8/15/2011

Que inteligentes somos, senhor!


Hoje estive numa localidade portuguesa com todos os motivos do mundo para estar cheia de turistas num feriado a meio de Agosto, ali para os lados de Coimbra. Não estava. Aliás, na primeira volta que demos só vi velhinhos sentados à sombra... e as respectivas sombras. Depois fomos à procura dum restaurante para almoçar. Encontrámos dois. A diferença entre eles é que um estava aberto e o outro estava fechado. De resto ambos tinham nomes terminados com a palavra "Cabrito". Entrámos no que estava aberto (no outro não dava) e mandaram-nos sentar. A sério, os tipos que por ali se moviam à laia de quem trabalha pareciam genuinamente boas pessoas e até tentavam ser simpáticos, mas além de demorarem o mesmo tempo que levou a erigir o convento de Mafra para porem uma toalhita de papel na mesa mais um cestinho com duas carcaças e umas azeitonas só se passeavam por ali como se estivessem perdidos e à procura dum polícia. O casal ao nosso lado começou a perder a paciência. Ele só tremia com um pé e ela ameaçava partir aquilo tudo nos cinco minutos seguintes. Eu cá só pedia ao meu cara-metade que por favor se aguentasse calado antes que nos cuspissem no famoso cabrito. Qualquer gajo (ou gaja) minimamente inteligente sabe que nos restaurantes só se reclama no fim. É como os prognósticos no futebol.
Até ao fim da aventura ainda decorreram umas quantas peripécias como devolvermos louça que estava suja, haver garrafas de vinho guardadas na casa de banho e perguntarem-nos cinco vezes se queríamos salada. Finalmente, saímos com aquela sensação f*dida de a nossa conta ter sido mais elevada que a do pessoal da terra, depois de o velhinho matreiro que mandava naquilo nos ter informado com orgulho de quem ganhou o campeonato que já tinha máquina para pagar com o multibanco.
Se é assim que tratamos o turismo neste país (a única coisa que nos pode salvar da desgraça tendo em conta a qualidade do nosso petróleo), mais vale mesmo entregarmos a chave disto à Troika e eles que fechem esta m*rda depois de venderem as tralhas para pagar as dívidas.

7 comentários:

Jorge disse...

A narração reflecte bem o muito disto que por aí vai neste país.

Anónimo disse...

Isso foi onde?

Já tive experiências parecidas, inclusivamente em zonas chamadas "turísticas"

kimmi

Saltapocinhas disse...

e na sexta à noite não havia um café aberto em aveiro...

quanto ao restaurante, há sempre um desses pelo menos uma vez na nossa vida!

Anónimo disse...

É verdade, sim senhor!
Já nos deparámos várias vezes com restaurantes de merda que nos trataram como se fossemos clientes de pastelarias-padarias de "venezuelanos"!....
E em Aveiro como se traduz o turismo?
Comes e bebes e passeios na ria a todo o vapor!...
Vergonha!...

Zé de Aveiro

jg disse...

Assino sete vezes. Por baixo, por cima e de ambos os lados.

Pecola disse...

Qualquer dia temos é aí o país à venda em leilão que nos lixamos. :P

joao madail veiga disse...

Não é tanto assim.
Lembro-me de uma vez na Alemanha ter sido pior, já para não falar das tascas em Espanha que são ainda piores, o que não é fácil.