8/15/2007

A ÚNICA COISA QUE ACONTECEU HOJE NO MEU PEQUENO MUNDO

Hoje estava na caixa dum supermercado quando entrou um homem a perguntar ao empregado da caixa ao lado se tinha visto uma carteira. Ele respondeu que sim e que quem a tinha levado tinha sido o cliente que estava a seguir na fila. - "Perguntei-lhe se a carteira era dele e ele disse que sim!" -Então o homem correu para a porta a ver se ainda o conseguia apanhar. Uns segundos mais tarde já lá estavam os dois. E o que tinha levado a carteira a dizer:
- Foi ele (o empregado da caixa) que ma entregou! Eu só aceitei!
Depois abriu a "mariconera" (peço desculpa aos clientes que eventualmente se possam ofender mas só conheço esse nome para aquele objecto) e reforçou o seu argumento:
- Está a ver? Eu até a guardei aqui mesmo em cima das outras coisas! - como se o facto de a carteira do outro estar por cima significasse que, de qualquer modo, ainda não fazia oficialmente parte dos seus pertences.

Os restantes clientes (nos quais se incluía a vossa padeira) demoravam-se a meter as coisas nos sacos e olhavam de soslaio a apreciar o "pratinho". Mas discretamente, porque foi num supermercado onde só vai gente bem.

Foi giro e isso. E eu também só contei isto porque depois de um dia feriado em que mais não fiz do que dormir, acordar, voltar a dormir, comer e ir comprar umas cenas para fazer um bolo, não tenho qualquer outro assunto. Só por isso.

8/14/2007

QUASE


Apareceu-me um dia destes uma senhora de aspecto mirrado que ia tratar dum documento do marido. Levava o bilhete de identidade dele.


Eu: Mas a senhora então tem que levar isto para ele assinar. Depois volta cá.
Ela: Ele não sabe assinar! As senhoras que trabalham nas repartições costumam fazer o jeitinho e deixam-me assinar por ele! Fazem-me esse favorzinho! Faça lá também! Ande lá! Ande lá!


Detesto pessoas que rastejam. Talvez com a mesma força com que abomino arrogantes. Comecei a ficar com náuseas. Pedi-lhe para ver os documentos do marido. De facto, tratava-se duma pessoa com o carimbo "Não sabe assinar" no Bilhete de Identidade, mas todos os restantes documentos assinados. Com o nome dele. Incluindo uma carta de condução de motociclos.


Eu: Mas, minha senhora, como é que o seu marido não sabe assinar para o BI mas sabe assinar para os outros documentos todos?
Ela: Sou eu que assino tudo! Ande lá! As senhoras costumam fechar os olhos e fazem o jeitinho! São muito boas pessoas! Faça lá o favorzinho!


A mulher enterrava-se mais e ia diminuindo aos meus olhos duma forma tão assustadora que me pareceu urgente resolver o assunto antes que ela desaparecesse por completo. Mandei-a assinar a rogo, mas com o nome dela. Como deve ser.
Por curiosidade, ainda fiz mentalmente umas contas. Aquele homem que oficialmente "Não Sabe Assinar", tem a minha idade menos uns pós.


Este país é singular e tem tiques únicos. Uma administração pública com mais bolor do que um pão de quinze dias e que em vão se tenta mudar com um simplex que ninguém cumpre, enquanto finta o cidadão nas suas aspirações mais banais, permite, por caridade e pena dos pobrezinhos, que alguém que não sabe assinar tenha todos os documentos assinados menos aquele que o identifica. De forma fraudulenta e com a benção de todos. Continuamos a oscilar entre o bafo podre da miséria salazarenta e a tentativa de esticar os braços e chegar ao mundo civilizado. Mas fica sempre a faltar... um bocadinho assim!

8/13/2007

HISTÓRIA PARA OS LEITORES MAIS NOVOS QUE NÃO CONHECERAM ESTES TEMPOS ANTIGOS

No tempo em que não era vulgar mandar os professores à merda e nem era bom pensar em mandar as mamãs lá à escola dar-lhes uns estalos como hoje, eu tive aquela que talvez tenha sido a professora mais cabra de toda a história da lusa pátria. Mas a sério, a mulher era tão cabra que bastava um olhar dela para nos alterar todo o ciclo hormonal e nos fazer vir o período mais cedo! Bastava um reparo dela para provocar desarranjos intestinais! Bastava a presença dela para que nem a respiração dos alunos se ouvisse durante os cinquenta minutos da ordem.
Posso dizer verdadeiramente que nada aprendi com aquela mulher além de subterfúgios. Com ela, aperfeiçoámos a técnica de sair pela janela a meio duma aula no mais perfeito silêncio (o que fazíamos em grande escala quando a aula calhava ser na sala do rés-do-chão) e pouco mais. Fazíamo-lo apenas pelo prazer de ouvir depois pela boca dos que lá ficavam, os relatos do ar alucinado da bruxa de cada vez que se virava e via a sala mais vazia sem perceber muito bem como. Era a nossa professora de Antropologia, disciplina de opção do 10º ano, que com ela não tardava a saber amargamente a arrependimento, embora tarde demais.

Durante todo o ano lectivo, só uma vez vi uma aluna enfrentá-la cara a cara, episódio que logo se espalhou como notícia fabulosa por toda a escola e transformou a autora da avaria numa espécie de mito. Foi quando, numa aula horrivelmente maçadora como todas, enquanto se explicava a evolução da espécie humana, a Rosinha bocejou precisamente no instante fatal em que a professora estava a olhar para ela. Imediatamente interrogada sobre a razão de ser de tão ousada atitude e perante o espanto de toda a classe, a Rosinha encostou-se para trás na cadeira e, com o ar de fastio mais genuíno que pôde arranjar, respondeu num tom arrastado:

-Ah Professora, sei lá!... É que, disso tudo que está para aí a dizer, só me interessa mesmo o "homo erectus"!...

HOJE É TUDO EM "PÊS"... COMO EM P... QUE P... ISTO TUDO


Olá queridos clientes, cá estou eu para os comentários da semana e garanto-vos uma coisa, isto em Agosto é mesmo uma seca. Não acontece nada e o pouco que acontece já é por si tão bandalheira que nem dá para abandalhar mais. Além disso, a sensação de estar a falar para o boneco é sempre grande, mas o amor à arte é isto mesmo. Vamos ao que interessa:

1- PARAFILIAS: A RTP agora deu em passar programas específicos para gente com taras esquisitas em horário nobre e no canal principal. Touradas! A sério! Ou é do calor, ou da falta dele, ou então das duas coisas. A silly season que acabe depressa porque, tendo em conta que para aí uns 0,001% da população gosta efectivamente de ver um palhaço de lantejoulas a provocar um boi, mais dia menos dia estão a passar filmes sobre gajos que gostam de levar pontapés nos tomates logo a seguir à Herança de Verão e antes das Paixões Proibidas. Ou coisa pior!...
2- POPULARIDADES: Já a transmissão da Volta a Portugal em Bicicleta está bem escolhida, o povo aprecia, e eu posso dizer que tenho seguido atentamente todas as etapas. Não a corrida em si, claro, nem sequer sei o nome do gajo que vai à frente (ou de qualquer outro). Agora, a palhaçada que eles vão montando em cada terrinha por onde vão passando, isso sim, é de almanaque! Ele é passatempos em que o pessoal tem que rastejar 50 km para ganhar um saco de plástico com umas merdas lá dentro, ele é música da boa com as respectivas coironas em fundo a abanar as celulites… e hoje tivemos até direito a um discurso do Major Valentim sobre o tema de sempre (a elite de Lisboa, que eu não estou ao corrente do que seja mas também não sou tão esperta como ele), seguido de uma modinha dançada sobre o mesmo tema. É bem, é muito bem!
3- PIADAS: O verão tem destas coisas, as pessoas ficam com o sentido de humor mais apurado. Paulo Macedo, por exemplo, que é director-geral dos impostos, veio dizer mais uma vez que a classe política em Portugal ganha mal. Pronto, é como aquelas anedotas de loiras, estão sempre a repeti-las mas têm sempre graça! E como agora não há mais nada, os jornais publicam-nas.
4- PARA QUÊ? Um dia destes deu-me a sensação que o Luís Figo (sim, esse mesmo) me tinha estado pedir dinheiro, a mim, ajudante de padaria. Primeiro pensei que tinha sonhado com aquilo e não podia ser verdade. Mas depois voltei a ver o anúncio e confirmei. O Luís Figo anda numa campanha a pedir aos tristes como eu e você, caro cliente, dinheiro para recuperar uma casa qualquer. Mas ele não ganha o suficiente para recuperar uma casa a cada cinco minutos, na boa, e ainda lhe sobrar dinheiro? Porra, pagava aquilo, na discreta, e ainda evitava sujeitar-se àquela figurinha que é estar obviamente a gaguejar umas frases que andou a decorar sabe deus em quantos dias de treino intensivo, demostrando sem sombra de dúvida que nem sequer ficou a perceber o que elas significam! Estamos lixados com esta gente!

E olhem queridos clientes resistentes ao verão, por hoje é tudo. Uma beijoca dupla da vossa

Rosarinho

8/12/2007

"...um poeta (...) deve envelhecer aos ziguezagues, umas vezes de trás para diante, outras vezes de diante para trás, de maneira que possa atar sempre a ponta esperançosa do princípio do novelo à ponta desesperda do fim."

Miguel Torga, Dário VII, 12 de Agosto de 1953

"Os homens, só assim: ou montados em cavalos velozes e defendidos por arame farpado, ou com sebes de cimento armado entre eles e a razão dos mais..."
Miguel Torga, Bichos

8/09/2007

TRÊS COISAS QUE ME CHATEIAM

Não estar de férias 1: E estes gajos passarem à minha janela umas dez vezes por dia. Quando tiver tempo dou uma volta naquilo para ouvir o que dizem quando lá passam, a ver se é - "E à vossa esquerda podem ver uns infelizes que, apesar de tudo, gostavam de estar no vosso lugar..."



Não estar de férias 2: Entrar num gabinete qualquer cheia de stress e de trabalho, a ter que substituir uns catorze colegas, e ver um gajo a ler o jornal e a fazer uns comentários sobre as novas aquisições do Benfica. Pior. A querer partilhar comigo esses comentários e eu cheiinha de vontade de o mandar para um sítio que começa por "c", acaba em "o" e pelo meio tem dois "a", um "r", um "l" e um "h".




Não estar de férias 3: Sair do emprego mais morta que viva depois de nove horas seguidas, ir comprar um frango a correr para fazer um jantarito rápido e por baixo vir esta "oferta". E é verdade, não é só publicidade.

8/08/2007

GRANDE M... PERDA!


Lili Caneças, esse grande marco da nossa cultura, ameaça abandonar o país. Eu sei, eu sei, a única coisa hilariante aqui é o uso da palavra "ameaça". Mas que querem? Ando cansada e sem assunto.

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Podemos sempre assinar uma petição a pedir-lhe que fique. Estão tão em voga, as petições online e isso... E assinar é o contrário de não assinar...

8/06/2007

Olá amores. Ora cá estou eu mais uma vez, no mês mais pateta do ano, a resistir a tudo e a todos para vos trazer as novidades e comentários políticos e culturais, fresquíssimos, mesmo que muitos prefiram olear as carnes e pôr-se a tostar na praia do que se cultivar comigo. Ingratos! Mas pronto, profissional é profissional até morrer. Para as duas pessoas que em média me lêem em Agosto, cá vai:

1- Esta semana celebrou-se uma data importantíssima: os cem anos de escutismo. O que isso é ao certo não sei. Só sei que são uns gajos de lencinho e chapéu que costumam ir nas procissões. Além disso, também sei que cerca de 10.000 estiveram reunidos num acampamento em Idanha-a-Nova e, diz-se, o fedor a ganza chegou a Castelo Branco e mesmo a Cáceres, Guarda e Portalegre. Continuação de bons e alegres acampamentos é o que eu lhes desejo.

2 – A directora do Museu Nacional de Arte Antiga levou um chuto no cu. Eu sei, isto não é notícia. Notícia é isto ser notícia. Anedota, é dizerem por aí que a chavala foi uma vítima do estalinismo. Porra! Quando ela nasceu já o Estaline tinha morrido há q’anos! Será que ela foi fazer umas sessões de terapia daquelas maradas e descobriu que isso foi numa vida anterior? De qualquer modo também é estranho porque toda a gente que descobre que reincarnou, no caso das mulheres, ou eram a Cleópatra ou a Maria Antonieta. De resto, a mocinha até pode ser super-mega-competente e perceber resmas e palettes de museus, mas na vida real é estúpida como tudo porque até eu, que só fiz o nono, estou farta de saber que quando a gente não concorda com o patrão vai lá dentro ao gabinete, fecha a portinha e diz-lhe. Quando, antes de lhe dizermos, já andamos por aí a peixeirar aos quatro ventos que o gajo é parvo, isso quer dizer que nos estamos tacitamente a despedir. Certo? Olhe querida, a isso chama-se “ética e deontologia profissional”. Caramba, esta gente devia vir falar comigo antes de fazer merda! Há cenas tão básicas!

3 – Quanto vale a dignidade? E agora estão vocês a pensar - “Porra! A gaja hoje está duma profundidade!..” – Por acaso nem é por nada. Estou mesmo. Mas voltemos ao assunto. Quanto vale a vossa dignidade, queridos leitores? Reflictam um bocadinho sobre isto. Acham que se pode quantificar? Valerá 10? 20? 100? Um milhão? Como é que se mede? Impossível, respondem vocês! Mentira, digo eu. A do Marques Mendes, por exemplo, vale 10.000. Dez mil votos, que é o que a região autónoma da Madeira dá ao PSD. Em troca desses 10.000, ele nem se importou de ir até lá, defender o indefensável e ainda ser achincalhado de “pequenote” e “sacana” pelo palhaço oficial do partido, que para ter um bocadinho de credibilidade já devia ter corrido com o gajo há que tempos. Perdia 10.000 lá? Talvez ganhasse uns 20.000 cá. Quem sabe? E eu sei, queridos, que mesmo os PSD’s que me estão a ler concordam comigo, lá no íntimo. Pelo menos os que eu conheço (mas que só dizem o que lhes vai verdadeiramente na alma depois duns momentos de relaxe com a Rosarinho).

E por hoje é tudo. Tenham uma boa semana e aguentem-se à bronca neste mês de romarias e casamentos com buzinas. Já só faltam 25 dias para Setembro.
E fiquem com a beijoca do costume da vossa

Rosarinho

8/03/2007

E BOM FIM-DE-SEMANA!

Com muita qualidade de vida...





Muito boa disposição...




e já agora pronto, bom tempo.

FATUM


Conheci em tempos uma cigana. Quando eu digo conhecer, quer dizer que foi conhecer mesmo, do tipo passar por ela na rua e dizer boa tarde dona não sei quê, o que, deixemo-nos de tretas, não é habitual. Mas aquela, por motivos que não vêm ao caso, posso mesmo dizer que era uma conhecida minha.
Essa cigana tinha, como é tradição, muitos filhos. Sete, para ser mais precisa. Depois do desmame do sétimo, e sob a influência das senhoras que conhecia, descobriu que a vida não tem que ser toda passada necessariamente com um ou mais catraios agarrados às saias e resolveu, numa atitude quase revolucionária, parar por ali. Efectuadas as necessárias negociações familiares, com a devida autorização do macho (que primeiro se certificou que o processo não inviabilizaria o poder “servir-se” da sua mulher como era seu direito), com a tolerância da sogra e do resto do clã, apresentou-se no Hospital D. Pedro V para se submeter a uma laqueação de trompas, o que foi prontamente considerado “razoável” pelos doutores encarregados de analisar o pedido.
A intervenção (que naquele tempo e nos serviços públicos de saúde se limitava a um corte que separava as trompas do resto do equipamento) teve lugar e a vida continuou como de costume, apenas no caso dela com menos uma gravidez a seguir a outra.
Só que um belo dia, decorridos que estavam uns dois anos, ela apareceu um pouco mais larga que o habitual.
- Então?
- Ai D. ****! Não é que estou outra vez de barriga?
- Mas como?!
- O doutor já me explicou! A natureza não se dêxou enganar… e ajuntou-me outra vez as partes cá em baixo! Aiii!!!