3/06/2007

RTP - MEIO SÉCULO... XIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII



Quando chegávamos da escola ainda tínhamos que esperar cerca de meia hora a quarenta e cinco minutos. A emissão abria com estas imagens e já todas as criaturas com menos de 10 anos residentes em território nacional se tinham acomodado no sofá, ansiosas por aproveitar cada segundo dos únicos momentos de emissão diária que lhes eram dedicados, geralmente Duffy Duck, Mr. Magoo e mais um coelho gago de que não recordo o nome. Ah! E Speedy Gonzalez.
O resto da noite incluía notícias de chafarizes a serem inaugurados pelo presidente do conselho ao som de, se a memória não me trai, Elgar. As conversas em família. Mais uma longa-metragem inócua com Fred Astaire a bailar pela enésima vez. Por vezes variedades, que era o que se chamava a um desfile de cantores que não chegavam a ser da moda porque só os velhotes os aguentavam.
A emissão terminava por volta da meia-noite com o hino nacional e a versão cinzento-escuro cinzento-claro da bandeira nacional ao vento. Não sem antes ter aparecido uma menina penteada a ferros a desejar boa noite e até amanhã se Deus quiser.
Só havia um canal e durante o resto do dia a televisão permanecia muda, a servir de suporte a uma jarra de flores de plástico num paninho de renda.
Na escola, conversava-se no recreio sobre um parente emigrante de uma aluna que jurava a pés juntos, perante a incredulidade geral, que no estrangeiro a televisão era a cores e tinha vários programas ao mesmo tempo para se poder escolher.

Dedico este post a todos os clientes que nem se lembram do tempo em que as pessoas tinham que se levantar para mudar de canal.

5 comentários:

AVC disse...

lembro-me perfeitamente desses tempos. Como não tinha televisão, ia a correr a casa do meu vizinho e amigo de infância para ver os desenhos animados. Creio que por volta das 13h00. A mira técnica e a música da abertura da emissão, ficou-me na memória para sempre. Que saudades desses tempos, apesar de não ter televisão!

Cumprimentos.

Quintanilha disse...

Meio século de existência, metade de transmissões de porcarias!

SaltaPocinhas disse...

Eu também não tinha televisão, tal como o AVC ia ver a casa da vizinha!
Mas tu esqueceste um programa muito importante: os bonecos que mandavam os putos para a cama! Mal acabava a cantiga lá vinha eu recambiada para casa (nesse tempo uma miuda de 7 ou 8 anos podia andar sozinha na rua á noite, se bem que a casa era pertinho e a vizinha ficava à porta até me ver entrar em casa)
Que saudades!

Conceição Bernardino disse...

Olá,

Povo

Ò povo que trais sem saber
O corpo que cansada da luta não
Pode ver

Ò néscio que não tiveste
Quem a ti te ensinasse
A andar.

Ò triste que caminhas com os
Pés dos outros,
Sem saber no que estás a pisar!

Poema da autoria de LILIANA BARRETO do LIVRO POISEIS II

Desejo-te uma bela semana, na companhia deste belo poema que encantou os sentidos.

Beijinhos ConceiçãoB
http://amanhecer-palavrasousadas.blogspot.com

Didas disse...

AVC, olha que houve tempos que só a partir das 7 da tarde!

É verdade Quintanilha. Mas se comparares com os outros canais aquilo parece sério e tudo.

Sim Saltapocinhas, também eu odiei profundamente esses bonecos estúpidos.

Tá bem Conceição, tá bem.