10/12/2010

Não percam, que vai ser bom.

O programa Linha da Frente vai provar amanhã por A+B que os portugueses são uns malandros e uns ingratos que não querem trabalhar pela miséria que os patrões, aproveitando-se do conceito crise, dizem que podem pagar. Não percam!

32 comentários:

Saltapocinhas disse...

onde e a que horas?

Didas disse...

Deve ser à noite. Eles andam a anunciar aquilo como se fosse uma grande coisa.

A.B. disse...

Ó Didas, para explicar a eterna luta do proletariado bastava falarem comigo. Sendo patrão de mim mesmo tenho uma noção apurada, embora tendencialmente esquizofrénica, dos conflitos laborais.
Antes de começar, e no tom daqueles profissionais que avisam sempre “não tente fazer isto em casa”, digo já à galeria dos mais novos – que imagino aos pulinhos de contentes com a idéia de ser patrão de si mesmo – que ser patrão de nós mesmos é um caminho sem retorno, como a prostituição ou as drogas duras.
Não temos, nem nunca tivémos, direito a baixas remuneradas, subsídio de desemprego, de Natal, ou de férias – ou férias decentes, já agora -, progressões automáticas na carreira, diuturnidades, promoções por antiguidade, ajudas de custo, cantinas, isenções de horário, e outras mordomias que qualquer imbecil detrás duma secretária toma como certas.
Teremos, dois anos antes de falecer, direito a saber que não há dinheiro para pagar as reformas para as quais descontámos régiamente toda uma vida. E temos o bónus de pagar, não o temido IRS anual, mas dois IRS anuais, o presente, e o presente para o Estado que é o “por conta” dos lucros que eles acham que vamos ter no próximo ano, mesmo sendo já mais que evidente que para o ano só a China é que vai ter lucro.
No caso das coisas correrem mal, e mesmo nos bons tempos em que os centros de emprego despejavam dinheiro para qualquer cretino que lá entrasse, vagas para patrão nunca abundaram – isso é coisa que só se obtém na política, onde os deportados encontram sempre uma miraculosa vaga de CEO de uma obscura cimenteira ou construtora ou PT.
É verdade – há que dizê-lo – que quando um patrão de si mesmo acerta no vinte e inventa um velcro silencioso, qualquer coisa começada por “i”, ou um tecido repelente de nódoas, fica obscenamente rico. Mas por cada Steve Jobs, lembrem-se, há hordas de sem-abrigos realmente chamados Smith, que ninguém conhece, que não inventaram nada na garagem, e acabaram falidos, sem casa, sem amigos, e sem que a Angelina Jolie os adopte.
Pois sou patrão de mim mesmo. E o que é que isso significa?
Significa que dou emprego a um tipo nitidamente da pior esquerda comunista, que não quer fazer nenhum, anda sempre com má cara, acha que ganha pouco e trabalha demais, passa tempo – que eu pago – a fumar cigarros e falar com outras pessoas, come como um porco, não cumpre horários, está constantemente a queixar-se de que tem um emprego precário, sem recibos, sem regalias sociais, e ainda se dá ao desplante de andar num carro igual ao meu e dormir numa cama tal qual a minha. Cada vez que vai ao médico (sempre por minha conta) vai aos privados e eu que me lixe. Agora está aí uma crise, ninguém encomenda trabalhos e ele já anda de trombas como se a culpa fosse minha. Qualquer dia farto-me e fecho a loja, e ele que se arranje. Tenho dias em que penso que, se pudesse voltar atrás, tinha arranjado um tachinho nas Finanças, como o meu amigo João, que não faz peva, em vez de andar nesta vida sem destino.
Como empregado, acho que trabalho para um melga fascistóide, picuínhas com os pormenores que mais ninguém vê, que paga mal, não me dá garantias de futuro, e está sempre a exigir mais e melhor e mais depressa. Almoço duma marmita, sou atazanado cada vez que fumo um cigarrito ou meto conversa com alguma miúda gira que passa, e chego a casa a horas indecentes. Não tenho férias senão lá quando o patrão acha “que pode ser”, não tenho regalias sociais, cada vez que vou ao médico tem que ser a pagar bem para “não perder tempo precioso” na Caixa, e há dias em que nem me apetece saír da cama – que ao fim de anos de luta, é tão boa como a dele. Agora, com esta treta da crise, estou mesmo a ver que ainda vou para a rua sem desemprego – a única consolação é que ele também. Tenho dias em que penso que, se pudesse voltar atrás, tinha arranjado um tachinho nas Finanças, como o meu amigo João, que não faz peva, em vez de andar nesta vida sem destino.

Anónimo disse...

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Anónimo disse...

Ó A.B. genéricamente pode não haver retorno na prostituição e nas drogas, mas que há muitos casos de sucesso ai isso há!
Que dizer então do consumo de álcool e de cigarros?

kuka disse...

O AB expôs a verdadeira realidade.
O pessoal que não faz a ponta de um...-e tem o atrevimento de dizer que se farta de bulir- pensa que o patrão tem uma mina no fundo das costas.

A.B. disse...

Anónimo, gosto muito dum sketch dos Monty Python em que se come a mãe com molho de tomilho. Cada coisa no seu lugar.

Anónimo disse...

http://aveirocapitaldocentro.blogspot.com/

Didas disse...

Eu é que vou pôr ordem nesta m*rda!
Também não posso com pessoal que não faz a ponta dum corno! Rua com eles! Quem tem um trabalho tem que se esforçar e tem porque é daí que almoça e janta e ponto final. Agora, patrões que não se importam de ter pessoal a trabalhar para eles que passa mal enquanto compram o belo do Ferrari... p*** que os p****!

A.B. disse...

Apoiado! P*** que os p****!
Mas...os trabalhadores são, apesar de tudo, livres de se despedir. Já o povo...
Creio que no que vulgarmente se chama "administração pública", notóriamente, nunca se conseguiu demonstrar qualquer correlação significativa entre esforço, almoço e jantar. Ou entre competência e cargo. Ou entre habilitações e remuneração. Ou entre talento e posição. Ou entre crime e castigo. Resultados e promoções. Ou coisas mais prosaicas, como justiça salarial. Reconhecimento do mérito. Ou respeito por quem vive ou trabalha no limite da miséria para lhes pagar. Também não há Ferraris, mas é só porque num Ferrari o Sr. Vice-Vogal da Sub-Comissão do Observatório Para a Felicidade Suspeita das Andorinhas não pode ter motorista - e o auge duma carreira de parasita não é um trabalho bem feito, é o pópó com chófére. Há 27 000 BMW's 750iL, Audi's S8 e VW's (os Phaeton W12, a 200 000 euros cada, mas lá está, é um "carro do povo"). E é de facto, é o povo que o paga. Hipócritamente há pouquíssimos Mercedes. Os Mercedes são tradicionalmente os carros de quem se fez a pulso - coisa grosseira e boçal que enoja a delicada "administração", que os apoda de "patos-bravos", como contrapartida à sua graça natural de flamingos e colibris. Era mais honesto, ou menos hipócrita, a nossa "administração" ter 27 000 Ferraris. São bonitos. Custavam o mesmo. Poupavam-se 27 000 salários de motorista. A "administração" tomava um contacto mais directo com a dura realidade das nossas ruas esburacadas. E talvez chegassem a horas ao serviço.

Didas disse...

Sim... Mas essa parte tem a ver com?...

A.B. disse...

Didas, quando diz que "rua com eles", já se apercebeu de que está, básicamente, a falar de funcionários públicos? Os outros vão mesmo para a rua. É que, onde o lucro depende directamente do serviço prestado, não há margem para erros. Qualquer trabalhador, empresário, ou empresa que preste um mau serviço ou ofereça um mau produto é suplantado/a por algo melhor ou mais barato. Menos no Estado. Aí há incompetentes que abancam para a vida e ninguém os despede.

Didas disse...

É um facto, mas pelo que tenho observado também há incompetentes no privado. Aqueles que se sabem vender bem e pôr a culpa no parceiro. São os chamados FDP.

A.B. disse...

Mas os incompetentes privados não são pagos com o dinheiro dos impostos.

Didas disse...

Portanto podem ser incompetentes à vontade porque isso não prejudica em nada o país.

Saltapocinhas disse...

essa dos "pobres privados pagadores de impostos" faz-me passar dos carretos...
é que eu também pago impostos! serão para quem??

Didas disse...

Oh Saltapocinhas, tu e eu também pagamos impostos. Certo. Mas os nossos vencimentos já vêm dos impostos. É incontornável.

A.B. disse...

Didas, todos os incompetentes prejudicam o país, quanto mais não seja pela ausência de ganho, mas há uma diferença abissal entre ser incompetente por conta própria ou com o dinheiro dos impostos. Se você foi filha e agora é mãe sabe quando é que se fazem contas à vida - é quando nos sai do nosso bolso, não é?
Agora, você pode falar-me de privados que prejudicaram mesmo o país (BCP, BPN, BPP...), mas observe que o Estado está sempre por detrás, quer olhando convenientemente para o lado (e sendo promovido por isso, quer mais?), quer administrando uma justiça inoperante. Mas eu não estava a falar de vigaristas. Há gente séria que não tem jeito para as coisas e tem que fechar o estaminé. E, a não ser no Estado, ninguém consegue apresentar uma factura dez vezes superior ao orçamentado e receber sem lhe fazerem perguntas.

Saltapocinhas, você deve pensar que os privados são todos o Belmiro, o Soares dos Santos e o Ricardo Espírito Santo. Eu penso mais no tipo que me vende o pão, no electricista, no canalizador, no senhor da mercearia, no velhote que vende facas no mercado. Estranhamente, não são milionários. E pagam impostos. Quer saber para quem são os seus impostos? Uma coisa lhe garanto, não são para mim. Mas pergunte. Olhe, se calhar são para pagar as PPPs, ou negociatas como a do Sr. Fino e a CGD. Porque é que não me oferecem negócios desses? Porque é que eu não posso fazer uma ponte com o Estado a garantir-me que se não passarem lá 2 milhões de carros por semana paga a diferença, e se passarem mais eu fico com o excedente? Porque é que eu não posso pedir dinheiro à CGD para comprar acções, com a condição de que, se subirem, são minhas, se descerem, são da CGD? Você acha que esse negócio era possível num banco privado?
Saltapocinhas, a maior parte dos funcionários públicos que conheço são competentes. Estão a atender ao público, e sujeitos a levarem uns estalos se forem lentos ou indelicados. Os dispensáveis, os muito bem pagos, os que não fazem nada, estão onde ninguém os vê. Procure. Há 12 000 fundações em Portugal. Algumas devem ser dispensáveis.

Didas disse...

Eu já nem digo mais nada!

A.B. disse...

E eu digo que tenho muita pena.
E o que me dá mais tristeza é esta impressão de que esta coisa, bem gerida, podia ser um sítio bom para se viver.

Saltapocinhas disse...

mas eu estou de acordo com o ab.
só me passo quando falam dos fp como se eles também não pagassem impostos.

A.B. disse...

Eu nunca disse isso, Saltapocinhas. Acho que todos sabemos quem não paga impostos - e que ainda vão ser mais e pagar menos, pelo andar da carruagem.
E Didas, a minha aversão ao Sócrates deve-se ao facto dele não nos dizer o que anda a fumar para estar tão a leste da realidade. Não é uma questão política/partidária. Lembro-me de ser bem mais novo e ler artigos a avisar o "venerado" C. Silva que o "seu" fantástico crescimento económico, depois de descontados os dinheiros da CEE, era uma bela merda.
Eu sei que o nosso problema actual começou aí. O C. Silva herdou uma economia funcional e uma democracia consolidada, teve maioria parlamentar, rios de dinheiro para modernizar e adaptar as estruturas, e só o que fez foi criar uma horda de subsidiodependentes. O Sr. António que se lhe seguiu, como boa pessoa que genuinamente é, deu dinheiro a toda a gente, dinheiro que, infelizmente era nosso, ou que teríamos que pagar. O Santana e o Duraço nem tiveram tempo para fazer estragos, e seguiu-se o Sr. José, e o resto, como se diz, é história. E ficará na História deste país, porque estamos a viver momentos históricos, em que está a ser decidido se temos condições para continuar a ser uma Nação. O nosso futuro e o dos nossos filhos está a ser decidido, e lamento termos esta gente ao leme numa altura tão crítica.
E reitero a minha pena. Temos boas terras, um clima agradável, tivémos uma revolução tranquila, o pessoal até é calmo e sabe trabalhar, e temos "isto" às costas. Que desperdício!

A.B. disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Didas disse...

É isso que nos separa. Eu pessoalmente acho que o nosso problema não são os governantes. Os governantes são só o espelho do que nós somos. O problema é mesmo sermos esta raça ajericada de marmanjos que vêem a casa dos segredos, deitam lixo para o chão e estacionam em segunda fila para ir para o tasco bebr copos como se nada se estivesse a passar.

A.B. disse...

Eu não sou assim. Não ligo ao futebol. Não escarro para o chão e muito menos deito lixo. Não tenho TV. Não estaciono em segunda fila. É raríssimo beber copos. Não fumo. Nunca comprei nada a crédito - habituei-me a juntar primeiro o dinheiro, e comprar depois, quando posso. A crédito, só investi. Com muitas contas e muita prudência. Nunca dei passos maiores que as pernas. E prosperei. E lixa-me ser governado por gente que fez sempre o oposto, eleita por gente que não sabe ler, escrever, fazer contas, ou pensar. Lixa-me a destruição dos frutos da minha disciplina, e a destruição do futuro da minha filha. Se calhar o que nos separa é eu ter que ir ao Google para saber o que é a casa dos segredos.

Didas disse...

Agora senti aqui alguma agressividade em relação a mim. E como não percebi porquê, páro por aqui.

A.Carrilho disse...

Didas, acho que a agressividade não é em relação a si em particular, é para si em geral.

A.B. disse...

Eu traduzo;
Creio que fundamentalmente a Didas e eu somos diferentes apenas em questões de pormenor, e por isso não percebo como acha que estes governantes são o espelho do que somos. Não percebeu a razão da agressividade porque não houve. Tivesse eu escrito "Se calhar o que nos separa é APENAS eu ter que ir ao Google para saber o que é a casa dos segredos", e a mensagem ficava clara. Não lhe estou a dar graxa, não preciso, é simplesmente assim. Moving on.

Didas disse...

Ah Carrilho, fico muito mais descansada! :)))

A.B. às vezes sinto na sua conversa que acha que eu faço parte da cambada que vive à custa da choldra. Porra! Isso é que era!

A.B. disse...

Não sei o que a Didas faz, não posso opinar sobre a sua utilidade, competência, ou empenho - mas acredito em si.
Sei que na economia estatal haverá cortes salariais, e na economia privada despedimentos. Sortuda.

Didas disse...

Pois, eu sei. Não me queixo por aí além, só me queixo de quem deixou chegar isto a este ponto: Governos e restante cambada.

Anónimo disse...

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