7/13/2011

Este é o povo que quer ser competitivo na Europa.

Na mesa ao meu lado, no centro comercial, mãe e filha devoravam hambúrgueres e batatas fritas como se não houvesse amanhã ou como se tivessem medo que, algures entre o tabuleiro e a boca, alguém lhes roubasse a comida.
A mãe usava uns shorts dois números abaixo do que pediam as carnes, que explodiam logo abaixo em duas coxas flácidas e cheias de varizes sob a imensa barriga que, na posição de sentada, se deixava cair relaxada até aos joelhos. O cabelo oleoso e sem conhecimento de pente algum era preso atrás por um elástico imundo.
A filha, de uns oito anos de idade, ostentava umas sobrancelhas que fariam inveja a Frida Khalo mas que ainda assim não igualavam o bigode também já farto. Só a mãe tinha direito a depilação, feita com certeza a corta-relva.
Durante todo o tempo não falaram. Apenas comeram como ses estivessem em jejum há 15 dias e de boca aberta e, no final, levantaram-se e foram embora com com alguns rugidos vagos que trocaram entre ambas.
Qualquer uma, incluindo a mãe, tinha idade para já pertencer à geração que teve escola perto de casa e leis de escolaridade obrigatória, mais métodos pedagógicos moderníssimos e currículos adaptados.
Este é o povo que quer ser competitivo na Europa.

9 comentários:

Luís Filipe Maia disse...

Direi mais sáo as mesma mulheres que chagam a casa e são maltratadas pelos maridos e que alinham no números das pessoas que maltratam os nosso velhos,(somos dos melhores europeus nessa matéria).

Sempre competitivos como se vê um país que importa alhos, palitos e folhas de cartolina, merece o lixo em que nos colocaram.

Além disso somos um pais que tem um Silva a presidir-nos que não tem estofo para ser o símbolo de Portugal.

Didas disse...

É isso tudo e mais coisas.

joao madail veiga disse...

Quanto a sobrancelhas, sobrancelhas? Já viste as sobrancelhas da Madame Veiga, sim, já viste as sobrancelhas de Madame Veiga?!!!
Ao pé delas, as de Frida Khalo eram penungens...

Didas disse...

nunquinha!

Constantino, Guardador de Vacas disse...

E eu que consegui ler o post todo enquanto como batatas fritas?

Saltapocinhas disse...

que deprimente!

são também essas mães e essas meninas que nos aparecem na escola e normalmente são as que mais problemas levantam, porque as professoras não são suficientemente competentes, as auxiliares idem e as refeições da cantina idem, idem...

pé-de-cereja disse...

O que dói mais é que esse exemplo é mesmo um exemplo, a falta de uma educação mais profunda que notamos por todos os lados. O desleixo instituído como norma é coisa que me arrepia.
escrevi ontem lá no meu estaminé um post a que chamei «O lapso» ou as novas faces da miséria onde chamava a atenção para uma coisa que me choca - o desconhecimento de como gerir melhor o pouco dinheiro que temos. Uma visitante não concordou comigo, achou o meu tom 'paternalista de classe', mas a mim parece-me que quanto muito é de idade, não tanto de classe. Porque no «meu tempo» desleixo era desleixo!

pé-de-cereja disse...

....
E depois de ter clicado para entrar vi que faltava uma coisa importante: os hambúrgueres com batatas fritas, responsáveis de certo por parte dos pneus da mãe e e dos futuros pneus da filha, dariam à vontade para um frasco de shampô para as cabecinhas desse par. Continuo a teimar em que há muito pouco dinheiro mas, o que há está muito mal gerido!!!

Didas disse...

Conatantino, o menino faça favor de limpar as migalhas!

Saltapocinhas, são exigentes não são? Eu tenho cada história também aqui na padaria!

Pé-de-cereja, só tive pena que aqui no blogger não dê para pôr "like" nos comentários!