa quase aldeia com uma avenida e uma estação de comboios ao fundo, o conseguissem acompanhar.
Uma senhora de uns sessenta anos que eu atendi no meu local de trabalho mostrava-se visivelmente incomodada com o facto de não saber quem eu era. Eu, embora com a delicadeza a que a consciência profissional me obriga, fingia ignorar esse facto. Até que ela (que devia estar desde o início à procura das palavras certas na cabeça), desabafou:
- Ai, Aveiro agora tem tanta gente! Dantes é que era bom, não havia ninguém que eu não conhecesse!
- É natural D. ****** - disse eu tentando esboçar um sorriso que saiu amarelo – e continuei a tratar do assunto dela.
- Mas por exemplo a menina, é de cá?
- Sou. Há muitos anos. – e o estúpido do sorriso insistia em já não sair agora, nem amarelo.
- Está a ver o que eu digo? Eu não a conheço, não sei quem é! … - e depois a pergunta fatal – É de que famílias?
Nessa altura contei até dez enquanto mentalmente, apenas mentalmente, saltava para cima da mulher e lhe desfazia completamente o irritante capacete que tinha acabado de fazer na sua cabeleireira conhecida de má qualidade. Logo a seguir, imperturbável, respondi-lhe:
- Não creio que esse seja um elemento importante neste contexto.

5/01/2007

O PESADELO DE DARWIN

A DIDAS E OS MISTÉRIOS BÍBLICOS




Graças ao convívio com uma avó que adorava histórias fantásticas e que, mesmo sem saber ler nem escrever, a levou a ver o Quo Vadis, A Túnica e Os Dez Mandamentos, a Didas, ainda de tenra idade, conhecia quase todas as histórias da bíblia. No entanto, se quase todas exigiam do ouvinte uma capacidade de raciocínio que ultrapassava a necessária para aprender a resolver equações ou saber para que lado e com que vigor era preciso mexer a maionese para ela não desandar, havia uma da qual a Didas, mesmo depois de muito se esforçar, nunca conseguiu juntar as peças de forma a fazer sentido: Babel.


Durante algum tempo e para desespero dos adultos circundantes, a Didas continuou a fazer perguntas cujas respostas a poderiam levar, talvez, à resolução do mistério. Depois, outros interesses acabaram por adquirir um maior espaço nas suas preocupações e desistiu. Apesar disso, mesmo depois de crescida, a Didas nunca chegou a perceber como é que um grupo de técnicos vários, a trabalhar num projecto comum, conseguiu diversificar as linguagens de tal forma que teve, em extremo, que abandonar os trabalhos. Porque a lógica mais básica era que, estando os gajos a construir um arranha-céus daquela envergadura, a acordar todos juntos nos contentores da obra, a andarem juntos nos andaimes e nas gruas e até quem sabe a partilhar a marmita, o mais certo era que ao fim de pouco tempo desenvolvessem um código linguístico comum. Mesmo que houvesse para lá bué de imigrantes.